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4 de fevereiro de 2026

Universidades criam instituto para pesquisa e proteção do Cerrado

Universidades criam instituto voltado à pesquisa científica e à proteção do Cerrado, reunindo esforços para enfrentar a degradação do bioma
Redação
Redação

20 de dezembro de 2025 às 11:12

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Universidades criam instituto para pesquisa e proteção do Cerrado

Um grupo formado por 19 universidades e instituições de ensino superior e pesquisa oficializou a criação do Instituto Nacional do Cerrado (INC), uma iniciativa inédita voltada à pesquisa científica, à proteção do Cerrado e ao desenvolvimento de soluções sustentáveis para o bioma considerado o mais ameaçado do Brasil. A formalização do instituto ocorreu em reunião realizada na Universidade de Brasília (UnB) e marca um novo momento de articulação entre universidades brasileiras em defesa do Cerrado.

O novo instituto nasce com o objetivo de integrar pesquisas científicas e tecnológicas, promover a inovação e apoiar estratégias de desenvolvimento sustentável, com foco em áreas como bioeconomia, restauração ecológica, uso sustentável dos recursos naturais e soluções baseadas na natureza. A iniciativa reúne universidades de diferentes regiões do país, entre elas a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), além de outras instituições públicas de ensino e pesquisa.

Segundo as universidades envolvidas, a criação do Instituto Nacional do Cerrado responde a uma situação crítica enfrentada pelo bioma, que já perdeu mais de 50% de sua vegetação original ao longo das últimas décadas. O Cerrado é considerado um dos principais hotspots de biodiversidade do planeta, abriga nascentes de importantes bacias hidrográficas brasileiras e desempenha papel fundamental para a segurança hídrica, climática e alimentar do país.

A reitora da Universidade de Brasília, Rozana Reigota Naves, destacou que o instituto é resultado de um processo de diálogo iniciado em 2023, envolvendo universidades, pesquisadores e especialistas que identificaram a necessidade de uma atuação mais integrada e estratégica. De acordo com a reitora, o Instituto Nacional do Cerrado surge como uma ferramenta essencial para conter o avanço acelerado da degradação ambiental e fortalecer a produção de conhecimento científico voltado às realidades do bioma.

A diretora-executiva do INC, professora Mercedes Bustamante, também da UnB, ressaltou que o Cerrado concentra alguns dos principais conflitos do modelo brasileiro de desenvolvimento, o que torna o bioma central no debate sobre transição ecológica e sustentabilidade. Para ela, a criação do instituto amplia a capacidade das universidades de atuar de forma conjunta, conectando ciência, políticas públicas e demandas da sociedade.

O Instituto Nacional do Cerrado terá sede provisória na Universidade de Brasília e contará inicialmente com uma diretoria provisória, responsável por estruturar a governança, definir linhas prioritárias de atuação e buscar recursos para viabilizar as atividades do instituto. Entre os próximos passos está a intenção de buscar qualificação como Organização Social (OS), com possível vinculação ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Atualmente, o Cerrado — assim como o bioma Pampa — é um dos poucos biomas brasileiros que ainda não conta com um instituto nacional de pesquisa vinculado ao MCTI, o que torna a criação do INC ainda mais relevante do ponto de vista institucional e científico. A expectativa é que o novo instituto ajude a preencher essa lacuna, fortalecendo a pesquisa aplicada e a formulação de políticas públicas baseadas em evidências científicas.

Além da produção acadêmica, o Instituto Nacional do Cerrado pretende atuar como um espaço de articulação entre universidades, comunidades tradicionais, gestores públicos, setor produtivo e sociedade civil, promovendo soluções que conciliem conservação ambiental e desenvolvimento econômico. A proposta é que os resultados das pesquisas contribuam para práticas sustentáveis, geração de renda e proteção dos ecossistemas.

Para as universidades participantes, a iniciativa reforça o papel estratégico da ciência e da educação superior na defesa do meio ambiente e na construção de respostas aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela perda da biodiversidade. A criação do instituto também fortalece a cooperação entre instituições públicas de ensino, ampliando o alcance e o impacto das pesquisas desenvolvidas no Brasil.

Com a criação do Instituto Nacional do Cerrado, as universidades brasileiras dão um passo importante na construção de uma agenda científica integrada para o bioma, apostando no conhecimento como ferramenta fundamental para garantir a proteção do Cerrado, a valorização de seus territórios e a sustentabilidade das futuras gerações.

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