Criatura mística com perna de garrafa assombra as matas do cerrado
A lenda do Pé-de-Garrafa
Dizem os antigos que, nas noites sem lua, quando o breu toma conta das trilhas de terra e o vento sopra estranho por entre os galhos do cerrado, é preciso andar com reza na boca e o coração leve.
É nesses momentos que ele aparece.
Pequeno, moreno como chão batido, com cabelos desgrenhados, olhar feroz e uma única perna – não uma perna comum, mas uma perna grossa, unida e oca, com forma de garrafa.
Daí seu nome: Pé-de-Garrafa.
Seu passo faz um som seco, inconfundível:
tuc… tuc… tuc…
Como se um pilão socasse o chão com raiva.
O guardião sombrio das matas
Reza a lenda que ele vive sob grandes pedras, nas locas escondidas do mato. Só sai à noite, quando o silêncio reina e os homens de bem já estão em casa. Alimenta-se de animais pequenos e raízes fortes do cerrado, mas, quando cruza com gente, o perigo é certo.
Os mais antigos contam que, ao capturar um vivente, o Pé-de-Garrafa não tem piedade. Espanca até o último suspiro. E por isso, quem viu, jura que nunca mais quer ver. E quem não viu… agradece.
Verdade ou invenção?
Ninguém sabe ao certo de onde veio essa criatura. Uns dizem que é espírito vingativo de quem morreu injustiçado. Outros acreditam que é um ser protetor da mata, que ataca só quem a desrespeita. Há ainda quem ache que é apenas uma história pra assustar menino que teima em sair sozinho de noite.
Mas, em Pirenópolis, toda lenda tem um fundo de verdade. E o Pé-de-Garrafa continua vivo no imaginário popular, passando de geração em geração, contado em rodas de viola, nas varandas de fazenda e nas cozinhas de barro.





