Skip to content
23 de setembro de 2026

Leishmaniose em Pirenópolis: como proteger pessoas e animais

Entenda como a leishmaniose é transmitida, quais são os sinais em cães e como Pirenópolis orienta tutores sobre prevenção, diagnóstico e cuidados.

Junior Vilela
Junior Vilela

23 de setembro de 2026 às 15:59

Leishmaniose em Pirenópolis: como proteger pessoas e animais

A leishmaniose ainda provoca dúvidas, medo e, em alguns casos, decisões precipitadas. Para ajudar a população a entender melhor a doença e saber como agir diante de uma suspeita, a ONG PiriCastra entrevistou a médica veterinária Dra. Lara, responsável pela Vigilância em Saúde de Pirenópolis.

A conversa aborda a transmissão da doença, os principais sinais nos cães, os cuidados com animais que vivem nas ruas, a importância do diagnóstico e as possibilidades existentes diante de um resultado positivo.

A informação é especialmente importante porque um cão infectado não transmite a leishmaniose diretamente para uma pessoa. O ciclo de transmissão envolve o flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha.

Como a leishmaniose é transmitida?

A leishmaniose visceral é causada por um protozoário do gênero Leishmania. A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea infectada do flebotomíneo, um inseto pequeno conhecido popularmente como mosquito-palha.

O inseto pode picar um animal infectado, adquirir o protozoário e posteriormente transmiti-lo ao picar outro animal ou uma pessoa.

Por isso, uma pessoa não contrai leishmaniose simplesmente por tocar, alimentar ou conviver com um cão infectado. O cão não transmite a doença pelo carinho, pela saliva ou pela proximidade. A transmissão está relacionada ao vetor.

Essa diferença é fundamental para evitar o abandono e outras decisões tomadas a partir do medo ou da falta de informação.

Quais são os sinais da doença nos cães?

Um cão infectado pode permanecer durante um período sem apresentar sinais aparentes. Quando a doença se manifesta, alguns sinais podem chamar a atenção do tutor.

Entre eles estão:

  • emagrecimento;
  • falta de apetite;
  • desânimo;
  • queda de pelos, especialmente ao redor dos olhos;
  • descamação da pele;
  • feridas nas orelhas, no focinho ou nas patas;
  • crescimento exagerado das unhas;
  • inflamação nos olhos;
  • sangramento pelo nariz;
  • anemia;
  • alterações renais;
  • fraqueza;
  • vômitos e aumento da sede nos casos mais graves.

Mas existe um ponto importante: esses sinais não são exclusivos da leishmaniose.

Doenças como enfermidades transmitidas por carrapatos, sarna, infecções por fungos e problemas renais também podem provocar sintomas semelhantes. Por isso, não é possível diagnosticar a doença apenas observando a aparência do animal.

A confirmação depende de avaliação e exames adequados.

E os cães que vivem nas ruas?

Animais sem tutor podem ficar mais expostos ao mosquito-palha, principalmente porque muitas vezes não contam com abrigo adequado, acompanhamento veterinário, medidas de proteção ou controle ambiental.

Quando houver suspeita de leishmaniose em um cão que vive nas ruas, a orientação é comunicar a Vigilância em Saúde para que a situação seja avaliada pela equipe responsável.

A responsabilidade pela investigação de uma possível zoonose não deve ser simplesmente transferida para moradores, protetores independentes ou organizações de proteção animal.

Pirenópolis oferece testagem pela Vigilância em Saúde

Segundo as informações fornecidas pela Vigilância em Saúde de Pirenópolis para esta entrevista, os tutores podem procurar o serviço para avaliação e testagem de cães.

Durante as ações do município, como o chamado Dia D, são oferecidos serviços que podem incluir vacinação antirrábica, testagem para leishmaniose e outras ações de vigilância, conforme a programação.

Quando há um resultado reagente no teste inicial, é realizada a coleta de material para investigação complementar, seguindo o fluxo estabelecido pelos serviços de saúde e pelos exames de referência.

Moradores que não conseguem comparecer às ações também podem entrar em contato com a Vigilância em Saúde para verificar a possibilidade de atendimento ou visita da equipe, de acordo com a disponibilidade do serviço.

Nos casos confirmados, o tutor recebe orientações sobre as possibilidades existentes.

Um cão com leishmaniose precisa ser eutanasiado?

Essa é uma das questões que mais geram dúvidas e medo.

A legislação brasileira não permite a eliminação indiscriminada de cães e gatos pelos órgãos públicos. A Lei Federal nº 14.228/2021 estabelece exceções para situações envolvendo doenças graves ou infectocontagiosas incuráveis que possam colocar em risco a saúde humana ou de outros animais, mediante os procedimentos previstos na legislação.

No caso da leishmaniose visceral canina, o Ministério da Saúde considera a eutanásia uma das medidas de controle da doença. Ao mesmo tempo, o tutor pode optar pelo tratamento específico do animal com acompanhamento de médico-veterinário e utilizando medicamentos registrados para essa finalidade.

O tratamento não significa necessariamente a eliminação completa do parasita. De acordo com o Ministério da Saúde, cães tratados podem continuar sendo fontes de infecção para o vetor, razão pela qual o acompanhamento veterinário e as medidas de controle continuam sendo importantes.

A eutanásia, quando indicada, deve seguir critérios técnicos, legais e éticos. A Resolução nº 1.000/2012 do Conselho Federal de Medicina Veterinária regulamenta os procedimentos e estabelece a responsabilidade técnica do médico-veterinário.

Portanto, um resultado positivo não deve ser tratado de maneira improvisada. A orientação é procurar o serviço responsável e receber as informações necessárias para a tomada de decisão dentro dos protocolos estabelecidos.

O que fazer quando o cão é positivo?

O primeiro passo é não agir por conta própria.

A confirmação da doença deve ser acompanhada pela equipe responsável, que avaliará a situação e orientará o tutor sobre os procedimentos possíveis.

Para os animais com tutor, existe a possibilidade de tratamento específico realizado por médico-veterinário, por conta do responsável pelo animal, utilizando produtos autorizados para essa finalidade. O Ministério da Saúde estabelece que o tratamento da leishmaniose visceral canina deve seguir as normas sanitárias vigentes.

Outra possibilidade prevista nos protocolos de controle é a eutanásia, quando indicada dentro dos critérios estabelecidos.

Em qualquer uma das situações, o acompanhamento profissional é fundamental.

A prevenção começa no ambiente

Se o transmissor é o mosquito-palha, combater o vetor também faz parte da prevenção.

O inseto encontra condições favoráveis em ambientes úmidos, sombreados e com matéria orgânica em decomposição. Por isso, a limpeza dos quintais e dos espaços onde vivem os animais é uma medida importante.

Entre os cuidados recomendados estão:

  • retirar folhas e frutos em decomposição;
  • recolher fezes dos animais;
  • evitar acúmulo de matéria orgânica;
  • manter quintais e abrigos de animais limpos;
  • cuidar da higiene de canis e galinheiros;
  • dar destino adequado ao lixo orgânico;
  • reduzir a permanência dos cães em áreas externas durante o período de maior atividade do vetor;
  • buscar orientação veterinária sobre medidas de proteção contra o mosquito-palha.

O Ministério da Saúde destaca justamente a limpeza periódica dos quintais, a retirada de matéria orgânica em decomposição e a higienização dos abrigos dos animais como medidas de prevenção.

Também é importante ter atenção especial em casas onde vivem gatos. Alguns produtos utilizados em cães podem ser tóxicos para os felinos. Qualquer produto repelente ou antiparasitário deve ser escolhido com orientação veterinária.

Informação protege pessoas e animais

A leishmaniose é uma questão de saúde pública, mas também envolve responsabilidade, cuidado e bem-estar animal.

Conhecer a forma de transmissão ajuda a combater o medo. Saber reconhecer os sinais ajuda a procurar atendimento. Manter o ambiente limpo contribui para reduzir as condições favoráveis ao mosquito-palha. E buscar a Vigilância em Saúde diante de uma suspeita permite que o caso seja avaliado de maneira adequada.

O cão não deve ser tratado como o vilão da doença. O enfrentamento da leishmaniose depende de informação, diagnóstico, acompanhamento veterinário, vigilância e cuidados ambientais.

Vigilância em Saúde de Pirenópolis
WhatsApp: (62) 99413-2137

PiriCastra Consciente — Coluna de Convidado
Instagram e Facebook: @piricastra
Contato: (62) 98235-7688

As informações específicas sobre os serviços oferecidos em Pirenópolis foram apresentadas pela Vigilância em Saúde durante entrevista concedida à ONG PiriCastra.

Leia também: PiriCastra: como a domesticação moldou a cultura humana

Compartilhe agora:
Logo Melhor Piri

Escolha uma opção.

© 2009 Portal Piri - Todos os direitos reservados - PIRI COMUNICACAO E MARKETING LTDA CNPJ: 59.889.263/0001-46