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Cultura

Bloco Catulé em Pirenópolis: 36 anos de tradição

Fundado em 1990, o bloco Catulé em Pirenópolis adapta o romantismo da seresta com as marchinhas, preservando a identidade local.

JV Junior Vilela 13 de fevereiro de 2026, 12:03 · 5 min de leitura
Bloco Catulé em Pirenópolis: 36 anos de tradição

O Bloco Catulé em Pirenópolis representa uma das facetas mais autênticas e emocionantes do Carnaval goiano. Fundado em 1990 por um grupo de amigos e músicos locais, o bloco nasceu com o propósito de manter viva a alma lírica da cidade, transpondo o romantismo das noites de lua para a energia vibrante da folia de rua. O Catulé se diferencia por sua sonoridade singular, a seresta adaptada para o tempo de marcha, criando uma experiência que une a nostalgia dos antigos carnavais à alegria contagiante do presente.

Diferente de agremiações puramente turísticas, o Bloco Catulé em Pirenópolis é formado essencialmente pela comunidade local, por famílias que atravessam gerações nas ladeiras de pedra. Essa conexão profunda com a terra faz dele um verdadeiro guardião da memória afetiva pirenopolina. Ao ouvir as músicas antigas, o público é transportado para uma época em que o Carnaval era feito de encontros e uma elegância musical que parece resistir ao tempo no coração de Goiás.

Bloco Catulé em Pirenópolis: A sonoridade carnavalesca

A grande inovação do Bloco Catulé em Pirenópolis reside no seu repertório. Os músicos, exímios conhecedores da tradição das serestas, tão fortes na história cultural da cidade desde o século XIX, realizam um trabalho minucioso de arranjo. Músicas que originalmente embalariam janelas e sacadas em tom confessional ganham uma levada de percussão cadenciada, permitindo que o folião dance e cante clássicos do cancioneiro popular brasileiro em ritmo de marcha-rancho e marchinhas tradicionais.

Bloco Catulé em Pirenópolis: 36 anos de tradição

Essa adaptação não é apenas estética, mas um ato de preservação do patrimônio imaterial. Em um mundo globalizado, onde os ritmos de massa muitas vezes atropelam as manifestações regionais, o Catulé mantém o sotaque pirenopolino vivo. Ver o bloco passar é compreender que o Carnaval de Piri não se resume ao barulho, mas à melodia que conta a história de um povo que sabe celebrar o amor e a amizade com a mesma intensidade com que celebra a festa.

Tradição que atravessa décadas desde 1990

A trajetória do Bloco Catulé em Pirenópolis iniciou-se em um contexto de efervescência cultural na década de 90, quando a cidade buscava reafirmar suas tradições após o crescimento do turismo de massa. O nome “Catulé”, que remete a uma palmeira nativa ou a termos carinhosos da região, evoca essa simplicidade rústica e elegante do interior. Ao longo desses 36 anos, o bloco superou desafios e mudanças geracionais, mas nunca abriu mão de sua essência: ser um bloco “pé no chão”, onde o microfone é muitas vezes dispensável diante do coro potente dos foliões que conhecem cada letra.

O impacto social do bloco é visível na coesão da comunidade. Durante os ensaios e a concentração, é comum ver avós, pais e netos compartilhando o mesmo espaço, evidenciando que a identidade local é algo transmitido pelo convívio e pela música. O Catulé não desfila apenas para o espectador, ele desfila para si mesmo, para celebrar a existência de uma Pirenópolis que, apesar de moderna, escolhe honrar suas raízes.

Bloco Catulé em Pirenópolis: 36 anos de história e música

Ao celebrar mais de três décadas de existência, o Bloco Catulé em Pirenópolis consolida-se como um elemento indispensável na engrenagem turística e cultural da região. Para o turista, acompanhar o Catulé é ter acesso a uma Pirenópolis mais íntima e menos comercial. A visibilidade que o bloco traz para a cidade atrai um perfil de visitante que valoriza a cultura, o patrimônio e a história, gerando um impacto econômico positivo e sustentável para o município.

Bloco Catulé em Pirenópolis: 36 anos de tradição

A importância do bloco também se estende ao campo da educação musical. Muitos jovens talentos de Pirenópolis tiveram seu primeiro contato com a performance de rua através das fileiras do Catulé, aprendendo a importância de cada instrumento na construção da harmonia coletiva. O bloco funciona, na prática, como uma escola viva de música popular.

O papel dos mascarados e a estética do bloco

Além da música, a identidade visual do Bloco Catulé em Pirenópolis dialoga com os elementos clássicos da festa local. É comum encontrar os famosos mascarados de Piri acompanhando o cortejo, criando um contraste lúdico entre o som romântico das cordas e a irreverência das máscaras de boi e de onça. Essa fusão de linguagens reafirma que em Pirenópolis a cultura é um tecido único, onde o sagrado, o profano, e a folia se entrelaçam sem conflitos.

O figurino dos integrantes e o estandarte do bloco são símbolos de orgulho. Carregar a bandeira do Catulé pelas ruas de pedra é carregar a responsabilidade de representar uma linhagem de músicos que se recusa a deixar o silêncio tomar conta do Centro Histórico. A cada Carnaval, o bloco renova seus votos com a cidade, provando que as marchinhas tradicionais, longe de ser um ritmo do passado, é a trilha sonora vibrante de um povo que sabe, como ninguém, celebrar a vida.

Bloco Catulé em Pirenópolis: Como vivenciar essa tradição?

Para quem deseja acompanhar o Bloco Catulé em Pirenópolis, a concentração é na porta da Igreja do Bonfim. Diferente de grandes trios elétricos, o Catulé convida à proximidade. É um bloco para ser seguido a pé, sentindo a vibração dos instrumentos e participando do coro que ecoa pelas paredes de adobe e pau-a-pique.

Bloco Catulé em Pirenópolis: 36 anos de tradição

Em 2026, o bloco reafirma seu lugar como o “coração melódico” da folia. Participar desse cortejo é mais do que apenas pular Carnaval; é um ato de respeito e celebração de uma das manifestações mais puras da alma goiana. Se você busca um Carnaval com significado, onde a música fala mais alto que o ruído e a tradição é a estrela principal, o seu lugar é ao lado do Catulé.

Concluímos que a longevidade do Bloco Catulé em Pirenópolis não é obra do acaso, mas fruto de um compromisso inabalável com a qualidade musical e com a identidade pirenopolina. Que venham mais 36 anos de carnaval e amor por essa terra que teima em ser eterna através de suas canções.

Local, datas e horários:

Concentração: Porta da Igreja do Bonfim
Horário: 19:00h
Datas: Sábado, 14/02/2026 e Segunda-feira, 16/02/2026

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