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3 de fevereiro de 2026

Blocos de carnaval que nasceram das ruas de Pirenópolis

Grupos de amigos criaram blocos de carnaval que nasceram das ruas e transformaram Pirenópolis em um dos destinos mais autênticos do carnaval.
Miguel Armond
Miguel Armond

31 de janeiro de 2026 às 12:45

Blocos de carnaval que nasceram das ruas de Pirenópolis - Blocos de carnaval que nasceram das ruas de Pirenopolis

Blocos de carnaval que nasceram das ruas de Pirenópolis resumem uma história construída antes mesmo de a cidade virar destino disputado no feriado. O Carnaval de Pirenópolis era, sobretudo, uma sequência de encontros espontâneos, músicos que se reuniam para tocar, vizinhos que decidiam sair juntos pelas ruas, donos de bares que improvisavam pequenos cortejos. Aos poucos, essas iniciativas foram ganhando nome, identidade e seguidores, e assim surgiram os blocos que hoje fazem da cidade uma referência em carnaval de rua no interior do Brasil.

Todo ano, a transformação começa cedo. Muito antes do sábado oficial, instrumentos aparecem nas esquinas, fantasias começam a circular e a conversa muda de tom. O Grito de Carnaval, que reúne vários desses grupos em um grande cortejo inicial, funciona como a largada simbólica da temporada. É quando os blocos mostram o que prepararam e a cidade entende que a folia chegou.

Os pioneiros e a retomada das marchinhasBlocos de carnaval que nasceram das ruas de Pirenópolis - Blocos de carnaval que nasceram das ruas de Pirenopolis

Entre os primeiros a consolidar esse modelo de festa aberta está o Bloco Catulé. Criado por moradores ligados à música e à cultura local, ele nasceu com a intenção clara de resgatar as marchinhas e a ocupação das ruas como espaço democrático de celebração. Em uma época em que muitos carnavais se concentravam em clubes ou eventos fechados, o Catulé apostou no caminho contrário, sair andando pelo centro histórico, tocando para quem quisesse chegar.

Esse espírito abriu espaço para que outros grupos surgissem com propostas próprias. O Zé Pereira, inspirado numa tradição carnavalesca antiga do Brasil, apareceu como um bloco de percussão e festa itinerante, reunindo amigos que queriam simplesmente fazer barulho, convocar foliões e manter viva a ideia de que carnaval se faz andando pela cidade.

Já o Santa Dica se desenvolveu a partir da convivência entre músicos locais e frequentadores assíduos da região central. O repertório de marchinhas e samba ajudou a criar uma identidade que conversa tanto com moradores antigos quanto com visitantes de primeira viagem.

Novas gerações, novos temas

Com o crescimento do turismo e da cena cultural da cidade, surgiram blocos que ampliaram o significado da festa. O Zazaricando nasceu dentro de um café cultural e foi idealizado por artistas interessados em misturar carnaval, educação e valorização do Cerrado. Desde o início, o grupo propôs temas anuais, figurinos simbólicos e ações que iam além do desfile, oficinas de percussão, reflexões ambientais e integração com crianças e famílias.

Outros coletivos, como Pequi Sonoro e Tilapatur, surgiram do mesmo impulso, amigos reunidos por afinidade musical que decidiram transformar ensaios em cortejos.

Aláfia e Ipadê foram os grupos que plantaram a semente do Maracatu e dos ritmos afro-brasileiros nas ruas de Pirenópolis. Eles consolidaram a cultura das alfaias e do baque virado na região, criando um espaço de afirmação identitária. Embora esses grupos operem de forma cíclica, muitas vezes fundindo-se em novas formações, o legado deles permanece vivo. Hoje, essa herança é levada adiante por coletivos como o Baque de Rocha, que mantém as ladeiras vibrando com a força do Maracatu, garantindo que a festa do barulho e do axé continue sendo um pilar do pré-Carnaval e do Carnaval pirenopolino.

Esses grupos ajudaram a consolidar Pirenópolis como um carnaval em movimento, em que não há palco fixo e o público caminha junto, participando da criação da festa.

Da iniciativa entre amigos ao símbolo da cidade

Com o passar dos anos, o que começou como brincadeira organizada por pequenos grupos virou patrimônio afetivo da cidade. A prefeitura passou a incluir os blocos na programação oficial, o Grito de Carnaval se fortaleceu como ritual de abertura e turistas passaram a planejar viagens especificamente para viver essa experiência.

Mas, apesar da estrutura maior, a lógica continua a mesma, o carnaval nasce do encontro. Dos músicos que decidem sair tocando, dos moradores que acompanham da porta de casa, dos visitantes que entram no cortejo sem saber exatamente onde ele vai terminar.

É isso que mantém o charme do Carnaval de Pirenópolis. Um carnaval que cresce, mas não perde o sotaque local. Que se profissionaliza, mas ainda parece improvisado. E que lembra, ano após ano, que os melhores blocos não surgem de grandes produções, surgem quando amigos resolvem ocupar a rua e convidar a cidade inteira para ir junto.

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