O consumo de notícias e informações no Brasil passou por uma transformação profunda nos últimos anos, mudando não apenas os canais utilizados pela população, mas também a forma como a sociedade acompanha o cotidiano, os fatos políticos e os acontecimentos culturais. Se antes a televisão e o rádio ditavam o ritmo de como grande parte dos brasileiros se mantinha atualizada, o cenário atual é cada vez mais marcado pelas plataformas digitais, que assumiram o posto de principal via de acesso à informação no país.
Essa mudança no consumo de notícias também alterou a rotina de quem busca notícias. O acesso, que antes dependia de horários e programações específicas, tornou-se mais imediato e integrado ao dia a dia, especialmente por meio das redes sociais e de outros ambientes digitais.
Um levantamento no consumo de notícias realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), detalha essa guinada estrutural no comportamento do público. A pesquisa, feita com 5.250 usuários de internet com 16 anos ou mais, aponta que 72% acessam diariamente informações por redes sociais, superando os 58% que recorrem diariamente ao rádio e à televisão.
Os números no consumo de notícias ajudam a dimensionar o espaço que as plataformas digitais passaram a ocupar na relação dos brasileiros com a informação. Mais do que uma mudança de preferência, os dados no consumo de notícias indicam uma transformação na maneira como as notícias chegam ao público e passam a fazer parte da rotina.
A ascensão dos feeds e dos formatos dinâmicos no cotidiano
A preferência pelos ambientes digitais reflete a busca por formatos ágeis e descentralizados no consumo de notícias. Entre os usuários pesquisados pelo Cetic.br, os aplicativos de mensagens ocupam um papel de destaque, com 60% afirmando receber, ver ou procurar informações diariamente por meio dessas ferramentas. Além disso, 53% recorrem a feeds de vídeos curtos, 50% utilizam sites ou aplicativos de vídeo e 46% acompanham feeds de notícias em redes sociais.
Apesar dessa migração para as telas conectadas, os veículos jornalísticos tradicionais ainda mantêm relevância na rotina informativa de boa parte da população. Cerca de 65% dos usuários brasileiros de internet afirmam consumir diariamente algum tipo de notícia produzida por organizações jornalísticas. No entanto, o comportamento varia de forma expressiva conforme a faixa etária e a classe social, sendo que entre os jovens de 16 a 24 anos esse índice de consumo direto de portais e veículos tradicionais cai para 46%.
As diferenças socioeconômicas também moldam o acesso à informação digital. Usuários das classes AB e pessoas com ensino superior apresentam maior frequência de consumo em múltiplos formatos. No caso de sites e portais de notícias, por exemplo, 58% das classes AB acessam os conteúdos diariamente, enquanto o percentual recua para 33% na classe C e para 27% nas classes DE, evidenciando que a digitalização não ocorre de forma homogênea em todo o território nacional.
Consumo de notícias – O avanço do streaming e as tendências do jornalismo global
A transformação no ecossistema midiático também se reflete dentro das residências brasileiras com a reconfiguração dos serviços de televisão. Dados da PNAD Contínua do IBGE mostram que os serviços pagos de streaming de vídeo alcançaram 33,4 milhões de domicílios em 2025, o equivalente a 44,4% das residências com televisão no país. A região Centro-Oeste registrou a maior proporção dessa modalidade, atingindo 51,5% dos domicílios. Em sentido oposto, a televisão por assinatura convencional recuou para 23,5%, o menor patamar da série histórica.
Esse movimento de transição no consumo de notícias não é exclusivo do Brasil. No cenário internacional, a edição de 2026 do Digital News Report, elaborado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism com base em pesquisas em 48 mercados, indicou que as redes sociais e as plataformas de vídeo ultrapassaram os sites de notícias tradicionais como a principal forma de acesso a informações online globalmente. O relatório aponta que 54% dos entrevistados utilizam redes sociais e plataformas de vídeo para se informar, contra 51% que acessam diretamente os canais de veículos jornalísticos.
Diante desse novo ecossistema, o desafio contemporâneo estende-se para a verificação e a credibilidade dos conteúdos. Pesquisas de integridade informacional apontam índices expressivos de desconfiança do público em relação a diferentes fontes, reforçando que o debate atual não se resume apenas a onde o público encontra as notícias, mas a como a sociedade analisa, verifica e interpreta a torrente diária de informações que circula pelas redes.
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