A artista Juliane Pina inaugurou, na última quarta-feira (16), a exposição Metargilito: Pinturas de Chão e Passado, aberta ao público no Escritório Técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em Pirenópolis. A mostra permanece em cartaz até o dia 14 de agosto, com visitação gratuita, oferecendo ao público uma experiência que aproxima arte, patrimônio e memória por meio de uma matéria-prima pouco convencional: o metargilito.
Instalada em um dos casarões históricos do Centro Histórico de Pirenópolis, a exposição propõe um diálogo entre as obras e a própria arquitetura do edifício. Cada pintura parte da relação entre a terra, o tempo e a paisagem construída, convidando o visitante a observar o patrimônio não apenas como cenário, mas como parte da narrativa artística.
Metargilito transforma a própria terra em linguagem artística
O elemento central da exposição de Juliane Pina é o metargilito, uma rocha sedimentar originada da transformação de antigas camadas de argila submetidas, durante milhares de anos, à pressão e ao calor no interior da Terra. Utilizado como pigmento natural, o material confere às obras uma textura e uma paleta de tons terrosos que remetem diretamente ao solo e à história.
Ao optar por essa matéria-prima, Juliane Pina ultrapassa o uso convencional da tinta. Em vez de apenas representar o passado, a artista incorpora à pintura uma substância formada pelo próprio tempo geológico.
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Segundo o texto curatorial da mostra, “pintar com metargilito não é apenas retratar o passado, mas usar a própria substância física do tempo para eternizá-lo”. A proposta estabelece uma relação entre memória, matéria e permanência, transformando a rocha em elemento narrativo.

Casarão histórico amplia a experiência da exposição
A escolha do Escritório Técnico do IPHAN como espaço expositivo reforça o conceito da mostra.
O casarão colonial, localizado no Centro Histórico de Pirenópolis, preserva elementos arquitetônicos que atravessaram séculos e dialogam diretamente com a temática apresentada por Juliane Pina. As paredes, vigas, pisos e portais tornam-se parte da experiência do visitante, aproximando o patrimônio edificado das obras expostas.
A relação entre arte e arquitetura cria uma atmosfera de contemplação, em que cada pintura parece conversar com a memória do próprio edifício.
Pirenópolis possui um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais preservados do Centro-Oeste brasileiro, tombado pelo IPHAN em 1990 por seu valor histórico, urbanístico e paisagístico.

Pinturas evocam memória, paisagem e pertencimento
Ao longo da exposição, o público encontra composições marcadas por tons ocres, ferruginosos e terrosos, que dão forma a casarões, janelas, ruas e paisagens capazes de despertar lembranças e afetos.
A proposta não busca reproduzir fielmente os espaços urbanos, mas provocar uma reflexão sobre aquilo que permanece vivo mesmo com a passagem do tempo.
Cada tela convida o observador a desacelerar o olhar e perceber detalhes muitas vezes despercebidos na rotina da cidade. A memória aparece como protagonista, construída tanto pelas formas quanto pela matéria utilizada.
Nesse sentido, Metargilito: Pinturas de Chão e Passado aproxima arte contemporânea e patrimônio cultural, mostrando que o passado pode continuar presente por meio de novas linguagens.
A artista Juliane Pina
A pesquisa artística de Juliane Pina está voltada para as relações entre território, memória, paisagem e materialidade. Em suas obras, a artista utiliza elementos naturais como parte do processo criativo, valorizando matérias-primas que carregam marcas do tempo e estabelecem vínculos com a história dos lugares.
Na exposição apresentada em Pirenópolis, essa investigação ganha uma dimensão ainda mais significativa ao ocupar um espaço histórico e utilizar o metargilito como principal recurso plástico.

Exposição fortalece a programação cultural do IPHAN
O Escritório Técnico do IPHAN em Pirenópolis vem consolidando sua atuação como espaço de difusão cultural, recebendo regularmente exposições, ações educativas e mostras voltadas à valorização do patrimônio histórico e artístico.
Além de preservar o conjunto arquitetônico da cidade, o instituto também promove iniciativas que aproximam moradores e visitantes das diferentes manifestações culturais presentes em Pirenópolis.
A exposição de Juliane Pina integra essa proposta ao oferecer uma experiência que une produção artística contemporânea, patrimônio material e memória coletiva.
Exposição: Metargilito: Pinturas de Chão e Passado
Artista: Juliane Pina
Período: 16 de julho a 14 de agosto
Local: Escritório Técnico do IPHAN – Centro Histórico de Pirenópolis
Horário de visitação: das 8h às 11h e das 14h às 17h
Entrada: gratuita.
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JV


