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Cultura

3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis

Festival Consciência Negra terá três atrações confirmadas em Pirenópolis: palestra, música e baile de forró, com participação de artistas e agentes culturais.

LP Luciana de Pina 23 de setembro de 2026, 11:26 · Atualizado em 30/09, 05:24 · 6 min de leitura
3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis
3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis

O Festival Consciência Negra chega a Pirenópolis com uma programação que reúne educação, música, dança, ancestralidade e produção cultural. O material de divulgação do 1º Festival Cultural da Consciência Negra apresenta três atrações principais já confirmadas: a participação da educadora antirracista Talita Michelle de Souza, a apresentação da cantora pirenopolina Luanna Gonzaga e o Baile do Forró Piri.

A proposta anunciada tem como eixos resistência, cultura, ancestralidade e comunidade. A programação também evidencia a presença de artistas e iniciativas culturais ligadas a Pirenópolis e a outras cidades de Goiás.

As peças de divulgação consultadas não informam a data, o horário nem o endereço de realização do festival. Para informações sobre a programação, a organização disponibiliza o telefone (62) 99428-3832.

Festival Consciência Negra reúne palestra, música e dança

As três atrações anunciadas apresentam linguagens diferentes e ajudam a definir o perfil do Festival Consciência Negra. A programação combina uma atividade de caráter educativo, uma apresentação musical e uma ação ligada ao forró e à dança.

A primeira atração destacada é Talita Michelle de Souza, apresentada no material como educadora antirracista. Ela participará do festival com uma palestra sobre letramento racial e ancestralidade.

O tema coloca a educação e a reflexão sobre as relações raciais no centro da programação. A Lei nº 10.639, de 2003, tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio e estabeleceu a inclusão do dia 20 de novembro no calendário escolar como Dia Nacional da Consciência Negra.

A discussão sobre letramento racial está relacionada justamente à construção de conhecimentos que permitam compreender a presença da questão racial na sociedade, na educação, na cultura e na história brasileira.

A participação de Talita amplia a programação do festival para além das apresentações artísticas. A proposta divulgada associa a atividade formativa à discussão sobre ancestralidade, criando um espaço dedicado à circulação de conhecimento.

3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis
3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis

Luanna Gonzaga representa a produção musical de Pirenópolis

A segunda atração confirmada é a cantora Luanna Gonzaga, apresentada na divulgação como artista pirenopolina e natural do Alto do Bonfim.

A presença de Luanna também se relaciona com o momento atual de sua trajetória na produção cultural de Pirenópolis. Em agosto de 2026, a cantora teve o projeto Sarau dos Pireneus – Primeira Edição “Luanna Gonzaga Convida” aprovado em primeiro lugar no Edital de Chamamento Público nº 007/2026 da Prefeitura de Pirenópolis, vinculado à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis
3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis

Segundo a divulgação do projeto, o Sarau dos Pireneus prevê música autoral, poesia falada e apresentações convidadas, além de uma oficina voltada à profissionalização de artistas locais. A iniciativa tem previsão de realização em novembro de 2026.

No Festival Consciência Negra, a cantora aparece como uma das atrações artísticas anunciadas. Sua participação coloca a produção musical contemporânea de Pirenópolis dentro de uma programação dedicada à cultura, identidade e ancestralidade.

A terceira atração é o Baile do Forró Piri, que terá participação do DJ Ajna. O material também anuncia uma aula de forró de rua com a professora Camila Lorena.

A atividade reúne música e dança e propõe uma participação mais direta do público. A programação divulgada apresenta o baile como parte da proposta cultural do festival, mantendo a relação entre expressão artística, convivência e comunidade.

3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis
3 atrações confirmadas no Festival Consciência Negra em Pirenópolis

Além das atrações principais, as peças apresentam os nomes de iniciativas e grupos associados à realização e à divulgação do evento, entre eles Equipe DiBahia, Guaimbê – Espaço e Movimento CriAtivo e Quilombo Santa Bárbara.

A realização é atribuída a Zé Marcos.

Consciência Negra encontra a história cultural de Pirenópolis

A realização de um festival dedicado à Consciência Negra ganha um contexto específico em Pirenópolis, município cuja formação histórica está diretamente relacionada ao período de ocupação do território goiano durante o ciclo do ouro.

Segundo a Secretaria Municipal de Turismo de Pirenópolis, a cidade foi fundada como arraial em 1727, então denominada Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte. O crescimento inicial esteve ligado à exploração do ouro, com utilização de mão de obra de pessoas negras escravizadas e indígenas.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também registra Pirenópolis como um dos conjuntos históricos importantes de Goiás. Casarões, ruas e igrejas de arquitetura colonial integram o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico tombado pelo órgão federal em 1990.

Nesse contexto, discutir cultura negra em Pirenópolis significa também considerar a formação histórica da cidade e as manifestações culturais que atravessaram gerações.

Um exemplo está na própria tradição musical local. O Iphan registra a Banda de Couro como uma manifestação que remonta ao século XVIII e que está relacionada às festas realizadas por pessoas negras escravizadas na antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. O grupo utiliza instrumentos como tambores de couro, zabumba, rufadeira e caixas pequenas.

A referência é importante porque demonstra que a presença negra na cultura de Pirenópolis não está restrita ao passado histórico. Ela também pode ser observada em práticas musicais e manifestações culturais que permanecem relacionadas à identidade da cidade.

O Festival Consciência Negra acrescenta uma programação contemporânea a esse cenário, reunindo artistas, educadores e iniciativas culturais em torno de temas como ancestralidade, identidade e expressão artística.

A relação entre patrimônio e manifestações culturais também faz parte da própria característica de Pirenópolis. O Iphan destaca que a cidade mantém tradições seculares associadas ao cotidiano de seus moradores e preserva um dos conjuntos patrimoniais relevantes do Centro-Oeste.

Ancestralidade, memória e produção cultural

A ancestralidade aparece como um dos conceitos centrais do festival. Ela está presente diretamente na palestra sobre letramento racial e ancestralidade anunciada para Talita Michelle de Souza e também na identidade visual do evento, que utiliza referências à cultura africana e afro-brasileira.

A proposta combina, portanto, diferentes formas de acesso ao tema. A educação aparece na palestra; a música, na apresentação de Luanna Gonzaga; e a dança e a convivência comunitária, no Baile do Forró Piri.

Essa diversidade de linguagens é especialmente significativa em um município cuja atividade cultural está fortemente associada a festas, música, dança, religiosidade, patrimônio e manifestações populares.

Também há uma dimensão contemporânea na presença de artistas que desenvolvem seus próprios projetos culturais. O caso de Luanna Gonzaga, com a aprovação de um projeto na PNAB de Pirenópolis, é um exemplo de como políticas públicas de cultura podem integrar a trajetória de artistas locais e ampliar as possibilidades de produção e circulação artística.

O Festival Consciência Negra também se conecta a um movimento mais amplo de valorização da presença negra na história e no patrimônio cultural de Goiás. Em 2026, o Iphan realizou, na Cidade de Goiás, atividades educativas da Rota da Presença Negra em Goiás, levando estudantes a reconhecer marcas da presença africana e negra na arquitetura e na história da antiga capital goiana.

Em Pirenópolis, essa discussão encontra um território marcado pela preservação do patrimônio e por manifestações culturais de longa duração.

O festival anunciado não apresenta apenas atrações musicais. A programação divulgada articula formação, arte, memória, ancestralidade e participação comunitária.

Para o público interessado em acompanhar a programação cultural de Pirenópolis, as três atrações confirmadas indicam diferentes possibilidades de participação: ouvir e discutir temas relacionados ao letramento racial, acompanhar uma artista local e participar de uma atividade de música e dança.

A organização ainda não divulgou, nas peças analisadas, a data, o horário e o endereço do evento. Essas informações podem ser confirmadas diretamente pelo contato disponibilizado na divulgação: (62) 99428-3832.

O Festival Consciência Negra em Pirenópolis chega, assim, com uma proposta que aproxima cultura, educação e produção artística. As três atrações já anunciadas — Talita Michelle de Souza, Luanna Gonzaga e Baile do Forró Piri — representam diferentes formas de abordar a cultura negra e a ancestralidade dentro da programação cultural da cidade.

 

Leia também: Guardiões da Arte 2026 confirma 2 atrações em Piri

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