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Sítio em Pirenópolis ligado a delegado é alvo de medidas da Operação Ifrit

Operação Ifrit atinge sítio em Pirenópolis ligado a delegado investigado por desvio de cocaína. PF mira patrimônio milionário.

WhatsAppJV Jordão Vilela 5 de novembro de 2026, 08:59 · 9 min de leitura
Sítio em Pirenópolis ligado a delegado é alvo de medidas da Operação Ifrit
Sítio em Pirenópolis ligado a delegado é alvo de medidas da Operação Ifrit

Um sítio localizado em Pirenópolis, em Goiás, está entre os bens atingidos pela Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (4 de novembro). A investigação mira uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas e armas, na lavagem de dinheiro e na corrupção de agentes públicos. Segundo a PF, o grupo possui ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

O imóvel em Pirenópolis aparece entre os bens associados ao delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, de Mato Grosso do Sul, investigado por suspeita de integrar a cúpula da organização criminosa e participar de um esquema de desvio de aproximadamente duas toneladas de cocaína que estavam sob custódia policial.

A operação foi realizada em conjunto com a Receita Federal e autorizada pela Justiça Federal de Campo Grande. Ao todo, foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, além de medidas patrimoniais que atingem bens avaliados em mais de R$ 500 milhões.

As ações ocorreram em sete estados brasileiros, incluindo Goiás. A presença de um sítio em Pirenópolis entre os bens investigados estabelece uma ligação direta do município com o patrimônio apurado pela Polícia Federal, embora as informações divulgadas não indiquem que a propriedade tenha sido utilizada para armazenar ou distribuir drogas.

A investigação mira uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas e armas, na lavagem de dinheiro e na corrupção de agentes públicos
A investigação mira uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas e armas, na lavagem de dinheiro e na corrupção de agentes públicos

Operação Ifrit: por que um sítio em Pirenópolis entrou na investigação?

O desdobramento da Operação Ifrit em Pirenópolis está relacionado ao patrimônio atribuído ao delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já ocupou cargos de chefia em unidades especializadas da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

De acordo com a investigação, o delegado teria utilizado sua posição funcional para facilitar o desvio de drogas apreendidas e posteriormente revendidas por integrantes da organização criminosa.

A Polícia Federal aponta que o esquema teria proporcionado ao investigado ganhos de pelo menos R$ 15 milhões, além de bens como veículos, uma mansão localizada em Campo Grande e um sítio em Pirenópolis.

A propriedade rural goiana está entre os bens alcançados pelas medidas judiciais de sequestro patrimonial, destinadas a impedir que imóveis e outros ativos sejam transferidos ou negociados enquanto a investigação e os procedimentos judiciais avançam.

Até a divulgação das informações consultadas, não haviam sido detalhados publicamente a localização exata do sítio, seu valor individual ou a forma como teria sido adquirido.

Também não foi informado se houve apreensão de drogas, armas ou outros materiais ilícitos dentro da propriedade em Pirenópolis.

Essas distinções são importantes porque a investigação sobre a origem de um patrimônio não significa, necessariamente, que todos os imóveis vinculados aos investigados tenham sido utilizados diretamente na prática dos crimes apurados.

Delegado é suspeito de desviar duas toneladas de cocaína

Um dos pontos mais graves investigados na Operação Ifrit envolve o suposto desvio de aproximadamente duas toneladas de cocaína que estavam armazenadas na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Mato Grosso do Sul.

Segundo a Polícia Federal, Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa teria utilizado o acesso à estrutura policial para retirar a droga original e substituí-la por material adulterado e de qualidade inferior.

A suspeita é de que essa substituição permitisse ocultar o desvio, enquanto a cocaína retirada dos depósitos oficiais era recolocada no mercado ilegal.

Os investigadores apontam que o entorpecente teria sido comercializado por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil por quilo.

Considerando a quantidade investigada, a movimentação poderia alcançar cifras milionárias. A PF estima que o delegado tenha obtido pelo menos R$ 15 milhões com o esquema.

O caso chama a atenção porque envolve a suspeita de utilização da própria estrutura de combate ao narcotráfico para favorecer uma organização criminosa.

Hoffman já estava preso preventivamente em decorrência de outra investigação. Durante a Operação Ifrit, foi cumprido um novo mandado de prisão preventiva contra ele.

A prisão preventiva é uma medida cautelar determinada pela Justiça e não representa condenação definitiva.

O que diz a defesa do delegado?

Em manifestação divulgada pelo g1, a defesa de Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa informou que ainda não havia tido acesso integral ao processo, à decisão que determinou a nova prisão e às provas utilizadas para fundamentar as medidas.

Os advogados afirmaram que seria prematuro comentar as novas acusações antes de examinar o conteúdo dos autos.

A defesa também ressaltou que medidas investigativas e prisões preventivas não representam condenação e que o caso deve ser analisado com respeito ao contraditório e à ampla defesa.

Segundo a Polícia Federal, a organização investigada pela Operação Ifrit era estruturada em torno de um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes.
Segundo a Polícia Federal, a organização investigada pela Operação Ifrit era estruturada em torno de um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes

Patrimônio superior a R$ 500 milhões é alvo da Operação Ifrit

A dimensão patrimonial da Operação Ifrit é um dos principais aspectos da investigação.

A Justiça autorizou medidas de sequestro sobre bens avaliados em mais de R$ 500 milhões, incluindo imóveis urbanos, propriedades rurais, veículos, embarcações e animais de alto valor.

Entre os bens relacionados pela Polícia Federal estão aproximadamente 160 imóveis, incluindo mansões e apartamentos de alto padrão, além de um haras de luxo e seis fazendas localizadas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Amazonas.

As propriedades rurais mencionadas somam mais de cinco mil hectares.

A relação também inclui mais de 150 veículos, alguns de luxo, além de lanchas, cavalos de raça e outros animais.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam dinheiro em espécie, dólares, armas, munições e um relógio Rolex, conforme as informações divulgadas sobre a operação.

Além do sequestro patrimonial, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 300 milhões em contas bancárias vinculadas a 170 pessoas e empresas investigadas.

É importante diferenciar os valores: o patrimônio submetido a medidas judiciais e o limite autorizado para bloqueio bancário não representam necessariamente quantias já recuperadas ou definitivamente confiscadas pelo Estado.

O objetivo dessas medidas é preservar bens e recursos que possam estar relacionados aos crimes investigados, impedindo sua movimentação ou transferência durante o andamento dos procedimentos.

Organização teria movimentado mais de R$ 500 milhões em dois anos

Segundo a Polícia Federal, a organização investigada pela Operação Ifrit era estruturada em torno de um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes.

O grupo teria desenvolvido suas atividades principalmente na região de fronteira entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

As investigações apontam que drogas e armas eram obtidas em países como Paraguai, Bolívia e Peru e posteriormente distribuídas para diferentes regiões do Brasil.

Parte dos entorpecentes também teria como destino países europeus, especialmente Espanha e Portugal.

De acordo com os investigadores, a organização movimentou mais de R$ 500 milhões em um período de dois anos.

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A suspeita é de que os valores circulassem por contas de integrantes do grupo, doleiros, empresas de fachada e operações comerciais simuladas, utilizadas para dificultar a identificação da origem dos recursos.

Esse tipo de movimentação é investigado como possível lavagem de dinheiro, crime caracterizado por operações destinadas a ocultar ou dissimular a origem ilícita de recursos e patrimônio.

Entre 2022 e 2026, a Polícia Federal realizou ou acompanhou pelo menos 12 apreensões relacionadas ao grupo.

Nessas ações, foram apreendidas mais de 2,5 toneladas de cocaína, oito toneladas de maconha, 50 quilos de dry, derivado concentrado da cannabis, e diferentes tipos de armamento.

Os números ajudam a dimensionar a atuação atribuída à organização, mas não significam que todos esses materiais tenham sido apreendidos durante a operação realizada em 4 de novembro.

Policiais são investigados por favorecer o tráfico

Outro aspecto central da Operação Ifrit é a suspeita de participação de agentes públicos no funcionamento do esquema criminoso.

A investigação identificou policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal de Mato Grosso que, segundo a PF, teriam colaborado com a organização.

Entre as condutas investigadas estão o repasse de informações sigilosas e a facilitação do acesso a drogas que já haviam sido apreendidas pelas forças de segurança.

Durante entrevista sobre a operação, o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta Dangelo, explicou que a organização teria utilizado informações e estruturas de agentes públicos para favorecer suas atividades.

Segundo a PF, a atuação desses servidores permitia que o grupo tivesse acesso a entorpecentes apreendidos e obtivesse informações internas sobre ações policiais.

Além das ordens de prisão e busca, a Justiça autorizou o afastamento de três policiais civis de Mato Grosso do Sul e determinou três medidas de monitoramento eletrônico.

O envolvimento de agentes públicos é considerado um dos pontos mais relevantes da investigação, pois levanta suspeitas sobre a utilização de instituições responsáveis pelo combate ao crime para beneficiar atividades ilícitas.

As responsabilidades individuais, entretanto, ainda dependem da apuração dos fatos e das decisões judiciais.

Investigação também apura sequestros, torturas e homicídios

A Operação Ifrit não se limita às suspeitas de tráfico internacional e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Polícia Federal, integrantes da organização também são investigados por possíveis envolvimentos em sequestros, torturas, cárcere privado, atentados e homicídios.

Os investigadores apontam que o grupo utilizava armamentos de grande poder de fogo, veículos blindados e drones para intimidar rivais e exercer controle sobre áreas de atuação.

Entre os equipamentos mencionados estão fuzis, metralhadoras, granadas e lança-foguetes.

A violência, segundo a investigação, teria sido utilizada como instrumento de intimidação e manutenção das atividades criminosas.

Essas suspeitas fazem parte de uma apuração mais ampla, que busca identificar a participação de cada investigado nas diferentes condutas atribuídas à organização.

Operação Ifrit foi realizada em sete estados brasileiros

A operação foi deflagrada em 4 de novembro de 2026, com mandados autorizados pela Justiça Federal de Campo Grande.

As medidas alcançaram os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Rondônia.

A atuação em diferentes unidades da federação está relacionada à dimensão atribuída ao grupo, que, segundo a investigação, mantinha conexões para transporte, distribuição de entorpecentes e movimentação financeira.

A operação foi conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal, com foco tanto na responsabilização dos suspeitos quanto na identificação de bens e recursos possivelmente vinculados às atividades ilícitas.

O patrimônio localizado em Pirenópolis aparece nesse contexto, como parte dos ativos relacionados a um dos principais investigados.

Até o momento, as informações divulgadas não apontam que moradores de Pirenópolis, além das pessoas eventualmente vinculadas ao imóvel investigado, tenham sido identificados como participantes da organização.

O que a Operação Ifrit representa para Pirenópolis?

O principal desdobramento local da Operação Ifrit é a inclusão de um sítio situado em Pirenópolis entre os bens associados ao delegado investigado.

O caso demonstra como investigações de organizações criminosas com atuação nacional e internacional podem alcançar patrimônios localizados em municípios distantes das principais regiões onde os crimes teriam ocorrido.

A presença do imóvel na cidade não permite concluir que Pirenópolis integrava as rotas de tráfico ou que a propriedade tenha sido utilizada para atividades criminosas.

O que foi divulgado até agora é a relação patrimonial do sítio com um investigado apontado pela Polícia Federal como integrante da estrutura da organização.

As investigações continuam, e os envolvidos poderão responder, conforme a participação individual de cada um, por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, corrupção, tortura e homicídio.

O caso permanece sujeito à análise da Justiça, com garantia do direito de defesa e da presunção de inocência.

Para Pirenópolis, o episódio coloca o município entre os locais alcançados pelas medidas patrimoniais de uma das grandes operações federais contra o tráfico internacional divulgadas neste início de novembro.

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