História apagada pela demolição vive nas memórias de Pirenópolis
O dia em que calaram os sinos da Igreja dos Pretos
Pouca gente imagina, ao passear pela charmosa Praça do Coreto, entre bancas de artesanato e shows de fim de tarde, que aquele chão um dia foi sagrado. Ali, onde hoje reina o colorido das feiras e o som dos músicos locais, já se ergueu uma igreja. Mas não era qualquer igreja. Era a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos — construída por mãos negras, para o povo negro.
Entre os anos de 1743 e 1757, homens e mulheres escravizados levantaram, pedra por pedra, um templo onde pudessem exercer sua fé, já que eram proibidos de entrar nas igrejas dos brancos. A segregação era clara, e a igreja do Rosário era mais que um lugar de oração — era resistência, era comunidade, era abrigo espiritual para quem quase nada possuía.
Demolida, mas nunca esquecida
Em 1944, por ordem da autoridade diocesana, a igreja foi demolida. Ninguém sabe ao certo se por abandono, por preconceito ou por ignorância histórica. O que se sabe é que seus sinos silenciaram. Mas sua memória não.
Hoje, há um memorial discreto no meio da Praça do Coreto — um sinal para quem sabe olhar. E para quem tem olhos atentos e guia bem informado ao lado, a história volta à tona, viva e pulsante como os batuques do passado.
Fragmentos da fé espalhados pela cidade
Objetos da antiga igreja foram salvos. Alguns ainda podem ser vistos nas Igrejas do Carmo, do Bonfim e Matriz: imagens, móveis e pedaços de altar que sobreviveram ao tempo e ao descaso. São relíquias que mantêm acesa a memória da fé negra em Pirenópolis.





