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4 de fevereiro de 2026

Vidas invisíveis: gatos em situação de rua em Pirenópolis

Aumento de gatos soltos expõe abandono, desinformação e a urgência de políticas de castração e cuidado responsável em Pirenópolis
Redação
Redação

21 de janeiro de 2026 às 16:36

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Vidas invisíveis nas ruas: o drama silencioso dos gatos de Pirenópolis

Pirenópolis enfrenta uma realidade pouco debatida, mas cada vez mais visível: o crescimento do número de gatos vivendo soltos em ruas, becos, quintais e áreas periféricas. Muitos são classificados como “ariscos”, mas essa condição não é um traço natural da espécie. Trata-se, em grande parte, de um fenômeno diretamente ligado ao abandono, à falta de informação e à ausência de políticas contínuas de controle populacional.

Gatos não escolhem nascer na rua nem viver em condições precárias. Como qualquer animal, sentem frio, fome, dor e medo. Filhotes, em especial, estão entre os mais vulneráveis. Ao nascer, os gatinhos são cegos e surdos, incapazes de regular a própria temperatura corporal, de se alimentar sozinhos ou até mesmo de eliminar urina e fezes sem estímulo da mãe. A separação precoce da fêmea, muitas vezes motivada por desconhecimento, compromete seriamente a sobrevivência desses animais.

É comum que pessoas, ao encontrarem filhotes recém-nascidos, tentem “resgatar” retirando-os do local. No entanto, em muitos casos, a mãe apenas se ausentou momentaneamente para buscar alimento. A retirada dos filhotes pode resultar em sofrimento tanto para a fêmea quanto para os recém-nascidos, que perdem cuidados essenciais nos primeiros dias de vida.

A principal medida reconhecida por especialistas para evitar esse ciclo é a castração. O controle reprodutivo de gatos adultos reduz significativamente o número de ninhadas indesejadas e previne doenças como FIV, FeLV e infecções uterinas. Além disso, a castração contribui para a diminuição de brigas, fugas, vocalizações excessivas e marcação de território, favorecendo a convivência urbana.

Outro ponto crítico envolve a alimentação inadequada de filhotes. Um erro frequente é a oferta de leite de vaca, que não é apropriado para gatos. Por serem carnívoros estritos, os felinos não possuem enzimas suficientes para digerir lactose, o que pode causar diarreia, desidratação e até morte. O recomendado é o uso de fórmulas específicas para filhotes de gato, disponíveis em agropecuárias e clínicas veterinárias. A alimentação deve ocorrer a cada duas ou três horas, inclusive durante a noite, sempre com o animal posicionado corretamente.

Além da nutrição, os filhotes necessitam de calor, estímulo físico e contato. A ausência desses cuidados pode resultar em dificuldades de socialização no futuro, contribuindo para o comportamento arisco observado em muitos gatos adultos em situação de rua. Outro cuidado essencial é o estímulo para eliminação de urina e fezes, feito naturalmente pela mãe e que deve ser reproduzido por quem assume temporariamente esse cuidado.

Na fase adulta, a qualidade da alimentação continua sendo determinante para a saúde dos gatos. Rações com baixo teor de proteína animal e excesso de grãos estão associadas a problemas digestivos e urinários, especialmente em machos. A hidratação também merece atenção, já que muitos gatos ingerem pouca água. Estratégias como o uso de fontes, recipientes adequados e alimentos úmidos ajudam a prevenir doenças renais.

O enfrentamento da superpopulação de gatos em Pirenópolis passa, necessariamente, pela informação, pela castração e pela responsabilidade coletiva. Ações preventivas reduzem o sofrimento animal, os custos com tratamentos emergenciais e promovem equilíbrio entre bem-estar animal e saúde pública.

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