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Programa ajuda a reduzir analfabetismo adulto em Goiás

O programa Alfabetização e Família já ajudou a reduzir o analfabetismo adulto em Goiás e ultrapassou a marca de 10 mil beneficiados.
Jordão Vilela
Jordão Vilela

20 de março de 2026 às 11:14

Programa ajuda a reduzir analfabetismo adulto em Goiás

Aprender a ler e escrever pode parecer algo básico para muita gente. Mas, para milhares de brasileiros, isso ainda representa uma barreira silenciosa que atravessa a vida inteira. Ler uma placa, assinar o próprio nome, entender um bilhete, pegar um ônibus com mais autonomia ou simplesmente acompanhar uma receita são ações simples no papel, mas profundas na prática. Em Goiás, uma política pública vem mudando essa realidade. O programa Alfabetização e Família tem ajudado a reduzir o analfabetismo adulto em Goiás e já ultrapassou a marca de 10 mil pessoas alfabetizadas.

A iniciativa, desenvolvida pelo Goiás Social e implementada pela Secretaria de Estado da Educação, atende jovens a partir de 15 anos, além de adultos e idosos que não tiveram a oportunidade de estudar na idade considerada ideal. Mais do que ensinar letras e palavras, o programa resgata autoestima, amplia autonomia e devolve dignidade.

Analfabetismo adulto em Goiás apresenta queda importante

Os números mostram que o problema ainda existe, mas também revelam avanço. De acordo com dados da Pnad Contínua 2023, a taxa de analfabetismo adulto em Goiás caiu 32,2% entre 2016 e 2023. O dado reforça o efeito de políticas públicas voltadas à Educação de Jovens e Adultos e mostra que o acesso à alfabetização continua sendo um caminho real de transformação social.

Esse tipo de resultado tem peso porque o analfabetismo não impacta apenas a escola. Ele afeta o acesso ao trabalho, à informação, à saúde, aos serviços públicos e até à autoestima. Quando uma pessoa volta a estudar e aprende a ler e escrever, ela não está apenas adquirindo uma habilidade técnica. Ela está recuperando algo que deveria ter sido um direito garantido desde o começo.

Programa Alfabetização e Família já chegou a mais de 10 mil pessoas

Desde o lançamento, em 2019, o programa já alfabetizou mais de 10,2 mil pessoas em Goiás. Atualmente, 91 turmas estão em funcionamento em diferentes municípios goianos, o que mostra que a iniciativa continua ativa e em expansão.

O projeto atende perfis variados, o que inclui desde jovens que interromperam a trajetória escolar até pessoas idosas que carregaram por décadas o sonho de aprender a ler e escrever. Em muitos casos, trata-se de um retorno carregado de emoção.

É o caso de estudantes como Maria Evane, de 68 anos, que celebrou a oportunidade de voltar à sala de aula. O relato dela ajuda a traduzir o alcance humano do programa. Não se trata apenas de abrir turmas. Trata-se de reabrir caminhos.

Educação, inclusão e dignidade caminham juntas

Uma das forças do programa está justamente no seu caráter social. O combate ao analfabetismo adulto em Goiás não aparece apenas como meta estatística, mas como uma ação voltada à inclusão e à dignidade das pessoas.

A gerente de Educação de Jovens e Adultos, Istela Regina, destacou que o objetivo é resgatar a dignidade de quem não teve a chance de aprender no tempo certo. Essa visão é importante porque reconhece que o atraso educacional não é, na maioria das vezes, fruto de escolha individual, mas de desigualdades históricas, dificuldades sociais, trabalho precoce, distância da escola e exclusão.

Como funcionam as aulas

O curso tem duração média de seis meses, com aulas três vezes por semana em encontros de duas horas. As turmas são pequenas, com no máximo 10 alunos, o que permite um acompanhamento mais próximo e individualizado.

Essa estrutura faz diferença, especialmente quando se trata de alunos adultos e idosos, que muitas vezes precisam de um ritmo próprio, acolhimento e atenção mais personalizada.

Os estudantes recebem apoio com

  • uniforme

  • livros didáticos

  • kit escolar

As aulas podem acontecer em espaços como

  • associações

  • salões comunitários

  • asilos

  • igrejas

Desde que haja estrutura adequada, o ensino pode ser levado para espaços comunitários, o que facilita o acesso e aproxima a alfabetização do cotidiano das pessoas.

Parcerias fortalecem o combate ao analfabetismo

Outro ponto importante é que o programa funciona em parceria com diferentes instituições. Participam da iniciativa a Seduc, o Goiás Social, prefeituras, secretarias municipais de Educação e unidades do Cras.

Esse trabalho conjunto ajuda a ampliar o alcance das ações e fortalece a rede de apoio necessária para enfrentar o analfabetismo adulto em Goiás de forma mais eficiente.

Além disso, os alfabetizadores bolsistas também recebem preparação específica. Eles precisam ter formação em Pedagogia, licenciatura ou Magistério, e contam com capacitação e material didático para conduzir as aulas.

Uma pauta que vai além dos números

Embora a notícia destaque dados positivos, o tema também convida à reflexão. Em pleno 2026, ainda é impactante pensar que tantas pessoas seguem sem acesso pleno à leitura e à escrita. Ao mesmo tempo, é animador perceber que existem políticas públicas capazes de mudar isso na prática.

Para cidades como Pirenópolis e para todo o interior goiano, iniciativas assim têm valor ainda maior. Elas ajudam a fortalecer o tecido social, ampliar oportunidades e garantir que mais pessoas possam participar de forma ativa da vida em comunidade.

O combate ao analfabetismo adulto em Goiás não é apenas uma pauta educacional. É também uma pauta de cidadania, inclusão e justiça social.

Aprender a ler também é recomeçar

Em muitos casos, voltar para a sala de aula depois dos 40, 50, 60 anos ou mais é um gesto de coragem. Significa enfrentar inseguranças, vencer a vergonha, reorganizar o tempo e acreditar que ainda é possível aprender.

Por isso, cada nova turma aberta representa mais do que uma ação administrativa. Representa uma chance de recomeço.

Ao ultrapassar a marca de 10 mil beneficiados, o programa Alfabetização e Família mostra que alfabetizar não é apenas ensinar letras. É abrir portas. É devolver autonomia. É fazer com que pessoas que por muito tempo foram deixadas à margem possam finalmente ler o mundo com os próprios olhos.

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