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26 de agosto de 2026

SUS amplia atendimento para mulheres em situação de violência

SUS amplia atendimento de saúde mental para mulheres em situação de violência e cuidadoras, com 100 mil teleatendimentos mensais pelo Acolhe Mais.
Junior Vilela
Junior Vilela

26 de agosto de 2026 às 08:44

SUS amplia saúde mental para mulheres em situação de violência

O SUS saúde mental passa a contar com uma oferta ampliada de atendimento para mulheres em situação de violência e familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. Por meio do programa Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres, são disponibilizados 100 mil teleatendimentos mensais para mulheres de todo o Brasil.

A ampliação começou na segunda-feira (24) e representa uma expansão nacional de um serviço que havia sido iniciado em março deste ano como projeto-piloto nas cidades de Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ).

Agora, o atendimento chega a todos os estados brasileiros e também passa a contemplar um novo público: mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

A proposta do SUS saúde mental é ampliar o acesso à assistência psicológica para mulheres que enfrentam situações de vulnerabilidade e para aquelas cuja rotina é marcada pelo cuidado de outras pessoas.

O atendimento é realizado de forma remota, pelo aplicativo Meu SUS Digital, o que reduz a necessidade de deslocamento até uma unidade de saúde.

SUS amplia atendimento para mulheres em situação de violência

O primeiro público atendido pelo Acolhe Mais são mulheres que vivem ou viveram situações de violência.

O serviço contempla situações de violência física, psicológica, sexual ou financeira e foi criado para oferecer escuta especializada e identificar as necessidades de cada mulher.

A ampliação ocorre em um contexto de aumento das notificações de violência contra mulheres registradas pelos serviços de saúde públicos e privados.

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde, foram registradas 167,4 mil notificações em 2015. Em 2025, o número chegou a 348,5 mil, um crescimento superior a 100% em dez anos.

No primeiro contato, a equipe avalia possíveis riscos, a rede de apoio disponível e as principais demandas apresentadas pela mulher.

Cada usuária poderá realizar até 10 sessões, com possibilidade de iniciar um novo ciclo quando necessário.

Ao final do acompanhamento, poderá haver encaminhamento para continuidade do cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede pública.

O CAPS também pode ser procurado diretamente pela usuária.

SUS também oferece atendimento para mulheres cuidadoras

A ampliação do SUS saúde mental inclui mulheres que cuidam de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

O público inclui mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que participam diretamente da rotina de cuidados.

A inclusão considera a carga de trabalho não remunerado assumida principalmente por mulheres. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres.

A rotina dessas cuidadoras pode envolver consultas, tratamentos, terapias, alimentação, higiene, deslocamentos e acompanhamento diário das pessoas que dependem de seus cuidados.

Com tantas responsabilidades, buscar atendimento para a própria saúde pode ser difícil.

É nesse ponto que o Acolhe Mais amplia a assistência oferecida pelo SUS. Como as consultas são realizadas de forma remota, a mulher pode buscar atendimento sem precisar se deslocar até uma unidade de saúde.

Como acessar o atendimento pelo SUS

Para utilizar o serviço, a mulher precisa acessar o aplicativo Meu SUS Digital utilizando sua conta gov.br.

Na plataforma, deve clicar em “Miniapps” e selecionar “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.

Depois, será direcionada para a plataforma da AgSUS, onde deverá realizar o cadastro.

Durante o cadastro, a usuária deverá indicar se está vivendo ou viveu algum tipo de violência ou se é cuidadora de uma pessoa com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara.

Após o cadastro, a equipe entrará em contato em até 24 horas para que a usuária escolha a data e o horário da consulta.

Até o atendimento, serão enviados lembretes. No dia agendado, a mulher receberá o link para acessar a consulta virtual.

O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h.

Atendimento é realizado por psicólogas

A equipe é formada por psicólogas mulheres capacitadas pelo Ministério da Saúde para realizar escuta sensível em ambiente virtual e identificar situações de risco.

No caso das mulheres em situação de violência, o primeiro contato considera possíveis riscos e a existência de uma rede de apoio.

Em situações de risco imediato, a usuária será orientada a buscar atendimento de emergência pelos canais adequados, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a Polícia Militar, pelo telefone 190.

Nos casos graves que não exigem intervenção emergencial naquele momento, os profissionais responsáveis pela articulação do cuidado poderão encaminhar a mulher para os serviços de saúde existentes em seu território.

Saúde mental de quem cuida também é contemplada pelo SUS

A inclusão das familiares cuidadoras amplia a atenção do SUS saúde mental para mulheres que também enfrentam uma rotina de responsabilidades permanentes.

Em 2023, o Ministério da Saúde atualizou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência (PNAISPD), prevendo ações e serviços também para familiares.

O Acolhe Mais segue essa perspectiva ao oferecer atendimento específico para a saúde mental das mulheres que exercem o cuidado.

A proposta considera que a assistência à pessoa com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara também envolve quem está diariamente responsável por seu acompanhamento.

Para essas mulheres, dificuldades como falta de tempo, distância e necessidade de permanecer próximas da pessoa cuidada podem dificultar o acesso aos serviços presenciais.

O atendimento remoto oferece uma alternativa dentro da própria rede pública de saúde.

Como funciona o atendimento

Para acessar o programa, é necessário:

  1. Entrar no aplicativo Meu SUS Digital;
  2. Utilizar a conta gov.br;
  3. Selecionar “Miniapps”;
  4. Clicar em “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”;
  5. Realizar o cadastro na plataforma da AgSUS;
  6. Informar a situação correspondente;
  7. Aguardar o contato da equipe em até 24 horas;
  8. Escolher o dia e o horário da consulta;
  9. Acessar o link enviado no dia do atendimento.

O atendimento é gratuito e faz parte da assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com 100 mil teleatendimentos mensais, o programa amplia a oferta de cuidado em saúde mental para mulheres que vivem situações de violência e para familiares que dedicam parte significativa da rotina ao cuidado de outras pessoas.

A expansão para todo o Brasil permite que o serviço seja acessado por mulheres de diferentes regiões, inclusive aquelas que encontram dificuldades para chegar presencialmente aos serviços especializados.

O Acolhe Mais reúne, portanto, duas frentes de atenção à saúde mental de mulheres: o acolhimento de quem está ou esteve em situação de violência e o atendimento de familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

 

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