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PiriCastra Consciente: Injeção anti-cio: riscos e doenças que afetam cães e gatos

Injeção anti-cio pode causar piometra, tumores e outras doenças em cães e gatos. Entenda os riscos e a importância da castração responsável.
Junior Vilela
Junior Vilela

03 de junho de 2026 às 08:45


PiriCastra Consciente: Injeção anti-cio: riscos e doenças que afetam cães e gatos

PiriCastra Consciente alerta para os perigos do uso hormonal em animais

A injeção anti-cio ainda é utilizada por muitas famílias como uma alternativa rápida para evitar o cio de cadelas e gatas e impedir crias indesejadas. Em cidades do interior, a recomendação costuma circular entre conhecidos, vizinhos e estabelecimentos agropecuários, sendo vista como uma solução simples e econômica.

O que muitas pessoas não sabem é que essa prática pode trazer consequências graves para a saúde dos animais. Em diversos casos, os efeitos não aparecem imediatamente, o que dificulta a associação entre a aplicação hormonal e o surgimento posterior de doenças.

Embora seja popularmente chamada de “vacina anti-cio”, a nomenclatura é incorreta. O produto utilizado não imuniza o animal. Trata-se de um medicamento hormonal desenvolvido para interromper temporariamente o ciclo reprodutivo das fêmeas.

Segundo a médica veterinária Dra. Monique Pavelkonski, parceira da ONG PiriCastra, o medicamento funciona como uma descarga de hormônios sintéticos em alta dosagem para impedir o cio durante determinado período.

O problema é que essa interferência hormonal pode desencadear alterações importantes no organismo, aumentando significativamente o risco de diversas doenças.

Piometra e outras doenças associadas à injeção anti-cio

Entre as complicações mais conhecidas está a piometra, uma infecção uterina grave caracterizada pelo acúmulo de pus dentro do útero.

A doença é considerada uma emergência veterinária. Quando não tratada rapidamente, pode evoluir para infecção generalizada, comprometimento de órgãos e até morte do animal.

Os riscos da injeção anti-cio não se limitam à piometra. O uso repetido de hormônios também está associado ao aumento das chances de tumores mamários, câncer de mama, diabetes e diversos desequilíbrios hormonais.

Muitos desses problemas surgem meses ou anos após a aplicação, dificultando o diagnóstico da causa original.

Em razão desse intervalo entre o uso do medicamento e o aparecimento das doenças, diversas famílias não conseguem relacionar o quadro clínico ao histórico de aplicações hormonais.

A história de Princesa e os custos do tratamento

A presidente da PiriCastra, Cindy, vivenciou de perto as consequências desse tipo de procedimento.

Sua cadela, Princesa, havia passado por uma castração realizada incorretamente anos antes. Durante o procedimento, um dos ovários permaneceu no organismo, fazendo com que a cadela continuasse entrando no cio regularmente.

Mesmo sem possibilidade de gestação, já que o útero havia sido retirado, Princesa sofria com os efeitos hormonais. Ela apresentava alterações comportamentais, atraía cães machos para a residência e desenvolvia episódios recorrentes de gravidez psicológica.

As mamas ficavam inchadas e havia produção de leite, gerando desconforto constante para o animal.

Buscando reduzir esse sofrimento, Cindy decidiu recorrer à injeção anti-cio. O objetivo não era impedir filhotes, mas proporcionar maior bem-estar para a cadela.

Com o passar do tempo, porém, surgiram sérias complicações.

Princesa desenvolveu alterações mamárias severas e precisou passar por uma cirurgia extensa para retirada das mamas comprometidas.

O pós-operatório foi difícil e exigiu acompanhamento veterinário contínuo. Houve necessidade de exames, medicamentos, antibióticos, curativos frequentes e monitoramento constante da recuperação.

Além do sofrimento físico enfrentado pela cadela, a família também precisou lidar com elevados custos financeiros relacionados ao tratamento.

Segundo Cindy, todo o processo custou muito mais do que teria custado uma castração preventiva realizada adequadamente desde o início.

Castração responsável reduz riscos e ajuda no controle populacional

A experiência vivida por Princesa reforça uma discussão importante sobre prevenção.

Uma cirurgia de emergência para tratar piometra pode custar entre R$ 1.500 e R$ 4.000, dependendo da gravidade do caso e da necessidade de internação.

Nos casos de câncer de mama, os custos frequentemente ultrapassam R$ 5 mil quando são considerados exames, cirurgias, medicamentos e acompanhamento clínico.

Além dos gastos financeiros, existe um impacto emocional significativo para as famílias e um sofrimento que recai diretamente sobre os animais.

Castração como medida preventiva

De acordo com a clínica veterinária Hane’i, parceira da PiriCastra nos procedimentos de castração, o método considerado mais adequado é a retirada completa do útero e dos dois ovários por meio de técnica minimamente invasiva.

Quando realizada corretamente, a castração praticamente elimina o risco de piometra e pode reduzir em até 90% as chances de câncer de mama em determinadas condições.

Os benefícios vão além da prevenção de doenças.

A castração reduz os desconfortos relacionados ao cio, melhora a qualidade de vida dos animais e proporciona maior tranquilidade para as famílias.

Também contribui para enfrentar um desafio coletivo que afeta cidades de todo o país: a superpopulação de cães e gatos.

Uma única gata pode ter até três ninhadas por ano, com média de quatro a seis filhotes por gestação. Já uma única cadela pode gerar mais de dez filhotes em apenas uma cria.

Sem controle populacional adequado, o resultado aparece rapidamente nas ruas por meio do abandono, da superlotação de abrigos e da sobrecarga enfrentada por protetores independentes e organizações de proteção animal.

Por isso, a castração não deve ser vista como punição. Trata-se de uma medida preventiva que beneficia os animais, as famílias e a coletividade.

Quando uma comunidade investe em informação, educação e castração responsável, reduz-se o sofrimento animal e fortalece-se o compromisso com o bem-estar coletivo.

A mensagem defendida pela PiriCastra é clara: prevenir continua sendo mais seguro, mais econômico e mais humano do que remediar. A escolha por práticas responsáveis pode evitar doenças graves, reduzir o abandono e proporcionar mais saúde e qualidade de vida para cães e gatos.

PiriCastra Consciente — Coluna de Convidado

Créditos institucionais:
PiriCastra Consciente — Coluna de Convidado
Instagram e Facebook: @piricastra
Contato: (62) 98235-7688

 

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