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11 de setembro de 2026

Dia do Cerrado: hoje celebramos o bioma que pulsa em Pirenópolis

Hoje é Dia do Cerrado. Conheça a biodiversidade do bioma em Pirenópolis, sua importância para as águas e os impactos do desmatamento.
Luciana de Pina
Luciana de Pina

11 de setembro de 2026 às 17:56

Dia do Cerrado: hoje celebramos o bioma que pulsa em Pirenópolis

Hoje, 11 de setembro, comemoramos o Dia do Cerrado, uma data dedicada a reconhecer a importância de um dos principais biomas brasileiros e a chamar atenção para a necessidade de sua preservação. Em Pirenópolis, a celebração tem uma relação direta com a paisagem e com a natureza que cerca o município, inserido no Cerrado goiano.

O Dia do Cerrado foi instituído oficialmente em 2003 e é celebrado todos os anos em 11 de setembro. A data é uma oportunidade para conhecer melhor a diversidade do bioma, compreender sua importância para a água e para a biodiversidade e também olhar para os impactos provocados pela retirada da vegetação nativa.

O Cerrado ocupa aproximadamente 23,9% do território brasileiro e apresenta uma grande variedade de ambientes naturais. Campos, savanas, matas de galeria, matas secas, veredas e formações associadas a áreas de serra fazem parte de um bioma que não pode ser reduzido à imagem de uma vegetação baixa e seca.

Em Pirenópolis, essa diversidade está presente nas serras, nos campos, nas matas e nas áreas de nascentes. O município também abriga parte do Parque Estadual dos Pireneus, uma unidade de conservação criada em 1987 que se estende ainda pelos municípios de Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás.

Falar sobre o Dia do Cerrado, portanto, é falar também sobre uma paisagem que faz parte da realidade de Pirenópolis e sobre a responsabilidade de conservar os ambientes naturais que permanecem.

Dia do Cerrado: hoje celebramos o bioma que pulsa em Pirenópolis
Dia do Cerrado: hoje celebramos o bioma que pulsa em Pirenópolis

Dia do Cerrado celebra uma das maiores biodiversidades do Brasil

O Cerrado está entre os biomas brasileiros de maior diversidade biológica. Segundo o ICMBio, são aproximadamente 6 mil espécies de plantas nativas, cerca de 200 espécies de mamíferos, 800 espécies de aves, 180 répteis, 150 anfíbios e 1.200 espécies de peixes.

Essa variedade está relacionada à própria diversidade de ambientes existentes dentro do bioma.

O Cerrado possui áreas abertas, vegetação arbustiva, árvores de diferentes portes, matas associadas aos rios e formações específicas de áreas rochosas e de altitude.

A flora também apresenta espécies conhecidas pelos brasileiros e outras menos visíveis no cotidiano urbano. Pequi, buriti, jatobá, araticum, cagaita, barbatimão e diferentes espécies de ipês estão entre as plantas associadas ao bioma.

Na fauna, espécies como lobo-guará, tamanduá-bandeira, tatu-canastra, ema e seriema são alguns dos animais que encontram no Cerrado seus ambientes naturais.

A biodiversidade, entretanto, não está distribuída de maneira uniforme. Cada formação vegetal oferece condições específicas de alimento, abrigo e reprodução. Por isso, a conservação de diferentes tipos de ambiente é importante para a manutenção das espécies.

Em Pirenópolis, o Parque Estadual dos Pireneus representa uma dessas áreas de proteção.

O parque abriga diferentes formações vegetais, entre elas cerrado rupestre, campos, mata seca e mata de galeria. O Pico dos Pireneus, com 1.380 metros de altitude, é um dos elementos mais conhecidos da unidade.

Além da biodiversidade, a região possui importância para os recursos hídricos.

Dia do Cerrado: hoje celebramos o bioma que pulsa em Pirenópolis
Dia do Cerrado: hoje celebramos o bioma que pulsa em Pirenópolis

Cerrado também é fonte de água

O Cerrado abriga nascentes relacionadas a importantes bacias hidrográficas brasileiras. A vegetação nativa exerce funções fundamentais na proteção do solo e na infiltração da água, contribuindo para a manutenção de nascentes e cursos d’água.

Em áreas de serra, essa relação é particularmente importante.

No Parque Estadual dos Pireneus, diversos cursos d’água têm origem na região. As águas que nascem ali contribuem para a formação dos rios das Almas e Corumbá.

Essa relação entre vegetação, solo e água explica a importância do Cerrado para além de suas paisagens.

Quando uma área de vegetação nativa é preservada, o solo permanece protegido e os processos naturais de infiltração e escoamento da água podem funcionar de maneira mais adequada.

Quando essa cobertura é retirada, aumentam os riscos de erosão e de degradação do solo, além da possibilidade de impactos sobre nascentes e cursos d’água.

Por isso, a conservação do Cerrado também é uma questão relacionada à segurança hídrica.

Para Pirenópolis, onde cachoeiras, rios, nascentes e áreas de serra fazem parte da paisagem e também da atividade turística, essa relação é ainda mais evidente.

Dia do Cerrado: hoje celebramos o bioma que pulsa em Pirenópolis
Dia do Cerrado: hoje celebramos o bioma que pulsa em Pirenópolis

Dia do Cerrado também chama atenção para a devastação

A celebração do Dia do Cerrado ocorre em meio a um processo histórico de transformação do bioma.

Dados do MapBiomas mostram que, entre 1985 e 2024, o Cerrado perdeu aproximadamente 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa. Isso representa uma redução de 28% da cobertura nativa registrada no início da série histórica.

Ao mesmo tempo, houve forte expansão das áreas utilizadas para atividades agropecuárias.

Em 2024, segundo o levantamento, 51,2% da área do Cerrado permanecia coberta por vegetação nativa, enquanto 47,9% correspondia a áreas de uso antrópico.

O desmatamento continua sendo um dos principais problemas.

Em 2024, o Cerrado registrou 652.197 hectares de área desmatada identificada pelo MapBiomas Alerta. Esse volume correspondeu a 52,5% de toda a área desmatada registrada no Brasil naquele ano.

Apesar de ter ocorrido uma redução em relação ao ano anterior, o Cerrado apresentou novamente a maior área desmatada entre os biomas brasileiros no levantamento.

Em 2025, foram registrados 540.611 hectares de desmatamento no Cerrado, mantendo o bioma responsável por mais da metade da área desmatada no país naquele ano.

Os levantamentos apontam a agropecuária como principal vetor da perda de vegetação nativa. A expansão de áreas destinadas à produção pode exigir a conversão de áreas naturais, especialmente nas regiões onde ainda existem grandes extensões contínuas de Cerrado.

É importante diferenciar, porém, atividade produtiva de desmatamento. O problema ambiental está relacionado principalmente à conversão da vegetação nativa, ao desmatamento ilegal, à ocupação de áreas protegidas ou ambientalmente sensíveis e à expansão sem planejamento adequado.

Outros fatores também contribuem para a pressão sobre o bioma, como abertura de estradas, infraestrutura, mineração, ocupação do solo e incêndios.

A perda da vegetação provoca consequências que vão além da mudança visual da paisagem.

Quando áreas naturais são transformadas, espécies perdem seus habitats. Quando grandes áreas são divididas em fragmentos menores, animais podem encontrar mais dificuldade para se deslocar, encontrar alimento e se reproduzir.

A vegetação também exerce papel importante na proteção do solo. Sem cobertura vegetal, aumenta a exposição à chuva e ao vento, favorecendo processos erosivos e podendo contribuir para o assoreamento de rios e córregos.

A perda de vegetação próxima a nascentes também pode comprometer a proteção desses ambientes.

Outro ponto de atenção é a quantidade de áreas formalmente protegidas. Segundo o ICMBio, 8,21% da área total do Cerrado está legalmente protegida por unidades de conservação.

Isso significa que a conservação do bioma não depende somente de parques e reservas. Também envolve propriedades rurais, áreas urbanas, corredores de vegetação, nascentes e outros espaços que estão fora das unidades de conservação.

Pirenópolis possui no Parque Estadual dos Pireneus uma importante estrutura de proteção ambiental, mas a conservação do Cerrado no município depende de um conjunto mais amplo de ações.

Preservar áreas de vegetação nativa, proteger nascentes, recuperar áreas degradadas, evitar ocupações ambientalmente inadequadas e respeitar as regras de proteção ambiental são medidas que contribuem para manter os processos naturais.

A conservação também está ligada ao turismo.

Pirenópolis é conhecida pelas cachoeiras, trilhas, serras e paisagens naturais que fazem parte de sua atividade turística. Esses ambientes, por sua vez, dependem da conservação da vegetação, da água e da biodiversidade.

Isso significa que proteger o Cerrado também ajuda a manter as condições naturais que tornam possível a existência desses atrativos.

O Dia do Cerrado é, portanto, uma data de celebração, mas também de reflexão.

Celebramos a existência de um bioma que concentra milhares de espécies, abriga nascentes e apresenta diferentes paisagens. Ao mesmo tempo, reconhecemos que parte significativa dessa vegetação já foi transformada e que a pressão continua.

Em Pirenópolis, essa reflexão pode ser feita a partir da própria paisagem.

As serras, os campos, as matas, os rios e as nascentes não são elementos isolados. Eles fazem parte de um sistema natural que sustenta a biodiversidade e influencia a disponibilidade de água.

O Cerrado também não deve ser compreendido apenas como uma paisagem de passagem ou como cenário turístico. É um bioma complexo, com funções ambientais que ultrapassam os limites de cada município.

Celebrar o Dia do Cerrado é reconhecer essa complexidade e entender que sua conservação depende de conhecimento, planejamento, fiscalização e participação da sociedade.

Hoje, 11 de setembro, Pirenópolis celebra o Cerrado que está presente em sua paisagem e em suas águas.

E celebrar também significa reconhecer o que precisa ser protegido: a vegetação nativa, as nascentes, os rios, os animais, as plantas e os ambientes que permitem que toda essa diversidade continue existindo.

O futuro do Cerrado está relacionado às escolhas feitas no presente. Preservar o bioma significa garantir que as próximas gerações também possam encontrar, em Pirenópolis e em outras regiões do país, um Cerrado vivo, diverso e capaz de continuar cumprindo suas funções ambientais.

 

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