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Gastronomia

Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?

Comida de Pirenópolis também é memória: empadão, quitandas, pamonha, pequi e sabores das festas contam histórias. Mas qual deles representa Piri para você?

LP Luciana de Pina 7 de outubro de 2026, 12:59 · 5 min de leitura
Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?

Quando alguém pergunta qual é a comida de Pirenópolis, é fácil começar uma lista: empadão, pamonha, arroz com pequi, guariroba, paçoca de pilão, quitandas, doces. Todos aparecem entre os sabores tradicionalmente associados à culinária da cidade.

Mas talvez a pergunta mais interessante seja outra: qual comida tem gosto de Pirenópolis para você?

Nesta quarta-feira, 7 de outubro, Piri completa 299 anos. A data convida a olhar para a cidade não apenas pelas igrejas, casarões, festas e paisagens, mas também pelas coisas aparentemente simples que fazem parte da vida de quem está aqui.

E poucas coisas guardam tanta memória quanto uma mesa.

Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?
Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?

Uma comida de Pirenópolis pode lembrar uma avó, um domingo, uma festa, uma viagem, uma casa que já mudou de dono ou uma receita que ninguém nunca escreveu, mas que alguém da família sabe fazer de cor.

Em Pirenópolis, essa relação entre comida e memória não é apenas uma impressão. Pesquisas sobre a gastronomia local mostram que as quitandas fazem parte das dinâmicas sociais da cidade e carregam relações com a memória, as mulheres e as transformações do cotidiano.

O sabor que passa de uma geração para outra

Existe uma Pirenópolis que aparece nos cardápios dos restaurantes. Mas existe outra que aparece nas cozinhas, nos cafés, nas festas e nas mesas de família.

É aí que entram as quitandas.

Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?
Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?

Biscoitos, bolos, pães e outras preparações fazem parte da cultura alimentar da cidade há décadas. Um estudo sobre as quitandeiras de Pirenópolis mostra como esse saber fazer acompanhou as mudanças da cidade e também se transformou em uma atividade econômica para muitas mulheres.

Um registro sobre a produção de quitandas em Pirenópolis conta, por exemplo, a história de Dona Dora, da Dora Doces e Biscoitos, que fazia suas receitas havia mais de 30 anos. Ela começou produzindo bolachas para ajudar na renda da família e acabou tornando o trabalho conhecido também entre moradores e visitantes.

Há ainda a história de Dona Sebastiana, lembrada por suas quitandas. Um registro publicado em 2021 descrevia o antigo casarão onde seu trabalho ficou conhecido e destacava como o espaço preservava elementos da tradição familiar e das coisas que ela fazia antes de morrer.

São histórias como essas que ajudam a entender uma coisa importante: comida tradicional não é apenas uma receita. É também quem fez, quem ensinou, quem comprou, quem levou para casa e quem se sentou à mesa para comer.

A comida de Pirenópolis também está nas festas

Se existe um momento em que essa relação entre comida de Pirenópolis, memória e comunidade fica ainda mais evidente, é durante as festas tradicionais.

A Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis, registrada como Patrimônio Cultural do Brasil, possui uma relação histórica com o ato de comer, oferecer e compartilhar. O próprio dossiê do Iphan dedica uma parte da documentação à relação entre a festa, a comida e a celebração.

Durante a festa, aparecem sabores como a Verônica de alfenim, os pãezinhos bentos, a galinhada com guariroba e a paçoca de pilão. O alimento não está ali apenas para matar a fome: ele participa dos encontros e dos rituais que movimentam a cidade.

A Verônica de alfenim é um dos exemplos mais interessantes de comida de Pirenópolis. Feita de açúcar moldado, a tradição oral registra sua presença nas Festas do Divino de Pirenópolis e a antiga distribuição das verônicas e dos pãezinhos-bentos pelo Imperador. Um registro de 2013 documentou ainda o trabalho da doceira Aparecida da Silva, então com 70 anos, na confecção das peças.

É uma história que mostra como uma comida pode carregar muito mais do que sabor.

Ela pode carregar uma festa inteira.

Entre o empadão, a quitanda e o café

E então chegamos a um dos candidatos mais óbvios quando o assunto é a comida de Pirenópolis: o empadão.

O prato aparece associado à identidade gastronômica da cidade e pode ser encontrado em diferentes momentos, do almoço ao lanche e até na ceia de Natal de famílias pirenopolinas, segundo registros locais.

Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?
Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?

Mas o curioso é que o empadão divide espaço com uma quantidade enorme de outros sabores de comida de Pirenópolis.

Tem quem pense primeiro no pequi.

Tem quem lembre da pamonha.

Tem quem escolha a guariroba.

Tem quem não consiga pensar em Pirenópolis sem lembrar de uma quitanda específica.

E tem quem associe a cidade ao café passado, ao biscoito de queijo, ao doce, à comida de festa ou àquele prato que alguém da família fazia e que não aparece em nenhum cardápio turístico.

A própria divulgação turística de Pirenópolis reconhece essa diversidade: além dos pratos regionais, a cidade reúne culinárias de outras regiões brasileiras e cozinhas internacionais. Nas festas populares e reuniões familiares, permanecem quitutes que carregam referências da cultura local.

É essa mistura que torna difícil escolher uma única comida para representar Piri.

Afinal, qual comida representa Pirenópolis?

Pode ser o empadão, a pamonha, o arroz com pequi, uma quitanda que você come desde criança ou a Verônica do Divino. Pode ser também aquela comida que não aparece em nenhum guia turístico, mas que existe na memória de uma família, de uma casa ou de uma época da cidade.

Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?
Comida de Pirenópolis: qual sabor representa Piri para você?

A identidade gastronômica de Pirenópolis não está apenas nos pratos que ficaram conhecidos. Ela também está nos sabores que as pessoas guardam, nas receitas que passam de uma geração para outra e na comida que, de algum jeito, faz alguém lembrar de Piri.

E, no aniversário de 299 anos da cidade, vale fazer essa pergunta justamente para quem pode respondê-la melhor: quem viveu, vive ou construiu suas memórias aqui.

Então, agora a pergunta é para você:

Qual comida tem gosto de Pirenópolis?

Aquela que você pediria para alguém que nunca veio a Piri experimentar, que lembra sua infância, que aparecia na mesa da sua família ou que você sente falta quando está longe. Pode ser também aquela que, na primeira garfada, faz você pensar: “isso tem gosto de Piri.”

Agora queremos saber de você: qual comida representa Pirenópolis para você? A próxima parte dessa história pode estar justamente na sua memória.

Conte nos comentários e compartilhe esta matéria com aquele pirenopolino que certamente vai ter uma resposta diferente da sua. Afinal, se tem uma coisa que rende conversa em Piri, é perguntar qual comida tem gosto de casa.

 

Leia também: Nem o calor tira o cafezinho do goiano: 5 lugares em Piri

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