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20 de agosto de 2026

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus

A Festa do Morro 2026 completou 100 anos nos Pireneus, com Duília de Oliveira à frente da celebração, tradição familiar, fé, homenagens e memória.
Luciana de Pina
Luciana de Pina

20 de agosto de 2026 às 10:37

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus

A Festa do Morro 2026 chegou à sua centésima edição em 2026, reunindo fé, memória, tradição e famílias no alto da Serra dos Pireneus, em uma celebração marcada tanto pelo significado histórico quanto pelas emoções vividas durante os dias de festa. À frente deste ciclo centenário esteve Duília de Oliveira, acompanhada pelo esposo, Dr. Edmar, pelos familiares e por uma comunidade que mantém viva a devoção à Santíssima Trindade dos Pireneus.

A edição comemorativa aconteceu entre os dias 30 de julho e 2 de agosto e encerrou um ciclo de preparação iniciado ainda em novembro de 2025, com terços realizados mensalmente na Capela Nossa Senhora da Abadia. A centésima Romaria em Louvor à Santíssima Trindade dos Pireneus é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Goiás e conta com o apoio da Associação dos Romeiros dos Pireneus (ARPI) e da Paróquia Santa Bárbara.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

Mas, para além do número que marca um século, a Festa do Morro 2026 ficou registrada por aquilo que aconteceu entre as pessoas. Foi uma celebração preparada por uma família que possui uma ligação histórica com a tradição e que, diante de uma perda inesperada, precisou transformar a própria festa em espaço de homenagem, acolhimento e memória.

Festa do Morro 2026 chega aos 100 anos pelas mãos de uma família

A responsabilidade pela edição centenária ficou com Duília de Oliveira, neta de Cristovam de Oliveira, apontado como fundador da festa. A relação familiar faz com que sua presença à frente da celebração tenha um significado que ultrapassa a organização de uma programação anual.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

Desde os meses que antecederam a festa, Duília, Dr. Edmar,familiares e romeiros, participaram da preparação dos encontros que levaram à grande celebração nos Pireneus. Um dos momentos anteriores à festa aconteceu em março, quando Duília recebeu em sua própria casa o quinto terço da programação, realizando um antigo desejo de ver a celebração acontecer em seu lar.

A atuação da família também esteve presente no encerramento do ciclo. Durante os dias no Morro, a casa, a mesa, os preparativos e a própria convivência se transformaram em parte da experiência dos romeiros.

A presença de Duília também chamou atenção pela forma como ela conduziu a ocasião. Sempre elegante, cuidadosa e presente, a festeira esteve ao lado da família durante uma celebração que exigiu não apenas organização, mas também disposição emocional para atravessar momentos inesperados.

Uma tradição que atravessa gerações

A Romaria dos Pireneus nasceu ligada à devoção à Santíssima Trindade e se consolidou ao longo de um século como uma manifestação de fé e cultura popular.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

A tradição reúne elementos que se repetem de geração em geração: a subida à Serra dos Pireneus, as orações, as missas, os encontros entre famílias, a comida compartilhada e a convivência entre os romeiros.

A programação oficial de 2026 incluiu procissão, tríduo, missa no Pico dos Pireneus, levantamento do mastro, café comunitário, apresentações culturais e o almoço de encerramento.

Por isso, a centésima edição não representou apenas uma data comemorativa. Ela colocou em evidência uma prática que continua sendo mantida por pessoas que retornam todos os anos ao mesmo lugar e que reconhecem nos Pireneus uma parte de sua própria história.

Festa do Morro foi atravessada pela perda de José Adriano

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

A celebração centenária também foi marcada por um acontecimento que alterou o ritmo planejado para aqueles dias: a morte de José Adriano, figura que havia participado ativamente das tradições religiosas de Pirenópolis.

A perda atingiu Duília, sua família e os demais presentes. Diante do luto, parte da programação precisou ser retirada. Entre os momentos cancelados esteve o baile do comendador que Duília havia preparado para a ocasião. A decisão aconteceu em meio a uma situação em que a própria celebração precisou encontrar outro sentido.

Ainda assim, a família decidiu continuar a Festa do Morro 2026. Não como se nada tivesse acontecido, mas incorporando a ausência de José Adriano à própria celebração.

A continuidade da festa passou, então, a representar também uma homenagem. O nome e a memória de Zé Adriano permaneceram presentes entre os participantes, em uma edição que ganhou uma dimensão ainda mais humana.

José Adriano havia sido o Imperador do Divino de Pirenópolis em 2026. Em junho, durante a passagem da coroa, ele entregou as insígnias do Divino Espírito Santo ao novo imperador, Thales José Jayme, encerrando oficialmente seu ciclo à frente daquela tradição.

Sua participação nas manifestações religiosas da cidade fazia parte de um calendário de celebrações que conecta diferentes famílias e gerações.

A homenagem transformou a ausência em memória

Em vez de interromper a celebração, os participantes encontraram uma maneira de seguir juntos. A homenagem a José Adriano deu outro significado à permanência da festa. Primo de Duília e de sua família, Zé Adriano também era um grande amigo de Duília, tornando sua partida ainda mais dolorosa para a festeira e para todos que conviviam com ele.

Em uma tradição construída justamente sobre memória e continuidade, a presença de alguém que partiu passou a integrar a história daquela edição. A decisão de seguir com a festa não significou deixar a dor de lado, mas encontrar, entre a família, romeiros, amigos e fiéis, uma forma de continuar celebrando e, ao mesmo tempo, homenagear quem já não estava mais ali.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

O momento também evidenciou uma característica própria das manifestações tradicionais: elas não existem apenas pela programação oficial, mas pelas relações construídas ao longo dos anos. São os vínculos entre famílias, amigos e gerações que dão sentido à permanência dessas celebrações.

Na centésima edição, a Festa do Morro 2026 precisou lidar com a alegria de uma celebração histórica e com a tristeza de uma despedida. Para Duília, a ausência de José Adriano tinha um significado ainda mais profundo: além de primo, ele era seu amigo e alguém que fazia parte de sua história. Assim, a saudade e a homenagem passaram a fazer parte da memória de uma festa que, mesmo diante da perda, escolheu continuar.

Festa do Morro homenageou as mulheres com xales vermelhos bordô

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

Entre os momentos que marcaram a celebração esteve uma homenagem dedicada às mulheres presentes. Cada uma recebeu um xale vermelho, gesto que reuniu as participantes em torno de um símbolo comum durante a festa.

A homenagem aconteceu em meio à programação e trouxe para o centro da celebração a presença feminina, que também ocupa um papel importante na continuidade das tradições familiares e religiosas.

No caso da edição centenária, a própria festeira representava essa continuidade. Duília assumiu a responsabilidade de conduzir uma festa cuja história está diretamente ligada à sua família.

O gesto dos xales também ficou registrado como uma das imagens simbólicas da edição: mulheres reunidas, participando de uma tradição que chega ao centésimo ciclo e que continua sendo transmitida dentro das famílias.

A mesa também contou a história da Festa do Morro

Em uma celebração como a dos Pireneus, a comida ocupa um espaço que vai além da alimentação. Ela faz parte da hospitalidade, da convivência e da maneira como os festeiros recebem quem chega para participar da tradição.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

Na edição centenária, a mesa preparada pela família contou com a participação do chef Sebastião, responsável pelo buffet servida aos presentes. Entre os doces, chamaram atenção os canudinhos, doces de figo e outras frutas, além do tradicional doce de leite.

A variedade de preparações acompanhou os momentos de convivência entre os participantes e ajudou a compor uma festa marcada pela partilha.

Esse aspecto também dialoga com uma característica histórica das celebrações religiosas de Pirenópolis: a comida preparada e compartilhada pela comunidade.

Nas celebrações que antecederam a Festa do Morro, a própria organização dos terços manteve a tradição dos lanches comunitários, com participação dos fiéis.

Doce, comida e hospitalidade fazem parte da memória

A mesa da festa não é apenas cenário. Ela reúne pessoas, prolonga conversas e cria momentos que muitas vezes permanecem na memória tanto quanto os ritos religiosos.

No alto dos Pireneus, essa dimensão ganhou ainda mais força. A distância do centro urbano, a permanência das famílias e o tempo compartilhado fazem com que as refeições sejam parte importante da experiência dos romeiros.

Na edição centenária, os sabores preparados para receber os participantes passaram a integrar também a memória de uma celebração que foi construída em torno de encontros.

O último dia terminou com missa, feijoada e partilha

O encerramento da Festa do Morro 2026 aconteceu no domingo, 2 de agosto, com a celebração religiosa na Capela Nossa Senhora D’Abadia. A missa marcou o fechamento oficial da programação da centésima edição. Depois da celebração, os participantes se reuniram para o almoço de confraternização.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

A escolha da feijoada para o encerramento manteve o caráter comunitário da ocasião. Preparada para ser compartilhada, a refeição reuniu novamente famílias e romeiros em torno da mesa.

Depois de quatro dias de programação, aquele almoço funcionou como uma despedida da edição centenária. Foi também um momento de agradecimento.

Duília ofereceu aos presentes lembranças preparadas especialmente para a ocasião: pratos, canecas e verônicas com formas personalizadas em homenagem a festa centenária. José Adriano também havia contribuído com verônicas para serem entregues durante a festa.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus - Foto: Yan Damaceno
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

As lembranças levaram a celebração para além dos dias passados nos Pireneus. Cada objeto passou a representar uma parte daquela edição e da história compartilhada entre quem esteve presente.

A missa encerrou um ciclo de 100 anos

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

A programação oficial da centésima Romaria foi pensada para reunir diferentes dimensões da tradição: oração, procissão, música, convivência e alimentação. A missa do domingo fechou esse percurso.

A centésima edição chegou ao fim sem apagar as marcas dos dias anteriores. Ao contrário, reuniu na memória da festa aquilo que havia sido planejado e aquilo que aconteceu de forma inesperada.

Festa do Morro e a importância da Romaria dos Pireneus

A Festa do Morro 2026 faz parte de um conjunto de manifestações que ajudam a explicar a identidade cultural de Pirenópolis.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

A Romaria em Louvor à Santíssima Trindade dos Pireneus é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Goiás. A ARPI e a Paróquia Santa Bárbara participam da preservação da tradição, que continua mobilizando famílias e devotos.

A celebração também se relaciona ao turismo religioso e cultural. Os Pireneus fazem parte do patrimônio natural da região e funcionam como cenário para uma manifestação que reúne natureza, religiosidade e cultura popular.

Para os romeiros, entretanto, a relação com o lugar vai além da visitação.

A subida à serra, a permanência no acampamento, as orações e os encontros fazem parte de uma experiência construída ao longo do tempo. Muitas famílias retornam todos os anos, mantendo vínculos que atravessam diferentes gerações.

Neste ano, essa relação também ganhou um significado especial para Duilia. Em cada lugar, em cada canto e em cada momento, ela quis mostrar a presença de seu avô, Cristovam de Oliveira, mantendo sua memória presente ao longo da romaria e compartilhando com os demais aquilo que ele representa para sua história e para sua relação com os Pireneus.

A própria programação dos meses anteriores à festa mostrou esse caráter de continuidade. Foram oito encontros de oração entre novembro de 2025 e junho de 2026, preparando a comunidade para a celebração do centenário.

Um centenário marcado pela memória

A centésima Festa do Morro 2026 não terminou apenas com uma missa e uma feijoada. Terminou com a sensação de que mais um capítulo havia sido acrescentado a uma história iniciada há um século.

Duília de Oliveira esteve no centro desse capítulo ao lado de Dr. Edmar, da família e romeiros. Para ela, conduzir a festa significou assumir uma tradição que faz parte de sua própria história familiar.

A celebração, porém, não pertence somente à família da festeira. Ela é construída por todos que sobem os Pireneus, participam das orações, ajudam na preparação, compartilham a mesa e retornam no ano seguinte. Em 2026, essa história ganhou uma marca especial.

Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus
Festa do Morro 2026: a celebração centenária nos Pireneus – Foto: Yan Damaceno

Foi uma festa de 100 anos, mas também uma festa vivida diante daquilo que a vida impõe: celebração e despedida, alegria e silêncio, encontro e ausência.

A memória de José Adriano passou a fazer parte dessa história. Os lenços vermelhos entregues às mulheres, os doces, a (buffet) comida preparada pelo chef Sebastião, a feijoada de encerramento, as lembranças oferecidas por Duília e pela família e a presença de tantas pessoas permanecerão associados à edição centenária.

Ao final, a tradição seguiu seu caminho. Porque uma festa que chega aos 100 anos não é feita apenas de datas. É feita de pessoas que recebem uma história, cuidam dela durante seu tempo e a entregam novamente às próximas gerações.

E foi assim que a Festa do Morro encerrou sua centésima edição nos Pireneus: com a fé preservada, a memória ampliada e uma história familiar novamente entrelaçada à história de Pirenópolis.

Leia também: Festa do Morro de Pirenópolis 2026 celebra o centenário da Romaria dos Pireneus

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