Skip to content
21 de julho de 2026

Pirenópolis Cultural eterniza a Festa do Doce em documentário

O mini documentário Festa do Doce de Lagolândia – Uma Tradição Viva, do Pirenópolis Cultural, registra a fé, a memória e a tradição centenária da comunidade.
Luciana de Pina
Luciana de Pina

20 de julho de 2026 às 17:11

Pirenópolis Cultural eterniza a Festa do Doce em documentário

Registrar uma tradição é preservar a memória de um povo. Mais do que produzir imagens, é reconhecer que determinados costumes, histórias e personagens merecem permanecer vivos para as próximas gerações. É com esse propósito que o Pirenópolis Cultural apresenta o documentário “Festa do Doce de Lagolândia – Uma Tradição Viva”, uma produção que transforma uma das manifestações mais importantes do distrito de Lagolândia em um patrimônio audiovisual.

Com direção de Miguel Armond, fotografia de Yan Damasceno, Álvaro Gaspre, Honílio Cesar e Miguel Armond, além de edição e colorização assinadas por Honílio Cesar, o documentário do Pirenópolis Cultural revela, com sensibilidade, que a Festa do Doce é muito mais do que um evento religioso. É uma celebração construída pela comunidade, sustentada pela fé e mantida por pessoas que dedicam tempo, trabalho e afeto para que uma tradição iniciada há mais de um século continue viva.

Pirenópolis Cultural eterniza a Festa do Doce em documentário
Festa do doce em Lagolândia – Retrato: Miguel Armond

Ao colocar as pessoas no centro da narrativa, o filme reafirma uma das principais missões do Pirenópolis Cultural: registrar aquilo que, muitas vezes, não aparece nos livros, mas permanece vivo na memória de quem faz a cultura acontecer diariamente.

O olhar do Pirenópolis Cultural sobre o patrimônio imaterial

O Pirenópolis Cultural vem construindo um importante acervo audiovisual dedicado às manifestações culturais de Pirenópolis e seus distritos. A proposta vai além da divulgação de eventos. Cada produção busca documentar histórias, registrar saberes tradicionais e valorizar personagens que ajudam a construir a identidade cultural da região.

Em “Festa do Doce de Lagolândia – Uma Tradição Viva”, esse compromisso aparece de forma clara. A câmera não está voltada apenas para as celebrações religiosas ou para os doces que tornaram a festa conhecida. Ela acompanha quem acorda cedo para preparar os tachos, quem doa frutas e leite, quem organiza o salão, quem recebe os romeiros e quem, há décadas, mantém viva uma tradição transmitida de geração em geração.

Pirenópolis Cultural eterniza a Festa do Doce em documentário
Festa do doce em Lagolândia – Retrato: Miguel Armond

É um documentário que escolhe olhar para as pessoas antes de olhar para o evento. Essa sensibilidade transforma a produção em um registro de memória coletiva, capaz de preservar não apenas imagens, mas modos de viver, de celebrar e de compartilhar a cultura.

Uma tradição que atravessa 106 anos

Embora seja conhecida popularmente como Festa do Doce, a celebração acontece em honra ao Divino Pai Eterno, Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

Realizada há 106 anos, a festa nasceu da devoção de Benedita, personagem lembrada no documentário como a mulher que deu origem à celebração. Devota do Divino Pai Eterno e de São Benedito, ela criou a festa como manifestação de fé e encontrou na distribuição dos doces uma forma de acolher os romeiros que chegavam para homenagear os padroeiros.

Pirenópolis Cultural eterniza a Festa do Doce em documentário
Festa do doce em Lagolândia – Retrato: Miguel Armond

Segundo o relato apresentado no documentário do Pirenópolis Cultural, o doce nunca representou apenas alimento. Para Benedita, ele simbolizava “a doçura do céu”, uma lembrança da esperança, da salvação e da partilha entre as pessoas. Essa origem, preservada por décadas principalmente por meio da tradição oral, ganha agora um novo espaço de permanência através do audiovisual.

Histórias contadas por quem vive a tradição

Um dos grandes méritos do documentário do Pirenópolis Cultural está na escolha de seus protagonistas. Em vez de recorrer a narradores externos, a produção entrega a palavra à própria comunidade.

A festeira Cristiane, conhecida como Cris do Delícia da Cris, compartilha a história da festa e explica como a tradição atravessou gerações até chegar aos dias atuais. Seu depoimento revela que a preparação da Festa do Doce começa muito antes da programação religiosa, mobilizando dezenas de voluntários durante semanas.

Ela conta que frutas, leite, açúcar e outros ingredientes continuam chegando por meio de doações de produtores rurais, fazendeiros e moradores da região. O trabalho também é voluntário. Pessoas deixam suas atividades profissionais para dedicar dias inteiros ao preparo dos doces, mantendo viva uma corrente de solidariedade que acompanha a festa desde sua origem.

Outros depoimentos ampliam essa narrativa.

Crianças falam sobre a expectativa pela chegada da festa. Voluntários contam como aprenderam a produzir os doces observando os mais velhos. Moradores lembram que não existe receita escrita: o conhecimento é transmitido na prática, respeitando a experiência acumulada ao longo dos anos.

Pirenópolis Cultural eterniza a Festa do Doce em documentário
Festa do doce em Lagolândia – Retrato: Miguel Armond

São relatos simples, mas profundamente significativos, que ajudam o espectador a compreender que o verdadeiro patrimônio da Festa do Doce está nas pessoas.

Pirenópolis Cultural – Um trabalho construído com sensibilidade

Visualmente, o documentário também chama atenção pelo cuidado com cada enquadramento.

A fotografia de Yan Damasceno, Álvaro Gaspre, Honílio Cesar e Miguel Armond acompanha os detalhes que normalmente passam despercebidos: o brilho dos tachos de cobre, as mãos mexendo lentamente os doces, o vapor que sobe das panelas, os gestos de quem trabalha em silêncio e os olhares carregados de emoção durante as celebrações.

A edição de Honílio Cesar respeita o ritmo da própria comunidade. Não há pressa. As pausas, os silêncios e as conversas espontâneas permitem que o público conheça a festa a partir do tempo de quem a vive.

Pirenópolis Cultural eterniza a Festa do Doce em documentário
Festa do doce em Lagolândia – Retrato: Miguel Armond

Essa escolha narrativa aproxima o espectador dos personagens e reforça o caráter documental da obra, que prefere observar antes de explicar.

Um legado para as futuras gerações

Em um período em que grande parte das tradições populares depende da memória oral para continuar existindo, produções como “Festa do Doce de Lagolândia – Uma Tradição Viva” assumem um papel fundamental.

O documentário de Pirenópolis Cultural transforma lembranças em registro permanente. Preserva vozes que um dia poderão não estar mais presentes. Guarda modos de fazer, histórias, expressões e sentimentos que dificilmente seriam reproduzidos apenas por fotografias ou textos.

Mais do que documentar uma festa, o Pirenópolis Cultural documenta uma forma de viver.

Pirenópolis Cultural eterniza a Festa do Doce em documentário
Festa do doce em Lagolândia – Retrato: Miguel Armond

Ao reunir história, religiosidade, trabalho coletivo e identidade cultural em uma única narrativa, o projeto demonstra que preservar patrimônio também significa investir no audiovisual como ferramenta de memória.

Cultura registrada para permanecer viva

Ao final da produção do Pirenópolis Cultural, fica evidente que o maior protagonista não é apenas a Festa do Doce, mas a comunidade que a sustenta.

Ao escolher registrar essas pessoas, suas histórias e seus saberes, o Pirenópolis Cultural reafirma a importância de olhar para manifestações culturais que fazem parte da identidade do município, mas que muitas vezes permanecem invisíveis fora de seu território.

Com direção de Miguel Armond, fotografia de Yan Damasceno, Álvaro Gaspre, Honílio Cesar e Miguel Armond, além da edição e colorização de Honílio Cesar, o documentário entrega um registro sensível, cuidadoso e necessário.

Mais do que eternizar uma festa, a produção eterniza pessoas, memórias e um modo de viver que faz parte da história de Pirenópolis e de Lagolândia.

Porque tradições permanecem vivas quando existem pessoas dispostas a vivê-las e também a registrá-las.

 

Leia também: Juliane Pina inaugura exposição aberta ao público em Pirenópolis

Compartilhe agora:
Logo Melhor Piri

Escolha uma opção.

© 2009 Portal Piri - Todos os direitos reservados - PIRI COMUNICACAO E MARKETING LTDA CNPJ: 59.889.263/0001-46