O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta quarta-feira (21), uma Medida Provisória que atualiza a forma de cálculo do piso salarial profissional nacional dos professores da educação básica da rede pública. A iniciativa redefine os critérios de reajuste anual do piso do magistério, com o objetivo de garantir, no mínimo, a reposição da inflação e a possibilidade de ganho real nos salários ao longo dos anos.
A medida altera a metodologia prevista na Lei nº 11.738/2008, conhecida como Lei do Piso, adequando-a às mudanças introduzidas pela Emenda Constitucional nº 108, que instituiu o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), em vigor desde 2021.
Como funciona a nova fórmula
De acordo com o texto da Medida Provisória, o reajuste anual do piso salarial será calculado a partir da soma de dois indicadores. O primeiro é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado no ano anterior, que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos. O segundo corresponde a 50% da média da variação percentual da receita real, corrigida pelo INPC, relativa à contribuição de estados, Distrito Federal e municípios ao Fundeb, considerando os cinco anos anteriores ao ano da atualização.
A MP estabelece ainda uma regra de proteção: o percentual de reajuste nunca poderá ser inferior à inflação medida pelo INPC do ano anterior. Com isso, o piso salarial passa a ter uma garantia legal de manutenção do poder de compra, além da possibilidade de aumento real sempre que houver crescimento das receitas vinculadas ao fundo.
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Reajuste definido para 2026
Com base nos novos critérios, o Ministério da Educação (MEC) definiu que, em 2026, o piso salarial nacional do magistério será reajustado em 5,4%. O valor passa de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, considerando uma jornada de 40 horas semanais.
Segundo o MEC, o percentual representa um ganho real de 1,5% acima da inflação oficial medida pelo INPC em 2025, que foi de 3,9%. A pasta destaca que a atualização reflete o novo modelo de financiamento da educação básica e busca maior previsibilidade nos reajustes.
Objetivo é valorizar os profissionais da educação
O Ministério da Educação informa que a medida está alinhada à Meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a valorização dos profissionais do magistério das redes públicas, com equiparação progressiva do rendimento médio dos professores ao de outros profissionais com escolaridade equivalente.
A expectativa do governo federal é que a nova regra contribua para fortalecer a carreira docente, reduzir desigualdades regionais e estimular a permanência de profissionais qualificados nas redes públicas de ensino.
Responsabilidade de estados e municípios
Embora o piso salarial seja definido em âmbito nacional, o pagamento dos vencimentos dos professores é responsabilidade dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Os recursos utilizados para esse fim provêm do Fundeb e, em alguns casos, de complementações financeiras da União.
Cada ente federativo deverá oficializar o novo valor por meio de legislação ou ato normativo próprio, respeitando o piso nacional como valor mínimo. Redes de ensino que já pagam acima do piso podem aplicar reajustes conforme seus planos de carreira e disponibilidade orçamentária.
Publicação oficial
O percentual de reajuste será formalizado por meio de portaria assinada pelo ministro da Educação, Camilo Santana. A Medida Provisória já está em vigor, mas ainda precisará ser analisada pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para que seja convertida em lei.
A atualização do piso nacional do magistério é considerada um dos principais instrumentos de política pública voltados à valorização dos profissionais da educação básica no país.






