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21 de julho de 2026

Maria, agredida em Pirenópolis, cecebeu apoio e voltou às ruas

Maria, mulher agredida em Pirenópolis, recebeu apoio de voluntários após alta hospitalar, mas voltou às ruas após crise de abstinência. Entenda o caso.
Junior Vilela
Junior Vilela

20 de julho de 2026 às 15:46

Maria, Agredida em Pirenópolis, Recebeu Apoio e Voltou às Ruas

Maria voltou a ser notícia na cidade histórica de Goiás. Após deixar o hospital, ela recebeu apoio de um grupo de voluntários e chegou a abandonar temporariamente a rua. Semanas depois, no entanto, uma crise de abstinência a levou de volta à situação de rua, reacendendo o debate sobre os limites da rede de apoio social diante de quadros de dependência química.

Maria dos Santos Garcia, de 48 anos, ficou nacionalmente conhecida em junho de 2026, quando imagens de sua agressão por um empresário local circularam nas redes sociais e provocaram forte comoção em Pirenópolis. Seu retorno às ruas mostra que a recuperação de vítimas em situação de vulnerabilidade social vai muito além do acolhimento imediato.

Quem é Maria e o que aconteceu no ataque em Pirenópolis

Maria era uma figura conhecida entre moradores e comerciantes da região da Beira Rio e da Rua do Lazer, um dos pontos turísticos mais movimentados de Pirenópolis. Em 16 de junho, ela dormia em um banco público quando foi surpreendida pelo empresário Orion Dix Paranhos, dono de restaurantes na região.

Segundo o relato de Maria à Polícia Civil, Orion a acusou de ter causado danos à tampa da fossa de seu estabelecimento e desferiu de dois a três chutes nas costas dela. Ele ainda a ameaçou, dizendo que quebraria suas costelas caso ela voltasse ao local, e jogou óleo diesel sobre o cobertor que ela usava para dormir, inutilizando o item. Roupas e outros pertences também foram recolhidos e descartados.

A ocorrência só foi formalizada em 19 de junho, quando moradores ajudaram Maria a procurar a delegacia. Dias depois, as dores provocadas pela agressão a levaram a buscar atendimento médico. Ela foi internada em estado grave no Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana), onde passou por cirurgia de emergência para conter uma hemorragia interna. Durante o procedimento, foi necessária a retirada do baço.
Maria, Agredida em Pirenópolis, Recebeu Apoio e Voltou às Ruas

Prisão do empresário Orion Dix Paranhos

A repercussão do caso levou centenas de pessoas a se manifestarem em frente à Delegacia de Pirenópolis, em 24 de junho, cobrando justiça para Maria. No mesmo dia, Orion Dix Paranhos foi preso preventivamente, em ação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Civil. Ele já respondia anteriormente pela Lei Maria da Penha, além de acusações de dano ao patrimônio, ameaça e perturbação do sossego público, e havia sido desligado da Associação dos Comerciantes e Moradores da Rua do Lazer por condutas incompatíveis com a entidade.

Dois dias depois, em audiência de custódia, a juíza Mariana Amaral de Almeida Araújo negou o pedido de liberdade provisória feito pela defesa e manteve a prisão preventiva do empresário. Em julho, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou Orion Dix Paranhos pelos crimes de lesão corporal gravíssima, violência psicológica e dano — que, somados, podem resultar em pena de até 10 anos de prisão. O inquérito segue agora para manifestação do Ministério Público de Goiás.

Maria – Apoio recebido após a alta e volta às ruas

Após receber alta hospitalar, Maria retornou a Pirenópolis e, com o apoio de um grupo de voluntários da sociedade civil, chegou a deixar as ruas. O grupo alugou uma casa e arrecadou doações para oferecer abrigo, alimentação e assistência à vítima. Em um momento dessa nova fase, Maria chegou a gravar um vídeo agradecendo o suporte recebido após a violência sofrida.

A recuperação, no entanto, foi interrompida poucos dias depois. Uma crise de abstinência levou Maria de volta à rua, evidenciando os desafios enfrentados por pessoas em situação de dependência química mesmo quando contam com apoio estruturado.

O papel da rede de apoio voluntária

Milena Migoto, uma das voluntárias que se dispôs a ajudar Maria, informou que o grupo segue à disposição para oferecer todo o suporte necessário diante da dependência química, respeitando as vontades e a dignidade da vítima. A publicação reforça que a chamada corrente do bem formada em torno do caso continua ativa, ainda que o retorno às ruas represente um retrocesso na trajetória de reinserição social de Maria.

Casos como o de Maria expõem uma realidade recorrente entre pessoas em situação de rua: a dependência química frequentemente funciona como barreira adicional à saída definitiva das ruas, exigindo acompanhamento especializado e de longo prazo, e não apenas acolhimento pontual. Para especialistas em assistência social, a superação desse tipo de crise costuma demandar tratamento clínico continuado, algo que grupos voluntários, por maiores que sejam os esforços, nem sempre conseguem oferecer sozinhos.

Enquanto isso, o processo criminal contra Orion Dix Paranhos segue seu curso na Justiça de Goiás, com o empresário permanecendo preso preventivamente. O desfecho do caso deve depender da manifestação do Ministério Público sobre a denúncia formal.

Leia também: Maria recebe alta e deve retornar a Pirenópolis

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