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19 de agosto de 2026

Pirenópolis volta à rota do Circuito Dandô

Pirenópolis volta à rota do Circuito Dandô em 22 de agosto, na COEPi, onde Kátya Teixeira começou a compartilhar a ideia que deu origem ao movimento.
Luciana de Pina
Luciana de Pina

19 de agosto de 2026 às 10:51

Pirenópolis volta à rota do Circuito Dandô

Pirenópolis volta a integrar o Circuito Dandô – Movimento de Arte e Saberes Dércio Marques neste sábado (22), às 20h, em uma apresentação que tem um significado especial para a história do próprio projeto. Na COEPi, a cantora, instrumentista, compositora e pesquisadora da cultura popular Kátya Teixeira, idealizadora e coordenadora do movimento, se apresenta ao lado da violeira goiana Amanda Ricoldi. A entrada é gratuita.

A retomada do Circuito Dandô em Pirenópolis não acontece por acaso. Foi na cidade, em 2012, durante um encontro produzido pela COEPi que reunia artistas brasileiros e chilenos, que Kátya começou a compartilhar a ideia de criar uma rede capaz de conectar músicos, produtores, espaços culturais e públicos de diferentes cidades.

O que naquele momento era apenas uma ideia começava a ganhar forma. Um ano depois, em 2013, surgiria oficialmente o nome Dandô.

Agora, mais de uma década depois, Kátya retorna à cidade onde esse primeiro impulso foi compartilhado para abrir uma nova sequência de atividades do movimento em Pirenópolis.

Foi em Pirenópolis que surgiu o primeiro sopro do Dandô

A relação entre Pirenópolis e o Dandô é anterior à própria criação formal do movimento.

Em 2012, a COEPi realizou um encontro que reuniu artistas brasileiros e chilenos. Kátya Teixeira participou da programação e aproveitou aquele momento para apresentar a pessoas próximas uma ideia que vinha amadurecendo havia anos: criar uma rede de circulação artística capaz de aproximar músicos, produtores, espaços culturais e públicos de diferentes territórios.

“O primeiro sopro do Dandô aconteceu aí, nesse momento. Era a primeira ideia”, relembra Kátya.

A proposta do Circuito Dandô não surgiu de maneira repentina. Desde o início dos anos 2000, a artista já pensava em desenvolver uma iniciativa dedicada à circulação artística. O projeto inicialmente imaginado, porém, dependia de uma estrutura financeira difícil de viabilizar.

A experiência em Pirenópolis ajudou a apontar outro caminho.

Em vez de construir uma estrutura inteiramente nova, Kátya percebeu que já existia uma rede informal formada por artistas, produtores e espaços culturais que trabalhavam em diferentes regiões.

“Percebi que a gente já tinha uma rede de artistas e produtores fazendo coisas nos seus lugares, sobrevivendo, mostrando o que estava acontecendo e se comunicando. Eles só precisavam juntar forças”, conta.

Essa percepção se transformaria na base do Dandô.

Circuito Dandô – De uma ideia compartilhada em Pirenópolis a uma rede de circulação

Em 2013, o movimento recebeu o nome Dandô, sugestão do violeiro Levi Ramiro, em referência a uma composição de João Bá gravada por Dércio Marques.

O nome também consolidava a homenagem ao cantor, compositor, violeiro e pesquisador mineiro Dércio Marques, que morreu em 2012 e foi uma das principais inspirações de Kátya.

Para a artista, a referência a Dércio vai muito além de sua produção musical.

“Não só pelo músico e pelo artista maravilhoso que foi, mas pelo ser humano e por essa forma de entender a arte como transformação”, afirma Kátya.

A partir dessa inspiração, o Dandô passou a estruturar uma rede de circulação baseada na colaboração entre artistas, produtores e espaços culturais.

Segundo Kátya, em determinado período a rede chegou a reunir cerca de 80 cidades e aproximadamente 300 apresentações por ano, além de estabelecer conexões com iniciativas na América Latina e na Europa.

Pirenópolis esteve entre os territórios ligados a essa trajetória.

Circuito Dandô – O Dandô não é apenas uma série de shows

A proposta do movimento Circuito Dandô vai além da realização de apresentações musicais.

O objetivo do Circuito Dandô é criar encontros entre artistas e comunidades, permitindo a circulação não apenas de repertórios, mas também de experiências e conhecimentos.

Para Isabella Rovo, produtora do evento na COEPi, essa característica é fundamental para compreender a proposta.

“O Dandô não é apenas uma série de shows, o projeto se estrutura a partir da troca de experiências, repertórios e saberes”, explica.

Essa perspectiva também ajuda a entender a mudança de nome do projeto ao longo dos anos.

O que começou como um circuito voltado principalmente à música passou a incorporar outras linguagens e formas de encontro.

De Circuito de Música a Movimento de Arte e Saberes

A transformação ganhou força a partir de 2020.

Com a interrupção das circulações presenciais provocada pela pandemia, o Dandô passou a desenvolver novas formas de atuação. Entre elas estão a TV Dandô, oficinas, mostras, rodas de conversa e encontros virtuais.

Outras linguagens artísticas também passaram a fazer parte das atividades.

Foi nesse processo que o projeto deixou de se apresentar apenas como um circuito de música e passou a se constituir como o Dandô – Movimento de Arte e Saberes Dércio Marques.

A mudança representa uma ampliação da proposta original, mantendo como eixo a circulação e o encontro.

“A prioridade do Dandô é manter aceso o sonho e a vontade de estar ‘arreunido’”, resume Kátya, recuperando uma expressão usada por Dércio Marques.

Kátya Teixeira retorna ao lugar onde tudo começou a ganhar forma

A apresentação Circuito Dandô em Pirenópolis reúne a história do movimento e a trajetória de sua idealizadora.

Kátya Teixeira possui mais de três décadas de carreira como cantora, instrumentista, compositora e pesquisadora da cultura popular brasileira.

Sua trajetória foi construída a partir de viagens e encontros com mestres, artistas e manifestações culturais de diferentes regiões do país.

A artista possui oito álbuns lançados, além de singles e colaborações.

Seus trabalhos receberam indicações ao Prêmio da Música Brasileira e ao Prêmio Profissionais da Música. Kátya também recebeu duas vezes o Troféu Catavento e, em 2025, foi contemplada com o Prêmio Inezita Barroso.

Em Pirenópolis, sua apresentação ganha uma dimensão particular justamente porque a cidade está ligada a um momento decisivo da criação do Dandô.
Pirenópolis volta à rota do Circuito Dandô

Circuito Dandô – Amanda Ricoldi leva a viola goiana para o encontro

Kátya Teixeira divide a noite com Amanda Ricoldi, cancioneira, violeira, compositora e brincante.

Com mais de 19 anos de atuação nas artes circenses e na cultura popular brasileira, Amanda desenvolve uma pesquisa artística que transita entre a música, a palhaçaria e as manifestações tradicionais.

A viola caipira ocupa lugar central em seu trabalho, funcionando também como instrumento de conexão com o público.

A presença da artista goiana aproxima o movimento de uma produção cultural que já existe no próprio território e reforça uma das características do Dandô: colocar diferentes trajetórias artísticas em contato.

O encontro entre Kátya e Amanda acontece justamente dentro dessa lógica de circulação, intercâmbio e compartilhamento.
Pirenópolis volta à rota do Circuito Dandô

Circuito Dandô – Uma nova programação começa na COEPi

A apresentação do Circuito Dandô de 22 de agosto abre uma nova sequência de atividades do Dandô em Pirenópolis.

A programação Circuito Dandô acontece no ano em que a COEPi completa 30 anos, reforçando a relação histórica entre a instituição e iniciativas de circulação cultural na cidade.

A próxima atividade do Circuito Dandô já está confirmada para 18 de setembro, quando o Duna.Duo, formado por Kaise Ribeiro e Adriano Rocha, se apresenta em Pirenópolis.

Uma nova edição Circuito Dandô está prevista para outubro, mas a atração e a data ainda serão divulgadas.

A circulação do Dandô é realizada pela COEPi dentro do Projeto Ipê de Pé, contemplado pelo Edital de Manutenção de Espaços Culturais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), instituída pelo Ministério da Cultura e viabilizada pela Secretaria de Cultura do Estado de Goiás.

Circuito Dandô – O retorno de um movimento à cidade onde nasceu uma ideia

A volta do Dandô a Pirenópolis carrega uma particularidade que ultrapassa a programação cultural deste sábado.

Foi nesta cidade que, em 2012, Kátya Teixeira começou a compartilhar a ideia que posteriormente se transformaria em uma rede de circulação artística presente em diferentes territórios.

Agora, ela retorna à COEPi para abrir uma nova etapa dessa trajetória.

A história dá uma espécie de volta: a ideia que começou a ser compartilhada em Pirenópolis retorna à cidade já transformada em um movimento que atravessou estados, países, artistas e diferentes linguagens.

Para o público, a noite de sábado será uma oportunidade de conhecer de perto duas artistas e acompanhar uma programação gratuita.

Para Pirenópolis, representa também a retomada de um lugar dentro de uma rede que possui uma ligação particular com a cidade.

O Dandô volta à rota.

E, desta vez, retorna ao lugar onde o primeiro sopro dessa ideia começou a acontecer.

Dandô – Movimento de Arte e Saberes Dércio Marques | Circuito Cerrado

Quando: 22 de agosto de 2026
Horário: 20h
Onde: COEPi – Rua do Carmo, 0, Bairro do Carmo, Pirenópolis (GO)
Atrações: Kátya Teixeira e Amanda Ricoldi
Entrada: gratuita
Realização: COEPi / Projeto Ipê de Pé
Apoio: PNAB-GO/MinC

Circuito Dandô – Outras atividades da circulação

19 de agosto – Brasília (DF)
Roda de prosa com Kátya Teixeira
Local: Oca do Sol

21 de agosto – Olhos d’Água (GO)
Kátya Teixeira e Kaise Ribeiro, com João Fleury
Horário: 20h
Local: NACO – Núcleo de Artes do Centro-Oeste
Praça Central de Olhos d’Água
Contribuição solidária

18 de setembro – Pirenópolis (GO)
Duna.Duo, formado por Kaise Ribeiro e Adriano Rocha

Outubro – Pirenópolis (GO)
Nova edição do Dandô, com atração e data a serem divulgadas.

Mais informações sobre a programação: @coepi.piri

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