O atendimento especializado no SUS em Goiás será ampliado com um novo aporte de recursos federais. O Ministério da Saúde destinou R$ 13,6 milhões para hospitais filantrópicos e Santas Casas no estado, como parte do programa Agora Tem Especialistas, que inaugura um novo modelo de financiamento da atenção especializada no Sistema Único de Saúde.
A medida foi oficializada por meio da portaria GM/MS nº 9.760, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, e integra um pacote nacional de R$ 1 bilhão voltado ao fortalecimento de 3.498 hospitais filantrópicos e Santas Casas em todas as regiões do país. O objetivo central é reduzir o tempo de espera dos pacientes e ampliar o acesso a consultas, exames e cirurgias especializadas no SUS.
Novo modelo de financiamento do SUS
O investimento marca uma mudança estrutural na forma de financiamento do setor filantrópico no SUS. O programa Agora Tem Especialistas substitui a lógica da antiga Tabela SUS por um modelo que prevê reajustes anuais nos valores pagos pelos procedimentos, calculados com base na produção hospitalar registrada no ano anterior.
De acordo com o Ministério da Saúde, esse novo formato representa uma inovação ao alinhar o financiamento à realidade do serviço prestado. No âmbito nacional, R$ 800 milhões serão destinados ao custeio de procedimentos e R$ 200 milhões ao incremento do Teto de Média e Alta Complexidade dos estados, ampliando a capacidade de resposta da rede pública.
No cálculo do repasse, foi adotado um percentual estimado de cerca de 4,4%, superior ao aplicado em 2024, que foi de aproximadamente 3,5%. A expectativa é que os recursos comecem a ser executados a partir de janeiro, em parcela única, repassada diretamente aos fundos estaduais e municipais de saúde.
Recursos para Goiás fortalecem rede filantrópica
Em Goiás, o atendimento especializado no SUS será reforçado com a destinação de R$ 13,6 milhões para 64 instituições de saúde distribuídas em diversos municípios. Entre os hospitais beneficiados estão o Hospital de Câncer de Goiânia, o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação de Goiânia e o Hospital Evangélico Goiano, em Anápolis.
Essas unidades desempenham papel estratégico no atendimento de média e alta complexidade e são responsáveis por uma parcela significativa da assistência especializada prestada pelo SUS no estado. O aporte federal amplia a capacidade dessas instituições de manter e expandir serviços, garantindo maior previsibilidade financeira.
Redução do tempo de espera como prioridade
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o programa consolida a superação definitiva da antiga Tabela SUS e cria incentivos para a ampliação do acesso. “O novo modelo de financiamento garante reajustes anuais para os filantrópicos em geral e valores que variam de duas a três vezes a antiga Tabela SUS para os combos de consultas, exames e cirurgias, estimulando a redução do tempo de espera nas filas e o atendimento completo às pessoas que precisam de atenção especializada no SUS”, afirmou.
A proposta dialoga diretamente com um dos principais desafios do sistema público de saúde: o tempo de espera para procedimentos especializados. Ao fortalecer financeiramente os prestadores filantrópicos, o governo busca ampliar a oferta de serviços e melhorar o fluxo de atendimento.
Papel dos estados e municípios no financiamento
A coparticipação de estados e municípios no financiamento da saúde é uma obrigação constitucional. Nesse contexto, o reajuste promovido pelo governo federal amplia a capacidade dos entes subnacionais de cumprir suas responsabilidades e de fortalecer os prestadores locais do SUS.
O atendimento especializado no SUS depende de políticas públicas integradas, com incentivos bem definidos e financiamento compatível com a complexidade dos serviços oferecidos. Para o Ministério da Saúde, a iniciativa demonstra responsabilidade federativa e foco em resultados concretos para a população.
Supermutirões e resultados do programa
O investimento também reforça a estratégia dos supermutirões do programa Agora Tem Especialistas. Ao longo do ano, mais de 127 mil procedimentos foram realizados para pacientes do SUS em todo o país. Em um único fim de semana, foi promovido o maior mutirão da história do sistema, com 59,3 mil procedimentos realizados simultaneamente em todos os estados e no Distrito Federal.
Desde o primeiro mutirão, realizado em julho, a oferta de exames e cirurgias especializadas cresceu 375%. A estratégia mobilizou quase 200 unidades de saúde, incluindo hospitais universitários, institutos federais e 134 Santas Casas, com atuação integrada em áreas como oncologia, cardiologia, ortopedia, ginecologia, oftalmologia e otorrinolaringologia.
Com o novo aporte, a expectativa é que Goiás amplie ainda mais sua capacidade de atendimento, fortalecendo a rede filantrópica e garantindo acesso mais rápido e equitativo à atenção especializada no SUS.






