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11 de julho de 2026

Juliane Pina expõe Metargilito: Pinturas de Chão e Passado

A artista Juliane Pina apresenta a exposição "Metargilito: Pinturas de Chão e Passado", reunindo obras que transformam memória, terra e identidade em arte.
Luciana de Pina
Luciana de Pina

11 de julho de 2026 às 12:59

Juliane Pina expõe Metargilito: Pinturas de Chão e Passado

A artista plástica Juliane Pina, natural de Pirenópolis, convida o público para uma experiência que ultrapassa a contemplação estética. Na exposição “Metargilito: Pinturas de Chão e Passado”, a artista transforma a própria terra em matéria-prima para falar de memória, identidade e pertencimento, aproximando o visitante de uma Pirenópolis que permanece viva nas lembranças de quem viveu sua rotina mais simples e comunitária.

Pioneira na técnica de pintura com metargilito, Juliane Pina desenvolveu uma linguagem artística singular, na qual utiliza um sedimento rochoso originado da argila como pigmento natural. O resultado são obras que carregam não apenas imagens, mas também a materialidade do tempo, criando uma conexão entre o passado geológico da terra e as memórias afetivas da cidade.

Mais do que apresentar pinturas, a exposição propõe um encontro entre história, patrimônio e sensibilidade, despertando no público reflexões sobre o tempo e as transformações vividas por Pirenópolis ao longo das últimas décadas.
Juliane Pina expõe Metargilito: Pinturas de Chão e Passado

A terra como memória e matéria artística

O metargilito é um mineral formado a partir da transformação da argila sob altas pressões e temperaturas ao longo de milhares de anos. Em suas obras, Juliane utiliza esse material como pigmento, permitindo que a própria terra participe da construção da narrativa visual.

Ao incorporar esse elemento natural às telas, a artista Juliane Pina cria uma relação direta entre matéria e memória. Cada textura, cada tonalidade terrosa e cada superfície revelam um diálogo silencioso entre a paisagem, a história e as pessoas que ajudaram a construir a identidade cultural de Pirenópolis.

A escolha do metargilito vai além de uma experimentação técnica. Ela representa a essência do trabalho de Juliane: utilizar aquilo que vem do chão para contar histórias que permanecem vivas no imaginário coletivo.
Juliane Pina expõe Metargilito: Pinturas de Chão e Passado

Uma Pirenópolis que vive nas lembranças

Embora retratem casarões, ruas e elementos da arquitetura colonial, as pinturas não procuram apenas representar edifícios históricos. Elas registram uma forma de viver que marcou a cidade durante décadas.

Segundo a artista Juliane Pina, a inspiração nasce das lembranças da Pirenópolis dos anos 1980, quando o ritmo da vida era mais tranquilo, as famílias ocupavam as casas históricas e era comum ver moradores conversando nas portas, crianças brincando pelas ruas e vizinhos que conheciam a história uns dos outros.

É essa memória afetiva que conduz toda a exposição de Juliane Pina.

As silhuetas arquitetônicas aparecem envolvidas por tons naturais e texturas que evocam o desgaste do tempo, mas também a permanência das lembranças. O visitante não encontra apenas paisagens; encontra fragmentos de uma cidade construída por relações humanas, convivência e pertencimento.

O diálogo entre o casarão histórico e a obra

A exposição ganha ainda mais significado por estar instalada em um casarão colonial, espaço que compartilha da mesma narrativa presente nas telas.

As paredes, portas e vigas do edifício tornam-se parte da experiência expositiva. O ambiente dialoga naturalmente com as obras, reforçando a sensação de que passado e presente coexistem.

Ao caminhar pela mostra, o visitante é convidado a observar não apenas as pinturas, mas também o próprio espaço que as abriga. A arquitetura histórica amplia a narrativa construída pela artista e fortalece a percepção de que a memória também habita os lugares. Essa relação entre obra e patrimônio faz da exposição uma experiência imersiva, onde a arte ultrapassa os limites da tela.
Juliane Pina expõe Metargilito: Pinturas de Chão e Passado

Quando a saudade ganha forma

As pinturas de Juliane Pina não recorrem ao excesso de detalhes. Pelo contrário, trabalham com formas delicadas, contrastes suaves e uma paleta dominada pelos tons da terra. Essa simplicidade permite que cada pessoa projete suas próprias lembranças sobre as imagens.

Para quem cresceu em Pirenópolis, as obras podem despertar memórias da infância, das conversas ao fim da tarde e da vida comunitária que caracterizava o cotidiano da cidade.

Para quem visita Pirenópolis pela primeira vez, a exposição oferece uma oportunidade de compreender que o patrimônio histórico não é formado apenas por construções preservadas, mas também pelas histórias, pelos costumes e pelos vínculos que moldaram a identidade local.

Arte contemporânea conectada às raízes

Em um cenário artístico frequentemente marcado pela experimentação de novos materiais, Juliane Pina constrói um caminho próprio ao transformar um elemento geológico em linguagem visual. Sua pesquisa aproxima arte, natureza, patrimônio e memória, consolidando uma produção autoral que dialoga tanto com a contemporaneidade quanto com a história de Pirenópolis.

Ao utilizar o metargilito como pigmento, a artista também amplia o debate sobre pertencimento e identidade, mostrando que a própria terra pode carregar narrativas capazes de atravessar gerações. Cada obra torna-se, assim, um testemunho da relação entre o ser humano e o lugar onde vive.

Juliane Pina – Um convite à contemplação

“Metargilito: Pinturas de Chão e Passado” convida o público a desacelerar.

Em vez de oferecer respostas prontas, a exposição propõe um percurso silencioso, onde texturas, formas e tonalidades conduzem o olhar para aquilo que muitas vezes passa despercebido na correria do cotidiano.

É um convite para observar o tempo sob outra perspectiva, reconhecer o valor das memórias e compreender que as raízes de uma cidade permanecem vivas enquanto continuam sendo lembradas.

Ao transformar o próprio chão em arte, Juliane Pina constrói uma narrativa profundamente ligada à história de Pirenópolis, revelando que a terra guarda marcas que nem o tempo consegue apagar.

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DETALHES DO EVENTO
Tipo de agenda:
Exposições
Local:
IPHAN
Data:
16/07/2026 à 14/08/2026
Horário:
08:00
Cidade:
Pirenópolis
Endereço:
Central Histórico - Tv. 24 de Outubro, 1 - Centro, Pirenópolis - GO, 72980-000
LOCALIZAÇÃO
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