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Pirenópolis é uma cidade rica ou apenas turística? O que dizem os dados?

Pirenópolis é uma cidade rica? Entenda o PIB, a arrecadação, os investimentos e os desafios econômicos do município.

JV Jordão Vilela 21 de outubro de 2026, 09:30 · 15 min de leitura
Pirenópolis é uma cidade rica ou apenas turística? O que dizem os dados?
Pirenópolis é uma cidade rica ou apenas turística? O que dizem os dados?

Basta caminhar pelas ruas do centro histórico de Pirenópolis durante um feriado prolongado para perceber a força de sua economia. Restaurantes movimentados, pousadas ocupadas, lojas de artesanato e visitantes circulando pelas ruas de pedra ajudam a construir a imagem de uma cidade próspera.

Mas será que Pirenópolis é uma cidade rica? A resposta não é tão simples quanto parece.

Por trás do movimento turístico existe uma economia que envolve comércio, agropecuária, construção civil, mercado imobiliário, serviços e atividades culturais. Ao mesmo tempo, a cidade enfrenta desafios comuns a municípios que precisam conciliar o crescimento econômico com as necessidades de seus moradores.

Para entender essa realidade, é necessário olhar além das vitrines, dos hotéis e dos restaurantes.

Quanto Pirenópolis realmente produz? Quanto dinheiro entra nos cofres da prefeitura? Como esses recursos são distribuídos? E o que poderia ser feito para transformar o potencial econômico da cidade em melhores serviços e oportunidades?

Uma análise de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto Mauro Borges (IMB), do Observatório do Turismo de Goiás e do Tesouro Nacional ajuda a responder essas perguntas.

O PIB de R$ 830,1 milhões registrado em 2023 representa a produção econômica municipal, não o orçamento disponível para a administração pública.
O PIB de R$ 830,1 milhões registrado em 2023 representa a produção econômica municipal, não o orçamento disponível para a administração pública

Pirenópolis é uma cidade rica quando comparada a outros municípios?

Segundo o levantamento do Produto Interno Bruto dos Municípios Goianos, elaborado pelo Instituto Mauro Borges com dados do IBGE, Pirenópolis registrou um PIB de aproximadamente R$ 830,1 milhões em 2023.

O resultado colocou o município na 69ª posição entre as 246 cidades de Goiás.

Em 2022, Pirenópolis havia registrado um PIB de aproximadamente R$ 723,5 milhões e ocupava a 77ª colocação estadual.

Isso significa que a cidade avançou oito posições no ranking e apresentou crescimento nominal de aproximadamente 14,7% no valor de sua produção econômica.

É importante destacar que esse crescimento nominal não corresponde necessariamente ao crescimento real da economia, já que não desconta os efeitos da inflação.

Embora esteja distante das maiores economias de Goiás, como Goiânia, Rio Verde, Aparecida de Goiânia e Anápolis, Pirenópolis possui uma atividade econômica relevante para seu porte populacional.

Entretanto, estar entre as cidades mais conhecidas do estado não significa necessariamente estar entre as mais ricas.

O PIB por habitante revela outra realidade

Um dos indicadores utilizados para comparar economias municipais é o PIB per capita.

Em 2023, Pirenópolis registrou aproximadamente R$ 31.101 de PIB por habitante, enquanto a média de Goiás foi de R$ 47.721.

Isso significa que o indicador municipal ficou cerca de 35% abaixo da média estadual.

Mas existe um detalhe fundamental: PIB per capita não representa o salário ou a renda média dos moradores.

O cálculo considera o valor da produção econômica dividido pela população.

Uma cidade pode movimentar milhões de reais com empresas, turismo e empreendimentos imobiliários sem que essa riqueza seja distribuída igualmente entre seus habitantes.

Portanto, uma cidade rica em atividade econômica não é necessariamente uma cidade onde toda a população desfruta de boas condições financeiras.

Essa diferença é essencial para compreender os desafios de Pirenópolis.

Cidade rica ou destino turístico famoso? Veja a comparação em Goiás

Pirenópolis possui uma projeção turística que ultrapassa as fronteiras de Goiás. Entretanto, quando seus indicadores econômicos são comparados aos de outros destinos do estado, surgem diferenças importantes.

Segundo os dados de 2023, Caldas Novas registrou um PIB de aproximadamente R$ 3,78 bilhões, mais de quatro vezes o valor produzido por Pirenópolis.

A Cidade de Goiás apresentou PIB de R$ 793,9 milhões, resultado semelhante ao de Pirenópolis.

Rio Quente registrou R$ 579,2 milhões, enquanto Alto Paraíso de Goiás, importante destino da Chapada dos Veadeiros, alcançou R$ 408,3 milhões.

Quando a comparação considera o PIB por habitante, o cenário muda.

Rio Quente registrou aproximadamente R$ 149,9 mil por morador, enquanto Alto Paraíso apresentou R$ 39,6 mil, Caldas Novas R$ 38,3 mil e a Cidade de Goiás aproximadamente R$ 33 mil.

Pirenópolis ficou abaixo desses municípios, com R$ 31,1 mil.

Isso não significa que a população de Rio Quente receba, em média, quase R$ 150 mil por ano.

Grandes empreendimentos turísticos e empresariais podem elevar significativamente o PIB de municípios pequenos sem que o valor produzido seja distribuído proporcionalmente entre seus moradores.

A comparação mostra que Pirenópolis possui uma economia importante, mas também espaço para aumentar sua produtividade e fortalecer as oportunidades econômicas locais.

O que Pirenópolis pode aprender com Gramado, Bonito e Tiradentes?

Outros destinos turísticos brasileiros ajudam a ampliar essa discussão.

Gramado, no Rio Grande do Sul, desenvolveu uma economia turística baseada em experiências, gastronomia, eventos e entretenimento.

Bonito, em Mato Grosso do Sul, tornou-se referência na organização da visitação de atrativos naturais, utilizando mecanismos de controle e acompanhamento das atividades turísticas.

Tiradentes, em Minas Gerais, combina preservação histórica, gastronomia e programação cultural para fortalecer sua identidade.

Segundo os dados de 2023 apresentados no levantamento, Gramado registrou PIB per capita de aproximadamente R$ 88,8 mil, Bonito de R$ 67 mil e Tiradentes de R$ 38,4 mil.

Esses resultados não podem ser atribuídos exclusivamente ao turismo, já que outros setores econômicos também contribuem para o PIB municipal.

Entretanto, os exemplos mostram a importância de diversificar experiências, organizar a atividade turística e valorizar os produtos locais.

O objetivo não deve ser transformar Pirenópolis em uma cópia dessas cidades, mas aproveitar suas próprias características para construir um modelo de desenvolvimento sustentável.

A riqueza de Pirenópolis vai muito além do turismo

Quando se fala na economia de Pirenópolis, a primeira associação costuma ser com pousadas, cachoeiras e restaurantes.

Mas existe uma parcela importante da produção econômica que acontece longe das áreas mais visitadas pelos turistas.

O detalhamento setorial disponível para 2021 mostra que os serviços privados, o comércio e outras atividades representavam aproximadamente 43,8% do valor adicionado municipal.

A agropecuária correspondia a 28,5%, enquanto a administração pública representava 19,6% e a indústria, 8,1%.

O peso da agropecuária chama atenção.

Isso demonstra que a área rural não é apenas parte da paisagem de Pirenópolis. Ela também participa significativamente da produção econômica.

Agricultura, criação de animais e atividades relacionadas ao campo movimentam recursos, geram ocupações e sustentam cadeias produtivas.

O município também possui tradições ligadas ao artesanato, à extração e ao beneficiamento de pedras e à construção civil.

Uma estratégia de desenvolvimento poderia aproximar ainda mais essas atividades.

Restaurantes e pousadas poderiam ampliar a compra de produtos de agricultores locais. Pequenas agroindústrias poderiam agregar valor à produção regional. Artesãos poderiam alcançar novos mercados por meio de plataformas digitais.

Quando diferentes setores se fortalecem, uma parcela maior da riqueza produzida pode permanecer na própria cidade.

O turismo movimenta uma estrutura de quase 9,5 mil leitos

O Censo Hoteleiro de Pirenópolis de 2024, elaborado pelo Observatório do Turismo de Goiás, identificou 9.431 leitos de hospedagem no município.

Em 2019, haviam sido identificados 7.699 leitos.

O crescimento foi de aproximadamente 22,5% em cinco anos.

O número de unidades habitacionais também aumentou, passando de 2.829 para 3.790.

A diária média identificada no levantamento passou de R$ 308,44 em 2019 para R$ 545,84 em 2024.

Essa variação nominal não representa necessariamente aumento real na mesma proporção, pois não desconta a inflação.

Os dados revelam uma expansão importante da infraestrutura turística.

Entretanto, não significam que todos os leitos estejam ocupados durante o ano inteiro nem permitem calcular automaticamente o faturamento total do setor.

A pergunta que surge é: quanto dessa movimentação turística permanece na economia local e quanto retorna à população por meio de empregos, oportunidades e serviços públicos?

Por trás do movimento turístico existe uma economia que envolve comércio, agropecuária, construção civil, mercado imobiliário, serviços e atividades culturais
Por trás do movimento turístico existe uma economia que envolve comércio, agropecuária, construção civil, mercado imobiliário, serviços e atividades culturais

Quanto uma cidade rica em turismo arrecada? O caso de Pirenópolis

Existe uma diferença importante entre o dinheiro movimentado pela economia e o valor arrecadado pela prefeitura.

O PIB de R$ 830,1 milhões registrado em 2023 representa a produção econômica municipal, não o orçamento disponível para a administração pública.

A prefeitura recebe recursos provenientes de impostos, taxas, contribuições, transferências de outros governos e outras receitas legalmente previstas.

Segundo os dados declarados ao Tesouro Nacional e reunidos no levantamento, Pirenópolis registrou, em 2025, uma receita bruta realizada de aproximadamente R$ 135,38 milhões.

Após deduções para o Fundeb, a receita considerada na comparação orçamentária foi de aproximadamente R$ 123,97 milhões.

As despesas empenhadas somaram cerca de R$ 119,29 milhões.

Pelo critério utilizado, o município apresentou um resultado orçamentário positivo de aproximadamente R$ 4,68 milhões.

Em 2024, o resultado calculado pela mesma metodologia havia sido negativo em aproximadamente R$ 4,1 milhões. Em 2023, o déficit foi de cerca de R$ 10,7 milhões.

Esses números indicam mudanças na relação entre receitas e despesas, mas não permitem concluir, isoladamente, que uma administração tenha sido eficiente ou ineficiente.

Para isso, seria necessário analisar também obrigações pendentes, disponibilidade de caixa, contratos, investimentos e serviços efetivamente realizados.

De onde vem o dinheiro da Prefeitura de Pirenópolis?

Os dados de 2025 mostram que aproximadamente 73,2% das receitas realizadas tiveram origem em transferências governamentais.

Os tributos municipais representaram cerca de 22,7%, enquanto outras receitas corresponderam a 4,1%.

Entre as principais fontes selecionadas estavam o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), com aproximadamente R$ 33,63 milhões, e o Fundeb, com R$ 21,08 milhões.

O Imposto Sobre Serviços (ISS) gerou cerca de R$ 12,65 milhões.

A cota municipal do ICMS representou aproximadamente R$ 11,60 milhões.

Já o IPTU respondeu por R$ 4,38 milhões, enquanto o ITBI gerou R$ 3,64 milhões.

Também aparecem o Imposto de Renda Retido na Fonte, com R$ 3,90 milhões, e a cota municipal do IPVA, com R$ 3,31 milhões.

O ISS possui relação importante com diferentes atividades de serviços, incluindo aquelas ligadas ao turismo.

O IPTU está associado aos imóveis urbanos, enquanto o ITBI incide sobre determinadas transmissões imobiliárias.

Já o ICMS e o IPVA são tributos estaduais, mas parte de suas receitas é repartida com os municípios conforme as regras legais.

É importante lembrar que determinadas receitas possuem destinação específica, como os recursos vinculados à educação.

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Portanto, nem todo dinheiro arrecadado pode ser utilizado livremente pela prefeitura.

Uma cidade rica precisa investir bem seus recursos públicos

A discussão sobre desenvolvimento não pode se limitar à quantidade de dinheiro que entra nos cofres municipais.

Também é necessário compreender como os recursos são utilizados.

Segundo os dados fiscais reunidos no levantamento, Pirenópolis registrou aproximadamente R$ 4,91 milhões em investimentos orçamentários empenhados em 2025.

O valor correspondeu a cerca de 4,1% das despesas empenhadas naquele exercício.

Em 2024, os investimentos haviam alcançado aproximadamente R$ 23,15 milhões, equivalentes a 18,3% das despesas.

Em 2023, foram registrados cerca de R$ 13,04 milhões, correspondentes a 12,1%.

A redução observada em 2025 é expressiva e merece esclarecimentos sobre as prioridades orçamentárias e a execução de obras públicas.

Entretanto, esse indicador não comprova, por si só, desperdício, irregularidade ou má gestão.

Também é necessário considerar investimentos realizados diretamente pelo governo estadual ou federal e eventuais diferenças no calendário de execução de projetos.

Pirenópolis investiu menos por habitante que municípios semelhantes

Outro indicador apresentado no levantamento é o investimento municipal por habitante.

Em 2025, Pirenópolis registrou aproximadamente R$ 175 em investimentos empenhados por morador.

A mediana informada para municípios brasileiros com população entre 20 mil e 50 mil habitantes foi de R$ 418.

Entre os 246 municípios de Goiás, Pirenópolis ocupou a 212ª posição nesse indicador, conforme a metodologia da base utilizada.

A diferença não permite avaliar isoladamente a qualidade da gestão, mas levanta uma questão relevante.

Por que uma cidade de reconhecida importância turística apresentou um nível relativamente baixo de investimentos municipais naquele exercício?

Responder exige examinar os projetos executados, as obras previstas, os contratos e os demonstrativos oficiais.

Onde a Prefeitura de Pirenópolis gastou o dinheiro?

A classificação funcional das despesas municipais ajuda a compreender a distribuição dos recursos.

Segundo os dados de 2025 apresentados no levantamento, a educação recebeu aproximadamente R$ 36,27 milhões em despesas empenhadas.

A administração respondeu por R$ 28,52 milhões, enquanto a saúde registrou R$ 26,74 milhões.

A gestão ambiental somou R$ 8,63 milhões.

A cultura recebeu aproximadamente R$ 3,74 milhões, o urbanismo R$ 2,35 milhões e o transporte cerca de R$ 909 mil.

A função Administração representou aproximadamente 23,9% das despesas empenhadas.

Já Urbanismo respondeu por cerca de 2%.

Isso não significa que todos os gastos com pessoal estejam concentrados na função Administração, pois salários e outras despesas também aparecem nas áreas de saúde, educação e demais serviços.

Também não seria correto classificar toda despesa administrativa como desperdício.

Uma prefeitura precisa de servidores, planejamento, contabilidade, fiscalização e estruturas de atendimento.

A questão fundamental é saber se esses gastos resultam em serviços públicos eficientes.

O levantamento informa ainda que a despesa com pessoal do Poder Executivo correspondeu a 42,89% da receita corrente líquida em 2025, abaixo do limite máximo de 54% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na saúde, o percentual declarado foi de 17,76% das receitas abrangidas pelo indicador, acima do mínimo constitucional de 15%.

Quanto à educação, o material consultado não apresentou informações suficientes para verificar o percentual constitucional de aplicação naquele exercício. Essa ausência de confirmação não autoriza concluir que houve descumprimento da exigência legal.

Como Pirenópolis poderia se tornar uma cidade rica também em oportunidades?

Aumentar a arrecadação municipal não significa necessariamente criar impostos ou elevar alíquotas.

Uma alternativa é melhorar a eficiência da administração tributária, atualizar cadastros, integrar sistemas e facilitar a regularização de atividades econômicas.

A formalização de empresas e prestadores de serviços pode ampliar a base tributária e, ao mesmo tempo, melhorar o acesso ao crédito e a segurança jurídica.

Mas esse processo precisa ser acompanhado de atendimento eficiente e simplificação burocrática.

Outra oportunidade está no fortalecimento do turismo durante os dias úteis.

Pirenópolis possui potencial para desenvolver experiências culturais, gastronômicas, pedagógicas, rurais e ambientais que contribuam para distribuir melhor o fluxo de visitantes ao longo do ano.

O município também pode estimular a integração entre produtores rurais, restaurantes, pousadas e comerciantes.

Apoiar pequenas agroindústrias, cooperativas e associações pode ampliar oportunidades econômicas fora do centro turístico.

Melhorar as estradas vicinais, fortalecer a qualificação profissional e incentivar empreendimentos locais são outras possibilidades.

O objetivo deve ser criar uma economia mais diversificada, com empregos de qualidade e maior participação dos moradores nos benefícios gerados.

Turismo forte não significa desenvolvimento automático

Pirenópolis enfrenta desafios específicos de municípios turísticos.

Durante feriados e eventos, a cidade precisa atender um fluxo adicional de pessoas, aumentando a demanda por limpeza urbana, coleta de lixo, trânsito, manutenção de vias, fiscalização e serviços públicos.

O crescimento imobiliário também pode pressionar o custo da moradia, dificultando a permanência de trabalhadores em áreas valorizadas.

Além disso, a preservação dos rios, cachoeiras e paisagens naturais exige planejamento e fiscalização.

Por isso, o desenvolvimento econômico precisa ser acompanhado de políticas de infraestrutura, proteção ambiental e melhoria dos serviços públicos.

Uma cidade verdadeiramente próspera não é apenas aquela que recebe muitos visitantes, mas aquela que oferece boas condições de vida para sua população.

O que a Prefeitura de Pirenópolis poderia fazer para melhorar a gestão?

Existem caminhos para fortalecer a administração municipal e melhorar os resultados dos investimentos públicos.

Um deles é estabelecer um planejamento de longo prazo, com metas verificáveis para turismo, agropecuária, infraestrutura, educação, saúde e qualificação profissional.

Também seria importante ampliar a transparência das informações orçamentárias, permitindo que qualquer cidadão compreenda quanto foi arrecadado, quanto foi gasto e quais resultados foram alcançados.

A execução de obras públicas poderia ser acompanhada por indicadores que mostrem valores previstos, prazos, etapas concluídas e benefícios entregues.

Conselhos municipais, Câmara de Vereadores, órgãos de fiscalização e sociedade civil podem contribuir para acompanhar essas informações.

Outro ponto importante é priorizar serviços permanentes, como manutenção urbana, infraestrutura rural, saneamento, mobilidade e preservação do patrimônio histórico e ambiental.

Eventos e promoção turística podem gerar benefícios econômicos, mas precisam fazer parte de um planejamento que também contemple as necessidades cotidianas dos moradores.

A captação de recursos estaduais e federais pode contribuir para financiar projetos estruturantes, desde que exista capacidade de execução e planejamento para sua manutenção.

Quais perguntas ainda precisam ser respondidas?

A análise dos indicadores econômicos e fiscais de Pirenópolis levanta questões que merecem esclarecimentos oficiais.

Uma delas é a redução dos investimentos empenhados em 2025.

Quais fatores explicam essa queda? Houve conclusão de obras importantes em anos anteriores? Quais projetos estão previstos para os próximos exercícios?

Também seria relevante conhecer as estratégias municipais para ampliar a arrecadação própria sem aumentar excessivamente a carga tributária sobre moradores e pequenos negócios.

Outro ponto envolve o planejamento da infraestrutura para períodos de maior visitação turística.

Quais medidas estão previstas para melhorar mobilidade, limpeza urbana, conservação de vias e proteção ambiental?

Além disso, é importante saber quais indicadores a administração utiliza para avaliar a qualidade dos serviços públicos e o retorno dos investimentos.

Essas perguntas não representam acusações de irregularidades. São questões legítimas de interesse público que podem ser esclarecidas por meio de documentos, prestações de contas e manifestações dos órgãos responsáveis.

Afinal, Pirenópolis é uma cidade rica?

Os indicadores mostram que Pirenópolis possui uma economia relevante, mas não está entre os municípios de maior PIB de Goiás.

A cidade reúne características importantes: patrimônio histórico, projeção turística, atrativos naturais, localização privilegiada, produção agropecuária e uma rede de comércio e serviços.

Esses elementos representam oportunidades econômicas que podem ser melhor aproveitadas.

Entretanto, os números também mostram que a fama turística não significa automaticamente maior produção econômica por habitante ou melhor distribuição de renda.

O município possui capacidade de arrecadação, mas precisa transformar os recursos disponíveis em serviços, infraestrutura e oportunidades.

Os dados de 2025 apontam resultado orçamentário positivo, acompanhado de uma redução significativa nos investimentos empenhados.

A interpretação desses indicadores exige cautela e análise complementar, mas também justifica o debate público sobre prioridades e planejamento.

Uma cidade rica não deveria ser definida apenas pelo dinheiro que movimenta, pelo valor de seus imóveis ou pela quantidade de turistas que recebe.

A verdadeira prosperidade precisa ser percebida na qualidade dos empregos, no acesso à saúde e à educação, na infraestrutura, na preservação ambiental e nas condições de vida da população.

Pirenópolis possui patrimônio, história, cultura e potencial econômico.

O desafio é transformar essas riquezas em desenvolvimento duradouro.

Afinal, mais importante do que perguntar se Pirenópolis é uma cidade rica é descobrir se a riqueza produzida no município está melhorando a vida de quem mora nele.

Fontes e metodologia

Esta reportagem foi elaborada com base em dados oficiais e levantamentos disponíveis até outubro de 2026.

Foram utilizados indicadores de períodos distintos: PIB municipal de 2023, composição setorial de 2021, dados fiscais de 2025 e Censo Hoteleiro de 2024.

As principais referências são o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto Mauro Borges (IMB), o Observatório do Turismo de Goiás e as declarações fiscais municipais disponíveis no Siconfi, sistema do Tesouro Nacional.

Os dados contábeis analisados correspondem a informações declaradas aos órgãos oficiais. Uma avaliação definitiva da legalidade e da qualidade dos gastos depende de documentos complementares, auditorias e processos de fiscalização.

Não foram realizadas entrevistas com representantes da prefeitura ou de entidades empresariais nesta etapa da investigação.

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JV Jordão VilelaRedator / Social MediaPublicitário, estrategista digital, psicanalista em formação e produtor de conteúdo, com atuação em comunicação, cultura e mundo digital. Viu um erro? Avise a redação →
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