Há um jeito de conhecer Pirenópolis que não passa por roteiro, cachoeira ou ponto turístico. É simplesmente observar onde a cidade vai quando o dia termina.
Em um domingo à noite, enquanto boa parte das ruas começa a ficar mais tranquila, o Rio das Almas em Pirenópolis ainda reúne pessoas que procuram a água para se refrescar e aproveitar o fim do dia. É o que aparece neste registro: o rio escuro refletindo as luzes, as árvores nas margens e algumas pessoas dentro d’água ou descansando sobre as pedras.
A cena tem algo muito cotidiano. Não parece uma paisagem montada para o turista. É gente aproveitando um rio que atravessa a própria cidade e que faz parte da história e da geografia de Pirenópolis.
Um rio que ajudou a formar Pirenópolis
O Rio das Almas não é apenas um elemento da paisagem. O rio está diretamente ligado à formação de Pirenópolis. Segundo o Iphan, o antigo arraial de Meia Ponte surgiu no século XVIII junto ao Rio das Almas, em uma região onde foram encontradas jazidas de ouro nos contrafortes da Serra dos Pireneus.
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Hoje, o rio continua atravessando a cidade e desempenhando um papel importante na paisagem urbana. O Iphan o descreve como um elemento estruturador da malha urbana de Pirenópolis, destacando também a relação entre o patrimônio construído e a paisagem natural.
É uma característica que fica muito evidente quando se observa a cidade com calma. O casario histórico, as árvores, as pedras e o curso d’água não aparecem como elementos isolados. Eles formam, juntos, uma paisagem que ajuda a definir Pirenópolis.
Quando o rio vira parte do domingo
Na fotografia, a noite muda completamente a aparência do Rio das Almas. A iluminação das margens se espalha pela água, enquanto o céu escuro quase se mistura com o rio.
Nas pedras, algumas pessoas aproveitam a noite para entrar na água e se refrescar. É uma cena que mostra outro lado de Pirenópolis: aquele que aparece depois dos passeios, quando o dia de turismo já acabou e a cidade volta a ser vivida pelos seus moradores e por quem decidiu prolongar o domingo.
O rio permite esse tipo de encontro com a cidade. Durante o dia, pode ser observado em meio ao movimento das ruas e das atividades às margens. À noite, ganha silêncio, reflexos e uma atmosfera completamente diferente.
E há algo bonito nessa simplicidade: terminar o domingo dentro d’água, sentado em uma pedra, conversando ou apenas aproveitando a temperatura mais agradável da noite.
Rio das Almas em Pirenópolis – Um cenário que pede cuidado
A relação cotidiana com o Rio das Almas em Pirenópolis também lembra a importância de preservar suas águas e suas margens. O rio integra uma região de grande riqueza natural e está inserido em uma paisagem na qual patrimônio histórico e natureza se encontram.
O Parque Estadual dos Pireneus protege nascentes que formam o Rio das Almas e o Rio Corumbá. A unidade de conservação foi criada em 1987 com o objetivo de preservar a flora, a fauna e os mananciais da região.
Por isso, cenas simples como do Rio das Almas em Pirenópolis esta também ajudam a lembrar que o rio não é apenas um lugar para passar. Ele é parte da identidade de Pirenópolis e de uma paisagem que precisa continuar sendo cuidada.
No fim, a fotografia registra mais do que algumas pessoas se refrescando em uma noite de domingo.
Registra um costume, um encontro e uma cidade que também sabe aproveitar o rio quando o dia termina.
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