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14 de outubro de 2026
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Goiás

PIB do agronegócio representa 40,3% da economia de Goiás

PIB do agronegócio chegou a R$ 135,6 bilhões e representou 40,3% da economia de Goiás em 2023, segundo novo boletim do IMB.

JV Jordão Vilela 14 de outubro de 2026, 06:15 · 7 min de leitura
PIB do agronegócio representa 40,3% da economia de Goiás
PIB do agronegócio representa 40,3% da economia de Goiás

Quando se fala em agronegócio, é comum imaginar grandes plantações, máquinas agrícolas, criação de gado e a movimentação de caminhões transportando a produção rural. Mas a importância desse setor para a economia de Goiás vai muito além das porteiras das fazendas. Ela também está presente nas indústrias, nos transportes, no comércio e em diferentes atividades de serviços que dependem direta ou indiretamente da produção agropecuária.

Essa dimensão econômica aparece em um novo levantamento divulgado pelo Governo de Goiás, por meio do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), vinculado à Secretaria-Geral de Governo (SGG).

A primeira edição do Boletim do Produto Interno Bruto do Agronegócio revela que o PIB do agronegócio goiano alcançou R$ 135,6 bilhões em 2023, o equivalente a 40,3% de toda a economia estadual naquele ano.

O percentual chama atenção porque supera consideravelmente a participação do agronegócio no PIB brasileiro, estimada em 23,6% no mesmo período, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A diferença é de 16,7 pontos percentuais e demonstra o peso especialmente elevado da cadeia produtiva agropecuária na estrutura econômica de Goiás.

Apesar da importância das atividades industriais e dos serviços, a agropecuária continuou sendo o maior segmento individual da cadeia produtiva goiana.
Apesar da importância das atividades industriais e dos serviços, a agropecuária continuou sendo o maior segmento individual da cadeia produtiva goiana

PIB do agronegócio de Goiás supera média nacional

O levantamento reúne informações de 2012 a 2023 e apresenta uma análise detalhada da evolução do agronegócio, considerando não apenas a produção agrícola e pecuária, mas também as atividades industriais e de serviços relacionadas ao setor.

Os números mostram que, enquanto o agronegócio representava 23,6% da economia brasileira em 2023, em Goiás essa participação chegava a 40,3%.

Isso significa que aproximadamente quatro de cada dez reais gerados pela economia goiana naquele ano estavam relacionados à cadeia produtiva do agronegócio, segundo a metodologia adotada pelo estudo.

É importante observar que os dados se referem a 2023, último ano contemplado na primeira edição do boletim, divulgada em outubro de 2026. Portanto, os resultados não representam uma estimativa da participação do setor na economia estadual em 2026.

A publicação busca oferecer uma visão mais abrangente sobre a estrutura econômica de Goiás, permitindo acompanhar o desempenho de cada segmento e compreender como eles contribuem para a geração de riqueza.

Para elaborar o estudo, o IMB utilizou a metodologia proposta pelo Cepea e a Matriz Insumo-Produto estadual, desenvolvida em cooperação com a Fundação João Pinheiro, de Minas Gerais.

A ferramenta permite analisar as relações econômicas entre diferentes atividades, oferecendo uma compreensão mais completa das conexões entre produção, indústria e serviços.

Setor cresceu mais que a economia goiana entre 2012 e 2023

Outro resultado importante apresentado pelo boletim é o crescimento acumulado do agronegócio ao longo do período analisado.

Entre 2012 e 2023, o setor registrou expansão real de 20,5%, já descontadas as variações de preços. No mesmo intervalo, a economia de Goiás cresceu 14,6%.

Em valores nominais, ou seja, sem descontar os efeitos da inflação, o PIB do agronegócio passou de R$ 51,4 bilhões, em 2012, para R$ 135,6 bilhões, em 2023.

A diferença entre o crescimento nominal e o real é importante para compreender os resultados. Enquanto os valores nominais mostram o tamanho financeiro da atividade em cada ano, o crescimento real procura medir a evolução da produção econômica sem o efeito das mudanças de preços.

Os dados indicam que o agronegócio ampliou sua relevância para Goiás ao longo da série histórica, reforçando sua posição entre os principais componentes da economia estadual.

Agronegócio vai muito além da produção nas fazendas

Uma das principais contribuições do novo boletim é mostrar que a riqueza gerada pelo agronegócio não está concentrada exclusivamente nas atividades desenvolvidas dentro das propriedades rurais.

O estudo divide a cadeia produtiva em quatro grandes segmentos: insumos, agropecuária, agroindústria e agrosserviços.

A agropecuária compreende as atividades diretamente relacionadas à produção agrícola e à criação de animais. Já os insumos envolvem produtos e recursos necessários para o funcionamento dessas atividades.

A agroindústria corresponde às atividades industriais ligadas ao processamento e à transformação da produção agropecuária. Os agrosserviços, por sua vez, abrangem serviços relacionados à movimentação e à comercialização dos produtos da cadeia.

Segundo o levantamento, agroindústria e agrosserviços responderam, juntos, por aproximadamente 55,1% do valor adicionado do agronegócio goiano em 2023.

Isso significa que mais da metade do valor gerado pela cadeia estava associada às atividades industriais e de serviços vinculadas ao setor.

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Os agrosserviços somaram R$ 47,4 bilhões, equivalentes a 38,3% do valor adicionado. A agroindústria contribuiu com R$ 20,8 bilhões, ou 16,8%, enquanto o segmento de insumos respondeu por R$ 4,6 bilhões, representando 3,7%.

Esses resultados ajudam a demonstrar como o agronegócio movimenta diferentes atividades econômicas e estabelece conexões que ultrapassam a produção rural propriamente dita.

Agropecuária foi o segmento que mais ganhou participação

Apesar da importância das atividades industriais e dos serviços, a agropecuária continuou sendo o maior segmento individual da cadeia produtiva goiana.

Em 2023, a atividade respondeu por R$ 50,8 bilhões em valor adicionado, representando 41,1% do total do agronegócio.

O boletim também revela que a agropecuária foi o único dos quatro segmentos a ampliar sua participação relativa entre 2012 e 2023.

No início da série histórica, ela representava 30,6% do valor adicionado do setor. Onze anos depois, essa participação havia alcançado 41,1%.

Nesse intervalo, o segmento acumulou crescimento real de 55,9%, resultado que evidencia sua expansão dentro da estrutura produtiva do estado.

A evolução reforça a importância das atividades agrícolas e pecuárias para a economia goiana, ao mesmo tempo em que demonstra a necessidade de analisar o setor de forma integrada, considerando todas as etapas da cadeia.

Qual é a importância desses dados para Pirenópolis?

Embora o boletim apresente resultados estaduais, o levantamento também ajuda a compreender o contexto econômico em que municípios como Pirenópolis estão inseridos.

Conhecida nacionalmente pelo turismo, pelo patrimônio histórico, pelas cachoeiras e pela gastronomia, Pirenópolis também possui atividades econômicas ligadas ao meio rural.

A produção agropecuária, os pequenos produtores, a comercialização de alimentos e as relações entre campo e cidade fazem parte da dinâmica econômica do município.

Além disso, o turismo gastronômico mantém uma conexão importante com a produção rural. Ingredientes regionais, alimentos tradicionais e produtos comercializados em feiras, mercados e estabelecimentos locais ajudam a aproximar a atividade turística da economia do campo.

Entretanto, é importante destacar que os dados apresentados pelo IMB são referentes ao conjunto de Goiás. O levantamento divulgado não permite concluir, por si só, qual é a participação específica do agronegócio no PIB de Pirenópolis.

Para isso, seria necessário consultar estudos municipais ou levantamentos com recorte territorial mais detalhado.

Ainda assim, compreender a estrutura econômica do estado é relevante para acompanhar tendências que podem influenciar o comércio, os investimentos, a geração de empregos e as oportunidades de desenvolvimento em diferentes regiões goianas.

Outro resultado importante apresentado pelo boletim é o crescimento acumulado do agronegócio ao longo do período analisado
Outro resultado importante apresentado pelo boletim é o crescimento acumulado do agronegócio ao longo do período analisado

Novo boletim pretende orientar políticas públicas em Goiás

Além de apresentar indicadores econômicos, o Boletim do Produto Interno Bruto do Agronegócio foi desenvolvido para ampliar a base de informações utilizada pelo poder público no planejamento de políticas e ações voltadas ao desenvolvimento estadual.

Ao reunir uma série histórica e detalhar os diferentes segmentos da cadeia produtiva, o estudo permite identificar transformações na economia e acompanhar quais atividades apresentam maior crescimento ou participação.

Segundo o diretor técnico do Instituto Mauro Borges, Erik Figueiredo, a iniciativa amplia a capacidade de análise do setor.

“Com esse boletim, ampliamos o olhar sobre o agronegócio goiano, acompanhando desde a produção agrícola e pecuária até a indústria e os serviços ligados a ele. A análise mostra como esses segmentos evoluem e contribuem para a economia estadual, oferecendo uma base de informações para orientar o planejamento e as políticas públicas”, afirmou.

A publicação também pode contribuir para estudos sobre infraestrutura, logística, desenvolvimento regional, qualificação profissional e outros temas relacionados à atividade econômica.

O lançamento reforça a importância de utilizar dados para compreender a realidade produtiva de Goiás, especialmente em um setor que apresenta forte participação na geração de riqueza estadual.

Para municípios como Pirenópolis, onde diferentes atividades econômicas convivem e se complementam, acompanhar essas transformações também é uma maneira de compreender melhor o desenvolvimento regional.

Com R$ 135,6 bilhões movimentados em 2023 e participação de 40,3% no PIB estadual, o agronegócio demonstra sua importância para Goiás. O novo boletim ajuda a revelar que essa força econômica não está apenas no campo, mas em uma extensa cadeia que conecta produção, indústria, serviços e consumidores.

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