Quinta-feira, 8 de outubro de 2026 Qui, 8 out
Entrar Cadastre grátis
Skip to content
Publicidade
8 de outubro de 2026
Compartilhe
Cultura

O Divino e as Máscaras: registro histórico da cultura de Pirenópolis

Documentário de 1969 registra a Festa do Divino, as Cavalhadas e os mascarados, preservando tradições e a memória cultural de Pirenópolis.

JV Junior Vilela 27 de novembro de 2025, 14:01 · 3 min de leitura
O Divino e as Máscaras: registro histórico da cultura de Pirenópolis

Um marco do cinema brasileiro e da cultura pirenopolina

O filme Pirenópolis – o Divino e as Máscaras, dirigido pelo cineasta Lyonel Lucini e concluído em 1969, é um dos registros mais importantes da Festa do Divino Espírito Santo e das tradições populares de Pirenópolis. Filmado em 1968 e com cerca de 20 minutos de duração, o documentário apresenta rituais, costumes e práticas que estruturam a celebração, oferecendo um retrato visual de grande valor histórico, artístico e antropológico.

O curta-metragem foi a primeira produção cinematográfica do extinto Instituto Central de Artes (ICA) da Universidade de Brasília, criada em coprodução com o também extinto Instituto Nacional de Cinema (INC). A obra se tornou um dos primeiros registros audiovisuais completos do festejo, combinando documentação, estética poética e uma leitura simbólica das tradições locais.

A visão de Lucini sobre o Império do Divino

Logo nos minutos iniciais, o documentário apresenta a Festa do Divino como expressão de um “império de liberdade, fartura e criação”. A narração destaca que esse império é sustentado por figuras tradicionais como os mascarados, os guriões, os loucos do Divino, os presos libertados e o imperador eleito diretamente pelo povo.

A instalação do Império do Divino tem um sentido simbólico central: representar o desejo coletivo de liberdade, abundância e participação comunitária. As imagens mostram moradores e visitantes acompanhando os cortejos e rituais, reforçando o caráter popular da celebração.

O papel do Imperador e seus atos simbólicos

O filme registra um dos rituais mais emblemáticos da Festa do Divino: a ida do imperador à cadeia da cidade para libertar um preso. A narração explica que esse ato representa a ideia de que todos devem ser livres e ter acesso à fartura produzida pela comunidade.

Outro momento documentado é a repartição dos pães às chamadas “virgens”, termo utilizado para designar pessoas simples, geralmente crianças ou figuras consideradas de pureza. Esse gesto simboliza a partilha dos bens — materiais, culturais ou tecnológicos — como forma de transformar a realidade social.

O documentário também registra a coroação do imperador de 1968, cargo exercido naquele ano pelo deputado federal Geraldo Abadia de Pina. A escolha direta do imperador pela comunidade é apresentada como uma tradição histórica que, segundo a narração, surgiu como uma provocação ao Papa.

Publicidade

A Cavalhada e a representação histórica

Um dos trechos de maior impacto visual do filme é o registro da Cavalhada. Os cavaleiros, divididos entre mouros e cristãos, encenam batalhas simbólicas que fazem parte da tradição pirenopolina. O documentário mostra a sequência de enfrentamentos e destaca a narrativa da vitória dos cristãos, que impõem o batismo aos mouros vencidos.

A narração aponta que esse ritual reproduz simbolicamente conflitos e imposições históricas, representando a vitória da cultura ocidental cristã sobre outras tradições. As cenas mostram detalhes dos trajes, dos cavalos e da encenação, revelando elementos que permanecem presentes na festa até os dias atuais.

Os mascarados e o cotidiano de 1968

O documentário também dedica parte de suas imagens aos mascarados, figuras que percorrem as ruas com irreverência, brincadeiras e interação direta com o público. Eles representam o lado lúdico da festa e são considerados um dos pilares simbólicos da celebração do Divino.

Além dos rituais religiosos, o filme traz informações sobre a Pirenópolis de 1968: uma cidade com 4 mil habitantes na sede e 30 mil no município, distante 170 km de Brasília e 1.700 km do Rio de Janeiro. O registro ressalta que, naquele período, Pirenópolis não possuía telefone, sistema de esgoto, sindicato ou hospitais, reforçando o valor documental da obra como testemunho da realidade local da época.

Conclusão simbólica do filme

O documentário termina afirmando que “o império do divino é a afirmação dos que procuram o imprevisto próprio da liberdade e a conquista do desconhecido pela criação”. A frase sintetiza a leitura poética do diretor e reforça o caráter simbólico da festa como tradição viva e em constante reconstrução.

Disponibilidade do filme

Play

A obra está disponível publicamente e pode ser assistida na íntegra em plataformas digitais, contribuindo para o acesso à memória coletiva e para o estudo da cultura popular de Pirenópolis.

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Gostou? Mande para quem precisa saber.
Sabe de algo que virou notícia?Mande sua pauta ou denúncia. Pode ser anônimo. Fazer denúncia Enviar pauta

Leia também em Cultura

Ver tudo de Cultura →

© 2009 Portal Piri - Todos os direitos reservados - PIRI COMUNICACAO E MARKETING LTDA CNPJ: 59.889.263/0001-46