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30 de julho de 2026

PrEP injetável: nova tecnologia amplia prevenção do HIV

PrEP injetável é uma nova tecnologia de prevenção do HIV que será analisada pela Conitec para possível incorporação ao SUS.
Junior Vilela
Junior Vilela

30 de julho de 2026 às 10:37

PrEP injetável: nova tecnologia amplia prevenção do HIV

A PrEP injetável é uma nova tecnologia de prevenção do HIV que poderá ampliar as opções oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta de incorporação foi encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e será analisada em agosto.

A novidade foi apresentada pelo Ministério da Saúde durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. O evento começou em 26 de julho e reúne representantes de diferentes países para discutir prevenção, tratamento, pesquisa e políticas públicas relacionadas ao HIV e à aids.

Para quem não conhece o assunto, a sigla PrEP significa Profilaxia Pré-Exposição. Trata-se de uma estratégia destinada a pessoas que não vivem com HIV, mas que podem estar expostas a maior risco de infecção.

Atualmente, o SUS já oferece a PrEP em comprimidos. A novidade em avaliação é uma versão de longa duração administrada por meio de aplicação a cada dois meses.

Isso significa que a PrEP injetável não é uma vacina contra o HIV e também não é um tratamento para quem já vive com o vírus. Ela é uma estratégia de prevenção destinada a pessoas que não têm HIV e podem se beneficiar desse tipo de proteção.

Como funciona a prevenção do HIV no SUS

A prevenção do HIV no SUS é baseada em diferentes estratégias. Essa abordagem é chamada de prevenção combinada, porque reúne métodos que podem ser utilizados de acordo com as necessidades e as condições de cada pessoa.

Entre os recursos disponíveis atualmente estão preservativos, gel lubrificante, PrEP oral, PEP, testagem rápida e autoteste.

A existência de diferentes métodos é importante porque as situações de exposição ao HIV não são iguais para todas as pessoas. Por isso, a orientação sobre qual estratégia utilizar deve considerar as características e as necessidades de cada usuário.

PrEP, PEP e tratamento: entenda a diferença

As siglas utilizadas na prevenção do HIV podem causar confusão para quem não acompanha o tema. PrEP e PEP, por exemplo, têm finalidades diferentes.

A PrEP, ou Profilaxia Pré-Exposição, é uma estratégia utilizada antes de uma possível exposição ao HIV. Ela é destinada a pessoas que não vivem com o vírus e podem estar em situação de maior risco de infecção.

A PEP, ou Profilaxia Pós-Exposição, é uma estratégia utilizada depois de uma possível exposição ao HIV. Ela deve ser iniciada o mais rapidamente possível, dentro das condições estabelecidas pelos serviços de saúde.

Já o tratamento antirretroviral é destinado às pessoas que vivem com HIV. O SUS oferece medicamentos e acompanhamento para essas pessoas, além de monitoramento laboratorial e atendimento multiprofissional.

Portanto, PrEP não é tratamento para HIV. É uma ferramenta de prevenção.

O que muda com a versão PrEP injetável

A principal diferença da PrEP injetável em relação à PrEP oral está na forma e na frequência de administração.

A PrEP atualmente disponibilizada em comprimidos exige uma rotina de uso definida de acordo com a estratégia indicada para cada pessoa. A tecnologia de longa duração que está sendo avaliada é administrada a cada dois meses.

Essa característica pode ampliar as possibilidades de prevenção para pessoas que apresentam dificuldades com uma rotina de medicação oral.

No entanto, é importante destacar que a PrEP injetável ainda está em processo de avaliação para possível incorporação ao SUS. Portanto, a apresentação da tecnologia pelo Ministério da Saúde não significa que ela já esteja disponível na rede pública.

Conitec vai analisar a nova tecnologia

A proposta de incorporação da PrEP injetável foi encaminhada à Conitec, comissão responsável por avaliar tecnologias que podem ser incorporadas ao SUS.

A análise é uma etapa necessária antes de uma nova tecnologia ser incorporada à rede pública. Nesse processo são consideradas evidências científicas, benefícios para a população, aspectos relacionados à utilização da tecnologia e impacto para o sistema de saúde.

A avaliação está prevista para agosto.

Isso significa que, neste momento, existe uma proposta de incorporação em análise. A eventual disponibilização da PrEP injetável no SUS dependerá do resultado desse processo e das etapas posteriores relacionadas à incorporação.

Para o público em geral, a diferença é importante: a tecnologia foi apresentada e está sendo avaliada, mas ainda não deve ser considerada um recurso já disponível no SUS.

Brasil acompanha desenvolvimento de tecnologias de longa duração

A discussão sobre a PrEP injetável também faz parte de um movimento de desenvolvimento de novas tecnologias para prevenção do HIV.

De acordo com o Ministério da Saúde, o país acompanha pesquisas e iniciativas de inovação nessa área. Entre elas estão projetos relacionados ao desenvolvimento de medicamentos de ação prolongada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com instituições privadas.

Tecnologias de ação prolongada são estudadas justamente para ampliar as possibilidades de prevenção e oferecer alternativas aos diferentes perfis de usuários.

A inovação, entretanto, precisa estar acompanhada de avaliação científica e de critérios que permitam verificar sua segurança, eficácia, viabilidade e condições de acesso.

Brasil apresenta avanços na prevenção do HIV

A apresentação da PrEP injetável ocorre em um contexto de avanços brasileiros no enfrentamento do HIV.

Em dezembro de 2025, o Brasil recebeu certificação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública.

A chamada transmissão vertical ocorre quando o HIV passa da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação. A prevenção envolve acompanhamento durante o pré-natal, realização de testes e tratamento adequado das gestantes que vivem com HIV.

Segundo os dados apresentados pelo governo federal, o Brasil manteve a taxa de transmissão vertical abaixo de 2%, a incidência da infecção em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos e cobertura superior a 95% em pré-natal, testagem e tratamento das gestantes que vivem com HIV.

O reconhecimento internacional considera justamente indicadores relacionados ao acesso e à qualidade das ações de saúde voltadas à prevenção da transmissão do HIV para os bebês.

Por que a prevenção continua importante

Mesmo com os avanços no diagnóstico, tratamento e prevenção, o HIV continua sendo uma questão de saúde pública.

A existência de medicamentos eficazes e de diferentes formas de prevenção permite que o enfrentamento da infecção seja feito por várias frentes.

Nesse cenário, a PrEP injetável aparece como uma possibilidade de ampliar o conjunto de ferramentas disponíveis. Caso seja incorporada ao SUS, será mais uma alternativa dentro da prevenção combinada.

Isso não significa que um método substituirá os demais. Preservativos, testagem, PrEP oral, PEP e outras estratégias continuam fazendo parte da prevenção oferecida pelo sistema público.

A escolha da estratégia adequada depende da situação de cada pessoa e pode ser orientada pelos profissionais dos serviços de saúde.

O que o leitor precisa saber sobre a PrEP injetável

Para entender de forma simples a novidade apresentada pelo Ministério da Saúde, cinco informações são fundamentais:

1. A PrEP injetável é uma estratégia de prevenção.
Ela é destinada a pessoas que não vivem com HIV e podem estar expostas a maior risco de infecção.

2. Não é uma vacina.
A tecnologia não deve ser confundida com uma vacina contra o HIV.

3. Não é tratamento para quem tem HIV.
Pessoas que vivem com HIV contam com tratamento antirretroviral e acompanhamento pelo SUS.

4. A aplicação PrEP injetável é de longa duração.
A tecnologia apresentada pelo governo é administrada a cada dois meses.

5. Ainda está em avaliação para o SUS.
A proposta será analisada pela Conitec em agosto. Portanto, a possível incorporação ainda depende do processo de avaliação.

A discussão sobre a PrEP injetável representa, assim, mais uma etapa na busca por ampliar as alternativas de prevenção do HIV no Brasil.

A tecnologia foi apresentada durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada pela primeira vez na América do Sul. O encontro coloca em debate diferentes estratégias de prevenção, tratamento, pesquisa e políticas públicas relacionadas ao HIV e à aids.

Para quem acompanha as políticas de saúde pública, o próximo passo será a análise da proposta pela Conitec. O resultado desse processo deverá indicar os caminhos para uma eventual incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde.

Enquanto isso, as estratégias de prevenção já disponíveis continuam sendo importantes para reduzir novas infecções e ampliar o acesso à informação, à testagem e ao cuidado.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Ministério da Saúde.

Leia também: Tribunal do crime leva à prisão de suspeitos em Pirenópolis

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