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Vacina bronquiolite: Goiás imuniza 40 mil gestantes

Vacina bronquiolite já imunizou quase 40 mil gestantes em Goiás e ajudou a reduzir internações infantis por doenças respiratórias.
Junior Vilela
Junior Vilela

29 de maio de 2026 às 12:36

Vacina bronquiolite: Goiás imuniza 40 mil gestantes

A vacina bronquiolite aplicada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) já alcançou quase 40 mil gestantes em Goiás. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, entre dezembro de 2025 e maio de 2026, o estado aplicou 39.924 doses contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em bebês.

O número representa cobertura vacinal de 90,3% entre as gestantes goianas. A estratégia faz parte da ampliação da imunização materna no Brasil e busca proteger recém-nascidos ainda durante a gestação, especialmente nos primeiros meses de vida, considerados os mais vulneráveis para complicações respiratórias.

A vacinação começou a ser ofertada nacionalmente pelo SUS em 2025 após aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A medida colocou o Brasil entre os países que passaram a incorporar novas tecnologias de prevenção contra doenças respiratórias infantis na rede pública.

Além de Goiás, todos os estados brasileiros receberam doses da vacina. O Ministério da Saúde distribuiu cerca de 1,8 milhão de unidades para atender gestantes a partir da 28ª semana de gravidez.

Vacina bronquiolite já reduz internações infantis

Os primeiros resultados da estratégia já aparecem nos indicadores nacionais de saúde infantil. Dados do Ministério da Saúde mostram que as internações de crianças menores de dois anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR caíram 52% entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o mesmo período de 2023.

O número de casos passou de 6,8 mil para 3,2 mil internações em todo o país.

As mortes infantis relacionadas ao vírus também apresentaram redução significativa. Segundo o levantamento, os óbitos caíram 63%, passando de 72 registros para 27 mortes.

O vírus sincicial respiratório é considerado uma das principais causas de bronquiolite e pneumonia em bebês. Durante os períodos de maior circulação viral, principalmente entre abril e maio, hospitais e unidades pediátricas costumam registrar aumento expressivo na procura por atendimento respiratório infantil.

A bronquiolite afeta principalmente crianças menores de dois anos e provoca inflamação das pequenas vias aéreas dos pulmões. Os sintomas incluem dificuldade para respirar, chiado no peito, febre, tosse intensa e queda da oxigenação.

Em casos graves, a doença pode levar à internação hospitalar e necessidade de suporte respiratório.

Como funciona a proteção da vacina bronquiolite

A vacina bronquiolite aplicada em gestantes funciona por meio da transferência de anticorpos da mãe para o bebê ainda durante a gravidez.

Após a aplicação, o organismo materno produz anticorpos contra o vírus sincicial respiratório. Esses anticorpos atravessam a placenta e chegam ao bebê, garantindo proteção nos primeiros meses de vida.

Esse período é considerado o mais crítico porque o sistema imunológico da criança ainda está em desenvolvimento.

Estudos clínicos apontam eficácia de 81,8% na prevenção de casos graves de doenças respiratórias relacionadas ao VSR nos primeiros 90 dias após o nascimento.

Segundo especialistas em saúde pública, a estratégia de imunização materna vem sendo utilizada em diversos países para reduzir mortalidade infantil causada por vírus respiratórios.

Além da proteção direta ao bebê, a vacinação também ajuda a diminuir a sobrecarga hospitalar em períodos sazonais de circulação viral.

A vacina bronquiolite está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todo o Brasil para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez.

Na rede privada, o imunizante pode custar até R$ 1,5 mil por dose.

Vacina bronquiolite – Nirsevimabe amplia proteção contra o VSR

Além da vacina bronquiolite aplicada em gestantes, o Ministério da Saúde também incorporou ao SUS o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal utilizado para proteção imediata contra o vírus sincicial respiratório.

Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe não depende da resposta imunológica do organismo ao longo do tempo. O medicamento já contém anticorpos prontos para agir imediatamente após a aplicação.

O imunobiológico é indicado principalmente para recém-nascidos prematuros, bebês de até 23 meses com cardiopatias congênitas e crianças com doenças pulmonares crônicas.

A aplicação ocorre em dose única e a proteção pode durar até seis meses.

O medicamento passou a ser disponibilizado prioritariamente em maternidades e Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs), ampliando a estratégia nacional de prevenção contra doenças respiratórias infantis.

Segundo o Ministério da Saúde, a combinação entre vacinação materna e anticorpo monoclonal fortalece a rede de proteção contra casos graves de bronquiolite no país.

O avanço da imunização ocorre em um cenário de retomada das campanhas de vacinação no Brasil. Nos últimos anos, o país registrou queda em diversos índices vacinais infantis, situação que gerou preocupação entre especialistas e autoridades sanitárias.

Com a ampliação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o governo federal vem reforçando campanhas de conscientização e ampliando a oferta gratuita de vacinas pelo SUS.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o país voltou a registrar crescimento nas coberturas vacinais infantis e destacou a incorporação de novas vacinas à rede pública.

Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é ampliar ainda mais a adesão das gestantes nos próximos ciclos de vacinação, principalmente nas regiões com maior incidência de doenças respiratórias infantis.

A orientação das autoridades sanitárias é que gestantes procurem as Unidades Básicas de Saúde para atualização da carteira vacinal durante o pré-natal.

A prevenção continua sendo considerada a principal ferramenta para reduzir complicações respiratórias graves em recém-nascidos e crianças pequenas.

 

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