Pirenópolis volta a se transformar em um ponto de encontro entre escritores, leitores, artistas e diferentes expressões culturais. Começa nesta quinta-feira, 5 de novembro, a 16ª Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri 2026), que segue até sábado (7) com uma programação gratuita distribuída por espaços históricos da cidade. A edição deste ano tem como tema “Raízes e Memórias – Vem 300!”, uma referência à trajetória de Pirenópolis e à aproximação de seu tricentenário, celebrado em 2027.
A abertura oficial acontece no Cine Pireneus, um dos espaços culturais mais emblemáticos do Centro Histórico. As atividades começam às 18h30, com a inauguração da exposição Brasília: o Alicerce Goiano de um Sonho Brasileiro. Às 19h, será realizada a cerimônia institucional, seguida da apresentação musical Violões em Diálogo: Duo Brasil, com os violonistas Reinaldo Reis e Marcos Leon.
Ao longo dos três dias, a festa reúne conversas literárias, lançamentos de livros, apresentações musicais, exposições, oficinas, atividades educativas, contação de histórias e encontros com autores. A programação também contempla temas contemporâneos, como identidade, ancestralidade, diversidade, saúde mental, educação e o papel da literatura na preservação da memória.
A grande homenageada da edição é a escritora e jornalista goiana Maria José Silveira, autora de romances reconhecidos nacionalmente. Sua participação será um dos momentos centrais da programação, com uma conferência marcada para sexta-feira (6), às 19h30, no Theatro Sebastião Pompeu de Pina.
Flipiri 2026 celebra as raízes e memórias de Pirenópolis
A escolha do tema “Raízes e Memórias – Vem 300!” estabelece uma conexão entre a literatura e a história de Pirenópolis. Às vésperas de completar 300 anos, a cidade se prepara para revisitar sua trajetória, suas tradições e os personagens que ajudaram a construir sua identidade.
O tema propõe uma reflexão sobre o papel das histórias na formação de uma comunidade. Afinal, a memória de uma cidade não está apenas nos documentos oficiais ou nos monumentos preservados. Ela também vive nas narrativas transmitidas entre gerações, nas manifestações culturais, nos costumes e nas experiências de seus moradores.
Nesse contexto, a festa literária se apresenta como um espaço de encontro entre passado e presente, reunindo autores e leitores em torno de questões que ultrapassam o universo dos livros.
Pirenópolis possui uma relação histórica com diferentes expressões culturais, das festas tradicionais e manifestações religiosas à música, ao teatro e à produção artística contemporânea. A Flipiri amplia esse diálogo ao incorporar linguagens diversas à programação.
A proposta é mostrar que a literatura pode ser uma ferramenta para preservar memórias, discutir o presente e imaginar os caminhos que uma comunidade deseja construir para o futuro.

Abertura da Flipiri acontece hoje no Cine Pireneus
A programação desta quinta-feira (5) começa às 18h30, com a inauguração da exposição Brasília: o Alicerce Goiano de um Sonho Brasileiro, no Cine Pireneus.
A mostra estabelece uma relação entre a história de Goiás e a construção de Brasília, trazendo à programação uma reflexão sobre as conexões históricas e culturais da região.
Às 19h, acontece a cerimônia oficial de abertura da 16ª Flipiri, com a presença de autoridades, organizadores e convidados.
A solenidade contará com a apresentação musical Violões em Diálogo: Duo Brasil, protagonizada por Reinaldo Reis e Marcos Leon. O espetáculo de música instrumental marca o início das atividades e reforça a proposta da festa de aproximar literatura e outras linguagens artísticas.
Ainda nesta quinta-feira, o Jobim Piano Bar integra a programação com a exposição Um Imaginário Poético, que reúne xilogravuras de Valdério Costa.
As atividades de abertura antecedem dois dias de programação mais extensa, com encontros literários e ações culturais em diferentes pontos do Centro Histórico.
Maria José Silveira é a escritora homenageada da edição
Um dos principais destaques da Flipiri 2026 é a homenagem à escritora e jornalista goiana Maria José Silveira, nascida em Jaraguá, em 1947.
Além de escritora, Maria José construiu uma trajetória como tradutora, editora e redatora publicitária. Estudou Antropologia na Universidade Nacional Maior de São Marcos, no Peru, e realizou estudos de pós-graduação em Ciências Políticas na Universidade de São Paulo.
Sua estreia na literatura aconteceu com o romance A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas, publicado em 2002. A obra recebeu o prêmio Revelação da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e apresentou ao público uma narrativa que atravessa gerações de mulheres e diferentes momentos da história brasileira.
Outro destaque de sua produção é Maria Altamira, publicado em 2020, obra que chegou às finais dos prêmios Jabuti e Oceanos.
A escrita de Maria José Silveira dialoga com temas como memória, identidade, relações familiares, história e transformações sociais, assuntos que se aproximam diretamente da proposta desta edição da festa.
Na sexta-feira (6), às 19h30, a autora participa da conferência de honra Em tempos revoltosos, o que pode a literatura?, no Theatro Sebastião Pompeu de Pina, com mediação de Maurício Melo.
O encontro promete ser um dos momentos mais relevantes da programação, ao propor uma reflexão sobre a capacidade da literatura de interpretar conflitos, preservar experiências e ampliar diferentes perspectivas sobre a sociedade.

Sexta-feira terá encontros literários, educação e serenata
A programação de sexta-feira, 6 de novembro, começa pela manhã, com atividades educativas e culturais.
Às 8h, o Colégio Militar recebe a atividade Leitura e escrita que aprovam: como raízes e memórias literárias ajudam para Enem e PAS, com os escritores Clara Arreguy e Maurício Melo Jr.
No Theatro Sebastião Pompeu de Pina, estão previstas apresentações do espetáculo musical Sonho, Alegria e Magia em Par – Lendas e Cantos, com Ângela B. Café e Sérgio Duboc, em sessões voltadas às escolas da rede municipal.
A programação da tarde reúne debates sobre memória, identidade e formação de leitores. Às 15h, acontece a roda de conversa Quem conta nossa história? Letramento racial e memória, com Adelina Benedita e Dona Marieta de Souza.
Às 16h, o encontro Raízes além-mar: Angola e Brasil em memórias partilhadas contará com a participação de José Carlos Daio, ministro-conselheiro da Embaixada de Angola.
A presença do representante angolano amplia o diálogo da festa sobre as conexões históricas e culturais entre Brasil e África, especialmente no campo da memória e da identidade.
Às 16h30, a conversa Raízes conectadas: Influenciadores, memórias e a formação de leitores no digital discutirá a relação entre literatura, redes sociais e novas formas de circulação de conteúdo.
Um dos momentos mais ligados à paisagem da cidade será a serenata literária Raízes e memórias na janela, prevista para as 18h, com percurso pelas ruas de Pirenópolis e referências às memórias de seus moradores.
A noite continua com a premiação do primeiro festival de poesia infantojuvenil Inverso, às 18h30, a conferência de Maria José Silveira, às 19h30, e o lançamento da antologia Do sonho à festa: Flipiri 15 anos, às 20h30.
O Cine Pireneus também recebe atividades literárias, sessões de cinema, debates e lançamentos de livros durante a sexta-feira.

Sábado terá caminhada literária, oficinas e programação cultural
No sábado, 7 de novembro, a Flipiri começa com uma atividade que aproxima literatura e patrimônio histórico.
Às 8h30, será realizada uma caminhada literária pelo Centro Histórico de Pirenópolis, com concentração no Cine Pireneus. A atividade contará com Iris Borges e Sérgio Pompêo, além do apoio da Secretaria Municipal de Turismo.
A proposta combina a experiência de percorrer as ruas da cidade com referências à memória, à história e à produção literária.
Ao longo do dia, o Theatro Sebastião Pompeu de Pina receberá rodas de conversa sobre ilustração, ativismo, representatividade, saúde mental, literatura fantástica e coletivos literários.
Entre os destaques está o encontro Quando o Cerrado sonha: fantasia, terror e ficção científica em Goiás e DF, marcado para as 15h, com Patrícia Baikal, Paulo Souza, Giovana Lobato e Ramir Curado.
A programação também inclui uma palestra sobre as relações históricas entre Goiás e Brasília, às 17h, com Lenora Borba e Herbert Moraes.
No Cine Pireneus, a agenda de sábado prevê uma maratona de contação de histórias, das 8h30 às 13h30, além de lançamentos de livros ao longo do dia.
Outras atividades acontecem na Casa de Câmara e Cadeia e Museu do Divino, com oficinas de xilogravura, encadernação manual e um ensaio aberto da Orquestra Baticum.
Às 14h, o encontro cultural da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), Mulheres que tecem mundos: palavras, saberes e narrativas femininas, reúne Maurivânia Aparecida de Farias, Mara Velvet e Aline Lôbo.
A programação do sábado será encerrada no Theatro Sebastião Pompeu de Pina, com o espetáculo Histórias da boca da noite, às 19h, apresentado pelo Grupo Paepalanthus, seguido do show Plural, com Hugo Vitti, às 20h.
Carolina Santos lança Bocas Mestiças durante a Flipiri
Entre os lançamentos literários previstos para esta edição está Bocas Mestiças, da escritora e socióloga goiana Carolina Santos.
Vencedora do 2º Prêmio Tato Literário, na categoria Contos, a obra reúne narrativas escritas ao longo de 12 anos e aborda temas como identidade, ancestralidade e resistência no Brasil contemporâneo.
Os textos transitam entre o realismo, o lirismo e elementos fantásticos, explorando experiências individuais e coletivas marcadas por questões sociais, culturais e históricas.
Radicada em Brasília, Carolina Santos possui formação acadêmica ligada à literatura pós-colonial e aos estudos de gênero, com passagem pelas universidades de Bolonha e Granada.
Sua produção literária dialoga com os feminismos, a colonialidade e as paisagens do Cerrado brasileiro.
O lançamento está anunciado para sábado (7), às 9h30, no Cine Pireneus, localizado na Rua Direita, próximo à Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário.
A presença da autora reforça o espaço dedicado pela Flipiri à literatura contemporânea produzida por escritoras de Goiás e do Distrito Federal.
Flipiri Itinerante levou literatura às escolas antes da festa
Embora a programação principal comece nesta quinta-feira, a atuação da Flipiri não se limita aos três dias de atividades no Centro Histórico.
Nas etapas preparatórias, o projeto Flipiri Itinerante levou encontros literários e ações de incentivo à leitura para estudantes e educadores, ampliando o alcance da festa.
Segundo os dados apresentados anteriormente pela organização, a iniciativa envolveu 31 escritores, alcançou aproximadamente cinco mil estudantes e 360 professores, além de promover a circulação de cerca de dois mil livros.
Esses números demonstram a dimensão educativa do projeto e sua contribuição para aproximar crianças e adolescentes da literatura.
O contato direto com escritores, a participação em atividades de leitura e o acesso a livros representam oportunidades importantes para a formação de novos leitores.
Ao integrar escolas e espaços culturais, a Flipiri também contribui para que a literatura seja percebida como parte do cotidiano, e não apenas como uma atividade restrita ao ambiente acadêmico.
Essa dimensão educativa dialoga com o tema da edição, que propõe valorizar as raízes culturais e preservar memórias por meio da palavra escrita e das narrativas compartilhadas.
Festa literária valoriza a cultura e o patrimônio de Pirenópolis
A realização da Flipiri em espaços do Centro Histórico reforça a relação entre literatura, turismo cultural e preservação do patrimônio.
Ao utilizar locais como o Cine Pireneus, o Theatro Sebastião Pompeu de Pina e a Casa de Câmara e Cadeia, a programação aproxima as atividades artísticas de construções que fazem parte da história da cidade.
Para moradores, a festa representa uma oportunidade de participar gratuitamente de encontros com escritores, oficinas, apresentações e debates.
Para visitantes, o evento acrescenta uma dimensão cultural à experiência de conhecer Pirenópolis, permitindo que a cidade seja descoberta também por meio de suas histórias e de sua produção artística.
O tema escolhido para 2026 torna essa relação ainda mais significativa. Às vésperas de seu tricentenário, Pirenópolis encontra na literatura uma maneira de revisitar o passado e refletir sobre o futuro.
Entre livros, música, exposições e conversas, a 16ª Flipiri convida o público a reconhecer que a memória de uma cidade não está apenas nos lugares que ela preserva, mas também nas histórias que continua contando.
Serviço — Flipiri 2026 em Pirenópolis
Evento: 16ª Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri 2026)
Datas: 5, 6 e 7 de novembro de 2026.
Tema: Raízes e Memórias – Vem 300!
Homenageada: Maria José Silveira.
Abertura: Quinta-feira (5), às 18h30, com inauguração de exposição; solenidade oficial às 19h.
Local da abertura: Cine Pireneus, Centro Histórico de Pirenópolis.
Outros espaços: Theatro Sebastião Pompeu de Pina, Colégio Militar, Jobim Piano Bar, Casa de Câmara e Cadeia e Museu do Divino, além de atividades pelas ruas do Centro Histórico.
Entrada: Gratuita.
Programação completa: https://www.flipiri.art.br/programacao


JV


